Não Há Amor na Zona da Morte (BL) - Capítulo 291
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291: Capítulo 283. Roubando o Trovão 291: Capítulo 283. Roubando o Trovão Como poderia ser que eles nunca tinham falado sobre isso antes?
Bassena sabia que Zein havia acordado quando o homem tinha dez anos, mas ele nunca pensara, em sua imaginação mais selvagem, que eles acordassem no mesmo dia. Quase parecia um sonho, como um… destino.
Entreabrindo os lábios em um êxtase de espanto, Bassena olhava fixamente para o guia, o seu guia, como se o próprio homem fosse um milagre.
“O quê? Espera…” Abel, que finalmente terminou de ajustar a gravata corretamente, virou-se para olhar para o esper e para Zein. “Você está me dizendo… que vocês acordaram no mesmo dia?”
“Parece que sim,” disse Zein com uma ternura que deixou Abel surpreso, já que nunca a havia ouvido antes dele.
Porque Zein não usava sua máscara dessa vez, Abel não precisava ler a expressão apenas pelos seus olhos. Então era mais fácil ver a forma com que a frieza habitual de Zein se suavizava, brilhando suavemente como se uma luz noturna estivesse brilhando de dentro dele.
Era uma visão tão bela que fez Abel entender por que a Bassena Vaski sempre parecia tão enfeitiçado pelo seu guia. Como agora, quando o poderoso Senhor da Serpente, recentemente classificado como o quinto na Federação, estava tão apaixonado que não piscava há um minuto inteiro, as bochechas vermelhas e congeladas.
“Ah, não,” balançou a cabeça Abel. “Não, não, não!” ele se virou de volta para Zein, cujo rosto estava voltando ao seu habitual, desinteressado. “Só para deixar claro, hoje é o meu dia, ok?”
Zein levantou a sobrancelha para o guia usualmente dócil que agora tinha as mãos na cintura, olhando seriamente para o casal como se eles estivessem prestes a estragar seu casamento ou algo assim. O casamento que ele vinha preparando com toda a sua paciência e saúde mental pelos últimos seis meses.
“Pfft—” Zein riu e deu uns tapinhas no noivo cético. “Eu sei, eu sei…”
Mas Abel desviou seu olhar para Bassena e apontou para o esper de forma ameaçadora. “Se você está tentando propor ou algo assim hoje, eu vou te matar.”
Literalmente, Abel não seria capaz de fazer isso, mas ele era o noivo, ele podia exigir qualquer coisa hoje. Bassena finalmente acordou de seu transe e limpou a garganta, desviando o rosto corado.
“Ele não vai,” Zein riu e deu outro tapinha nas costas do guia para tranquilizá-lo. O nervosismo de casamento é realmente algo, hein? Zein olhou para o homem que normalmente era calmo e controlado com fascinação.
Abel estreitou os olhos duvidosos. “Como você sabe? Ele parece que quer se ajoelhar na sua frente agora mesmo.”
“Porque ele não acha que precisa ser feito durante um dia especial,” Zein sorriu ironicamente, provocando o que Bassena lhe disse mais cedo. “E ele é do tipo que prepara tudo bem primeiro.”
Bassena riu baixinho por acertar em cheio. É claro que ele não faria algo tão importante para o amor de sua vida de uma forma impulsiva e impulsiva. Assim como ele veio para a Zona da Morte com um plano inteiro para recrutar Zein através de uma expedição em vez de correr para lá assim que descobriu onde Zein estava.
Afinal, ele era o ‘irmãozinho’ de Radia e Joon. Ele foi ensinado por duas pessoas cujos cérebros só consistiam em planejar coisas para o quadro maior.
Na verdade, Bassena já sabia onde e como ele faria isso, era apenas uma questão de quando—porque um relacionamento com Zein era tudo sobre o tempo.
“Mas eu estou inclinado a pensar que eu sempre pareço querer me ajoelhar na frente dele, embora,” Bassena deu de ombros, ao que Abel respondeu com um resmungo.
Mas ele parecia acreditar neles agora e continuou se arrumando enquanto Zein se despedia para finalmente ir para o local.
“Isso é… uau…” Bassena foi o primeiro a retomar o assunto, porque ele ainda estava atordoado mesmo enquanto caminhavam pelo corredor seguindo a direção que a equipe deu a eles. “Quero dizer… Eu sabia que você havia acordado quando tinha dez anos, mas… Eu nunca pensei que fosse tão longe…”
Zein, por sua vez, não fazia ideia do despertar de Bassena. Se o esper mencionou isso antes, então ele simplesmente esqueceu—talvez porque, naquela época, Bassena não fosse tão especial. Quando ele ouviu mais cedo, só perguntou por curiosidade, porque eles acordaram no mesmo ano. Certamente, ele não pensou que aconteceria no exato mesmo dia.
“É meio difícil pensar nisso como coincidência,” mutterou Zein.
Bassena congelou de repente e parou de andar. Ele olhou para Zein com uma ansiedade recém-descoberta. Ele estava tão feliz por pensar que era um milagre, que era destino, que apenas provava como eles estavam destinados a ser.
Mas ele esqueceu uma coisa crucial; Zein odiava esse conceito. Destino, coisas que haviam sido predeterminadas, porque faziam ele se sentir como uma ferramenta criada pelo capricho do Ser Celestial. Era o mesmo que como ele odiava a ideia de impressão, do apego inerente de um esper ao seu guia.
O que… e se Zein pensasse que a jornada deles era apenas um ardil das divindades…?
“O que há de errado?” Zein virou e parou seus passos quando percebeu que Bassena estava parado. Não só isso, o esper também parecia… assustado? Zein inclinou a cabeça e estendeu a mão para acariciar a bochecha ansiosa. “Bebê?”
Oh… Bassena piscou quando ouviu aquele nome carinhoso melodioso que Zein usava apenas para ele. Oh, Zein ainda o chamava assim — Bassena respirou aliviado. “Eu pensei… pensei que você poderia não gostar…”
Zein arqueou a sobrancelha, olhando para cima, refletindo sobre que parte dava a entender que ele odiava a ideia de despertar no mesmo dia que Bassena.
“Porque… soa como… destino, ou algo assim. Como se houvesse um poder que quisesse nos conectar dessa maneira…”
“Hmm…” Zein concordou com a cabeça, finalmente entendendo a súbita ansiedade do esper. “Você está certo, eu odeio esse tipo de coisa,”
Bassena imediatamente se tensionou, mesmo com a mão de Zein em sua bochecha. Mas o guia acariciou sua pele novamente, sorrindo tão ternamente quanto fez no quarto do noivo. “Mas eu não odeio você,” ele riu. “E mesmo que não seja uma coincidência, eu não acho que isso tenha muita influência na nossa história. Não foi por isso que demorei tanto tempo para decidir o que sinto por você?”
Os olhos âmbar se arregalaram, e Zein continuou a acariciar a bochecha do esper, desta vez com as duas mãos. Sim, essa foi a razão pela qual ele teimosamente se segurou para não derrubar sua parede, para não sair da sua jaula, para não escalar o penhasco. Porque ele não queria que esse tipo de dúvida turvasse seus sentimentos no futuro.
Mas graças a ele ser tão cauteloso, ele já não estava mais questionando se era ou não o seu próprio sentimento ou algo que era controlado pela sua natureza como esper e guia. Ele já tinha superado esse obstáculo.
“Mesmo que não tenha sido uma coincidência, mesmo que exista um poder lá fora que queira que nos encontremos e fiquemos juntos, isso não importa,” ele disse, suavemente, mas firmemente, certificando-se de que cada palavra ressoasse no coração do esper. “Eu sei que fui eu quem tomou esta decisão de estar com você, então está tudo bem. Eu sei que sou eu, e não algum poder cósmico que quis que ficássemos juntos.”
Abel estava certo. Agora, em um edifício onde um casamento seria realizado, em um dia em que se dizia que os amantes seriam abençoados, Bassena queria ajoelhar-se e pedir a mão de Zein. Ele queria se ajoelhar e implorar para que o homem nunca o deixasse, para estar com ele até o fim dos tempos e além.
Mas eles haviam prometido ao noivo que não roubariam sua atenção, e ele não havia trazido as coisas importantes consigo, então Bassena engoliu as palavras que realmente queria dizer e pediu outra coisa. “Posso te beijar?”
Sorrindo carinhosamente para o homem mais jovem, Zein trouxe o rosto do esper para perto e juntou seus lábios. Ah, ele não sabia o que era amor, mas se usasse as palavras de Radia, talvez fosse isso. Porque Zein não achava que poderia estar com alguém além de Bassena.
Pelo menos, naquele momento, havia apenas os dois em seu mundo, em seu futuro; o futuro que começou a imaginar novamente. Um futuro de uma casa no penhasco, sob o céu azul, com vista para o mar turquesa.
Havia apenas uma coisa os separando desse futuro, e Zein pensou que talvez, eles se encontrassem da maneira que encontraram para que pudessem superar aquele obstáculo. Nesse caso, ele não se importaria com esse ‘destino’, esse truque, se realmente fosse o caso.
“Eu já lhe disse,” Zein sussurrou contra os lábios sorridentes. “Existem muitas maneiras de nos encontrarmos mesmo que o cenário seja diferente,” ele se afastou um pouco, apenas para poder ver melhor o rosto do esper, e acariciou o pescoço cujas veias pulsavam fortemente. “Mas não há garantia de que sentiremos o mesmo, então… ainda estou feliz que nos encontramos da maneira que encontramos.”
Eles ainda seriam atraídos um pelo outro se Zein tivesse nascido na Aliança do Norte? Eles ainda estariam juntos se a Víbora Dourada conseguisse encontrar Lucia e transformar Zein em uma ferramenta? Eles não saberiam, mas isso também não importava. O que importava era que eles se encontraram neste cenário, através da dor e da miséria, do destino e da coincidência, da dúvida e da suspeita. O que importava era que, mesmo após tudo, eles conseguiram encontrar consolo um no outro.
E Zein sentiu que isso era suficiente.
Ele olhou para os ambers calorosos que o olhavam com toda afeição e adoração, sentindo a veia pulsante sob seu polegar, e mãos quentes em sua cintura. “Quanto tempo falta para a cerimônia?” ele perguntou, com uma voz etérea que apenas Bassena podia ouvir, e um sopro de respiração pesada.
Bassena piscou lentamente, a mente girando freneticamente. “… deve estar tudo bem se chegarmos lá em vinte minutos,” ele respondeu, quase segurando a respiração enquanto falava.
Os olhos azuis o encararam profundamente, os longos cílios tremularam só um pouco. “Você—”
“Tem um banheiro no corredor antes daquela esquina,”
Zein arqueou a sobrancelha com a resposta rápida, rindo em adoração. Ele recuou e pegou a mão do esper, sorrindo profundamente enquanto sussurrava. “Então vamos correr, não podemos nos atrasar para o casamento do Abel.”
Bem, vinte minutos devem ser suficientes para pelo menos uma vez, certo?