Não Há Amor na Zona da Morte (BL) - Capítulo 275
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275: Capítulo 268. À Beira do Lago 275: Capítulo 268. À Beira do Lago Quando um esper era gravemente ferido, normalmente, eles receberiam tratamento de emergência de um curandeiro e então seriam levados ao hospital ou à clínica da guilda, dependendo do nível do ferimento e da instalação da guilda.
Mas Trinity levou Bassena ao andar do subsolo.
E por um bom motivo.
“Ele está onde?!”
O terceiro subsolo, onde os espers de alta patente treinavam, estava destruído. A Arena que normalmente era iluminada tornou-se tênue enquanto tentáculos e nevoeiros de escuridão se espalhavam por todo o cômodo. As paredes estavam amassadas, corrimões estavam entortados, o vidro estava estilhaçado.
Han Shin fez o seu melhor para curar o esper mais cedo, mas a habilidade de cura não era uma panaceia. A habilidade essencialmente consumia a mana do curandeiro em conjunto com a força vital do alvo. Então ele não podia curar tudo de uma vez.
Mas antes que ele pudesse realizar mais curas, especialmente para o ferimento interno, Bassena já estava acordado e a primeira coisa que perguntou foi sobre Zein. Porque Bassena sabia que ele ainda estava fortemente corroído, e não havia como Zein deixá-lo assim se o guia estivesse lá.
E no momento em que descobriu o que aconteceu, o inferno se soltou.
Bassena esteve tão calmo e em um bom espaço pelos últimos sete meses. Ele até havia parado de se trancar em suas câmaras de treinamento para descontar a raiva. Mas os espers não se esqueceram que Bassena era uma bomba. E agora a trava da bomba estava sendo levada para outro estado.
Han Shin, que também estava preocupado com o ferimento do mago, tentou acalmar Bassena. Mas sempre foi difícil conversar com seu amigo temperamental. “Bas–”
“Você deixou eles levarem ele?!”
“Não é que nós estejamos permitindo! Eu disse para ele não ir!” o curandeiro tentou razoar com Bassena, mas realmente era difícil conversar com o homem quando ele estava consumido pela raiva. O fato de ele ainda estar fortemente corroído também contribuía para o fardo mental que o tornava mais irracional.
E como esperado, Bassena respondeu com um golpe de sua escuridão em outra parte da parede do subsolo. “Você deveria ter segurado ele melhor!”
“Eu quero!” Han Shin estava gritando de raiva a essa altura. Zein não era apenas importante para Bassena. Zein também era seu amigo. Ele foi quem agarrou o braço do guia para que o homem não fosse. “Eu também não quero que ele vá embora!”
“Comandante, você realmente deveria se acalmar–argh!” Gus se abaixou a tempo de evitar um tentáculo escuro que zunia acima de sua cabeça. Ele suspirou e olhou para os outros membros do esquadrão [Anzus]. “Nós realmente temos que lutar contra ele?”
Mas parecia que eles não teriam que chegar a tanto desde que outro grupo de figuras se apressou em conter Bassena. Madeiras se estilhaçavam e torciam para segurar os membros do esper, vinhas verdes apertavam em torno do torso do esper e três círculos brilhantes circulavam ao redor de Bassena para formar formações de contenção. Duas figuras imensas agarraram as mãos e o ombro do esper para contê-lo completamente.
Seu movimento de qualquer forma.
“Acalme-se, Bas,” o Mestre da Guilda entrou na Arena com outros três guerreiros convocados e, uma vez que estava perto o suficiente do Bassena contido, uma barreira de isolamento transparente foi erguida ao redor deles.
“Você acha que eles podem me segurar?” Bassena sibilou e encarou o Mestre da Guilda.
“Provavelmente não,” Radia respondeu despretensiosamente. “Mas Zein arriscou tudo para diminuir sua corrosão, e agora você vai desperdiçá-la?”
As palavras fizeram os olhos âmbar cintilarem e como um fusível sendo apagado pela água, Bassena parou sua luta. Mas isso não significava que suas emoções diminuíram; elas foram apenas suprimidas pela noção de desfazer o trabalho árduo de seu amado. E ainda o irritava que Radia usasse o nome de Zein para controlá-lo conscientemente.
“Você é um filho da puta,” ele sibilou para o invocador que se aproximou novamente agora que ele havia parado de se enfurecer.
Radia sorriu; o tipo de sorriso que não chegava aos seus olhos. Ele estendeu a mão e agarrou o queixo de Bassena, olhando diretamente nos olhos âmbar. “Eu vou te perdoar dessa vez porque sei que você está em choque,” disse ele num tom calmo, mas frio. “Mas se você continuar agindo feito um mimado, eu vou te trancar mesmo que eu tenha que chamar o Joon.”
Bassena não disse nada por um tempo, e durante esse tempo, seu rosto lentamente passou de raiva para desespero. “Eu tenho que ir lá,” ele disse com uma voz forçada. Não havia mais traço de fúria em seu rosto, e ele estava implorando baixinho e seriamente. “Por favor, você sabe por que eu tenho que ir lá…”
“Eu sei,” Radia suspirou e deu um sinal para a barreira de isolamento ser retirada. Sim, ele sabia. Ele sabia que Bassena estava com medo de que Zein nunca mais voltasse como Zein, porque enquanto o outro estava sendo distraído pela marca de Frejya, ele podia ver na gravação, a marca que estava originalmente lá primeiro; a marca de Setnath. “Eu sei disso, mas você tem que se acalmar primeiro antes de poder ir.”
Ele podia ver como era difícil para Bassena manter a calma quando ele nem sequer sabia se o seu Zein ainda era o seu Zein nesse ponto. O fardo mental da corrosão e a lesão interna restante apenas pioravam seu estado mental. Mas Bassena conseguiu conter suas emoções e recolheu toda sua escuridão. A Arena ficou iluminada novamente, e eles podiam ver melhor quão miserável Bassena parecia agora.
“Bom,” Radia acenou com a cabeça e massageou o pescoço de Bassena. “Solte-o.”
A figura imensa soltou Bassena e a madeira, as vinhas, e a formação de contenção foram recolhidas. Radia alcançou dentro de seu terno e tirou um commlink. Ele segurou o braço mole de Bassena e colocou o commlink no pulso do esper.
Bassena olhou vazia mente para o commlink, e somente depois que a tela piscou é que ele recuperou seu foco. Reconheceu seu link, e ele piscou uma notificação de um documento trancado enviado pela conta do Radia.
“Consegui a permissão de entrada no Templo de Frejya, mas–” Radia agarrou o queixo de Bassena novamente e o encarou duramente, “–só irei liberá-la se você me prometer se comportar.”
“Tá bom,” Bassena acenou rapidamente. “Tá bom, por favor…”
“O avião está esperando por você no aeroporto–” no momento em que Radia disse isso, Bassena imediatamente correu em direção à saída e para o elevador. Radia suspirou e se virou para Han Shin. “Shin, vá com ele, certifique-se de que ele se comporte.”
O curandeiro apontou para si mesmo e arregalou os olhos. “Eu? Sozinho?”
Radia apontou para Lex e Jock, a quem ele havia pedido para vir mais cedo. “Vá com esses dois.”
“Sim, senhor!”
* * *
[Preciso de tempo para encontrar a consciência dele, então espere descansando um pouco] disse a Deusa quando Zein disse a ela que aceitaria a oferta de conversar com Setnath. [Você está livre para fazer o que quiser durante sua estadia]
E com isso, Zein foi levado de volta para o seu agradável quarto, e finalmente teve sua primeira refeição do dia na varanda enquanto apreciava a paisagem do lago cristalino e cintilante. Talvez devido à natureza do lago que vinha de uma árvore, que estava brotando como a base para o fragmento de Setnath, o lugar o fez lembrar daquele lago na Zona da Morte.
Mas é claro, o lago aqui era muito, muito maior do que o da Zona da Morte. Afinal, aqui era um fragmento inteiro, não apenas o núcleo.
Uma vez que a Deusa disse que ele poderia fazer qualquer coisa de qualquer maneira, Zein decidiu dar uma volta na base da árvore para olhar mais de perto o lago. O jovem padre anterior o guiou ao santuário inferior, e deixou Zein por conta própria depois que o guia pediu isso.
Assim como qualquer outro templo, o santuário inferior era utilizado como um saguão e clínicas regulares, então havia muitas pessoas ali; espers, sacerdotes e acólitos, bem como equipe regular. O santuário inferior, que era quase do tamanho de uma pequena cidade, também era onde a escola para futuros guias era localizada, então ele pôde ver jovens guias que estavam prestes a fazer sua pausa para o almoço ao redor da beira da água.
Foi uma boa decisão de sua parte não trocar para a túnica azul profundo, porque ele descobriu mais tarde que era reservada para guias de alto status; essencialmente os moradores do santuário do pico. Usar essas roupas só iria trazer atenção desnecessária sobre ele.
Curiosamente, a aparência de Zein fez as pessoas pensarem que ele era um esper; com seu porte mais alto e impressão forte, sem mencionar todo o traje de combate e máscara. Aqui, as pessoas não o conheciam a menos que estivessem atualizadas com a Federação Oriental, e a cor de seus olhos já não era mais uma raridade. Então as pessoas mal olhavam em sua direção, e até mesmo aqueles que lançavam um olhar não demoravam.
O que era bom depois de toda a atenção e foco nele pelas últimas semanas.
A Ilha da Árvore, que era o Templo propriamente dito, não estava conectada ao continente por nada. Aqueles que queriam vir ao Templo teriam que atravessar usando barcos ou aeronaves, embora habilidades de movimento também fossem utilizáveis como um método. Assim, um lado da Ilha era um grande porto e depósito de espera para os visitantes do Templo.
A maior parte da borda da ilha, por segurança, havia sido cercada com madeira branca entrelaçada com roseiras trepadeiras para que as pessoas não caíssem na água descuidadamente. Mas havia vários pontos onde não havia cerca, e a raiz mergulhava na água do lago em um ângulo confortável como uma praia.
Foi ali que Zein terminou depois de andar ao lado da cerca. Olhou para baixo de vez em quando, vendo a água extremamente clara com fascinação. Ele foi informado de que o lago era na verdade muito profundo, e ele podia ver como as raízes gigantes penetravam no leito do lago. Quase parecia que ele estava olhando para um aquário gigante de cima–o que o fez lembrar que ainda tinha um encontro pendente no aquário com Bassena.
Haa… se ao menos ele pudesse usar seu commlink.
Será que ele já estava curado? Já havia acordado? Ficou bravo? Zein soltou um longo suspiro, sentindo falta do seu esper ainda mais. Ele olhou para a distância e se perguntou o que Bassena faria depois de saber que ele estava aqui.
O esper ficaria quieto e esperaria pacientemente? Ou ele causaria estragos e teria um ataque de raiva? Zein apenas esperava que, seja lá o que fosse, Bassena não acabasse se machucando ainda mais.
E enquanto observava as árvores floridas ao redor do lado de fora do lago, foi lembrado da casa de seus pais. Com pesar, ele sabia que Lucia não teve a chance de ver esta paisagem em sua vida.
Ele deixou escapar um sorriso amargo ao ver o lago cintilante e a primavera perpétua ao redor. Qual era o ponto de um lugar bonito sem a pessoa com quem ele queria compartilhá-lo?
“Ei, Senhor; por que você continua suspirando? Está triste?”
Zein virou a cabeça com a pergunta repentina. Sem nem perceber, uma jovem menina–provavelmente com uns doze ou treze anos–olhou para ele curiosamente. Ele ergueu a sobrancelha, não por causa da pergunta, mas porque a menina estava vestindo uma túnica azul marinho simples apesar de ser tão jovem.
Então Zein levantou o olhar para o espaço alguns metros atrás da menina, onde uma senhora idosa o observava com um sorriso no rosto. A senhora, assim como a jovem menina, também usava uma túnica azul marinho. Mas dessa vez, havia um bordado dourado belíssimo ao longo das lapelas e das bordas das mangas, então Zein imediatamente soube quem ela era.
A Santa do Templo de Frejya.