Não Há Amor na Zona da Morte (BL) - Capítulo 264
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264: Capítulo 257. Mil Palavras 264: Capítulo 257. Mil Palavras “Ele disse que podemos tirar o dia de folga,” Bassena disse, jogando o commlink de Zein no sofá antes de voltar rastejando para a cama, beijando a nuca do guia.
“Bom, eu não estou com ânimo para levantar hoje,” Zein resmungou contra o travesseiro.
Era uma situação tão rara; Zein preguiçoso e optando por apenas ficar deitado na cama. Mas ele estava exausto, e sentia como se tivesse passado por uma maratona na masmorra, dado o modo como seus músculos protestavam.
E ele não tinha dormido nos últimos dias, então ele estava recuperando o sono perdido.
Bassena observava o homem deitado de bruços, afundando mais no colchão. Zein nem se incomodou em vestir roupas depois que Bassena o limpou na noite passada, alegando que estava com preguiça. Novamente, era uma ocasião rara para alguém que insistia em cobrir todo o corpo. Mas isso mostrava que o guia estava ficando mais confortável e mais seguro ao seu redor, e Bassena não poderia estar mais grato por isso.
Também, isso dava a Bassena uma visão completa das costas nuas de Zein, pintadas com marcas de mordida e chupões.
Seguindo aquelas marcas que para ele pareciam medalhas, Bassena sorriu deliciosamente para si mesmo. Não importava mesmo que Zein não respondesse à sua declaração de amor—Bassena sabia que ainda era um conceito difícil para o guia—mas saber que Zein sentia ciúmes era… eufórico. Ele realmente não conseguiu se segurar na noite passada, e a submissão repentina de Zein não ajudou em sua autocontenção.
“Você sabe que eu não posso mais, não sabe?” Zein disse enquanto Bassena distribuía beijos por todas aquelas marcas.
“Não estou tentando,” o esper riu, acariciando o braço do guia suavemente.
Zein virou a cabeça para olhar a expressão alegre e o olhar divertido, nada parecido com a fera feroz da noite passada. Agora, o homem parecia apenas seu adorável eu de sempre, e esse contraste fazia o coração de Zein se sentir suave e quente. Ele estendeu a mão para acariciar a bochecha levemente corada com as costas dos dedos, antes de puxar o esper para um beijo leve.
“Você disse que não podemos fazer de novo…” o esper choramingou, e Zein deu um beliscão forte em sua testa.
“Se controle,” ele sussurrou pelo bem de seu músculo que gemia. “Onde está meu link?”
“Ugh–por que você precisa dele de novo?” Bassena franziu os lábios. Agora que eles tinham um dia de folga, ele queria passar o dia inteiro com Zein sem nenhuma perturbação, substituindo os últimos dias em que eles não puderam se ver.
Zein se mexeu para poder deitar de costas e arrastou seu corpo para se apoiar na pilha de travesseiros. “Você não quer ver como era a minha cidade natal?”
Isso fez Bassena correr até o sofá onde ele jogou o commlink mais cedo. “Pega algumas roupas para mim enquanto está nisso.”
Obedientemente, o esper voltou com o commlink preto e um par de pijamas—claramente dizendo ao guia que Bassena não queria que ele fosse a lugar algum hoje. Não que Zein quisesse, com seus ossos rangendo e músculos gritando.
“Vá para o arquivo de vídeo,” ele disse ao esper enquanto vestia os pijamas que não lembrava de ter—quando foi que Bassena comprou isso para ele? Depois que Zein pediu para morarem juntos?
“Tem um vídeo?” Bassena ofegou, abrindo rapidamente o arquivo. Ele nem sequer esperava muitas fotos já que era o Zein, mas… gravação em vídeo?
E tinham até vários deles?!
[Está certo?] ele ouviu a voz melodiosa do guia no momento em que apertou play na primeira gravação. A câmera se afastou para um canteiro de obras, o que disse a Bassena que era o orfanato.
[Sim, apenas pressione este se quiser parar a gravação] a voz do guarda-costas veio em seguida, mas não houve mais vozes depois disso, exceto pelos sons naturais da atividade das pessoas.
E então a gravação terminou abruptamente.
“Huh?”
“Aquela é apenas um teste,” Zein disse ao esper enquanto assumia sua posição novamente após terminar de vestir os pijamas confortáveis e novos, meio deitado contra a pilha de travesseiros. “Não é como se você quisesse olhar para uma construção em andamento, certo”
Bassena riu e pressionou o próximo vídeo. Desta vez, ele não ouviu nenhuma voz, apenas o som de passos. A tela flutuante mostrava a ele um pedaço de campo seco e algumas engenhocas. O campo estava cercado por uma cerca baixa, tão alta quanto uma criança pequena.
“É o playground,” Zein explicou, o que fez Bassena piscar. Talvez porque ainda fosse cedo e não houvesse criança correndo pelo campo para que fizesse sentido. “Não é como aqui, certo?” o guia riu. “Os adultos apenas fizeram algo com as coisas que estavam jogadas por aí.”
Havia alguns balanços feitos de tábuas e cordas penduradas em vigas de aço, gangorras feitas de tambores e tábuas, bem como uma estrutura feita de barras de ferro que deveria ser um trepa-trepa ou algo do tipo. Havia várias outras que Bassena não fazia ideia do que deveriam ser.
“Você brincava lá também?” Bassena perguntou, deitando sua cabeça no peito do guia.
“Quando não tinha ninguém lá,” Zein respondeu com um sorriso nostálgico, fazendo uma nota mental para contar a Aida sobre melhorar o suposto parquinho. “Eu era bem pequeno naquela época, então não conseguia competir com a gangue de crianças que dominava o lugar.”
Bassena espiou o rosto do guia, mas não sentiu qualquer amargura ali, apesar da experiência aparentemente desagradável. Mas era apenas uma lembrança distante da infância para Zein, e realmente não o afetava muito quando estava em seu espaço agradável com seu esper em seu braço.
Então Bassena sorriu e voltou sua atenção para a tela. Eles reproduziram o próximo vídeo, onde Zein fazia uma gravação enquanto caminhava pelas ruas que costumava atravessar. Claro, a maior parte era comparativamente nova devido à reconstrução de cinco anos atrás, mas Zein mostrou vários lugares, como a loja de conveniência onde costumava comprar suas necessidades diárias.
Era chamada de ‘loja’, mas não tinha prateleiras cheias de mercadorias, não. Os produtos eram mantidos em um quarto nos fundos de forma segura, e as pessoas deveriam pedir ao proprietário os itens que queriam comprar. Algumas vezes, porém, havia uma ‘promoção’ quando o proprietário colocava produtos quase vencidos à venda e os vendia mais baratos. Zein geralmente esperava por esses momentos para pechinchar, competindo com as outras esposas como abutres.
Zein também lhe contou sobre os lugares que vendem comida pronta. “Comemos lá quando queremos celebrar algo,” disse Zein, e então acrescentou com uma risada. “Mas não é que seja bom ou algo assim. A única coisa boa é que é uma refeição quente, e eles usam um pouco mais de sal.”
Depois disso, Bassena ouviu a explicação do guia sobre outros lugares, incluindo um local que costumava ser a sede da Umbra. Todo o tempo, Bassena manteve seu silêncio, apenas espiando ocasionalmente a expressão de Zein. A cada vez, sentia como se seu coração fosse esmagado em pedaços.
Bassena havia visitado a favela algumas vezes, e a zona vermelha era quase como aquilo – só que pior. A favela era pobre, bagunçada e suja. Mas pelo menos, ainda tinha ar melhor e solo plantável. A zona vermelha, por outro lado, tinha todas as coisas ruins que a favela tinha, com o bônus adicional de um ambiente quase inabitável.
Ele mal conseguia imaginar viver lá como adulto, mas pensar em Zein vivendo lá desde que era bebê, por mais de duas décadas… isso o esmagava. Especialmente porque Zein falava do lugar de maneira desapegada, até mesmo deixando escapar um sorriso nostálgico às vezes, como se não fosse um dos piores lugares para se viver nesta terra.
Era simplesmente… de partir o coração. Ele só queria envolver Zein em um cobertor, abraçá-lo em calor e inundá-lo de felicidade.
“Ah,” Zein fez uma pausa quando reproduziram a última gravação. Era de um prédio residencial relativamente novo. “Este prédio é novo, porque o antigo estava muito destruído,” ele começou a explicar, e então adicionou secamente. “Nossa casa ficava ali.”
Novamente, Bassena olhou para o guia, tensionando-se inconscientemente. Ele entendia o que a antiga casa de Zein significava — era onde ele morava com os gêmeos, e foi onde os gêmeos encontraram seu fim.
“Zein–”
“Estou bem,” Zein virou a cabeça para encarar Bassena e disse ao esper com um sorriso nos lábios, acariciando as mechas platinadas espalhadas em seu ombro. “Eu tenho outro lar agora,”
Os olhos azuis que o olhavam eram suaves e brilhavam esplendidamente, tão belos e deslumbrantes. Bassena tinha que se perguntar que boa ação ele havia feito antes para lhe conceder esse tipo de benção, para se banhar nesse tipo de força e beleza.
Apertando os lábios com força, Bassena mudou de posição e enterrou o rosto no peito do guia, abraçando o torso do guia e enrolando-se como uma criança ao lado do guia. Zein ergueu a sobrancelha, mas acabou rindo da exibição adorável. Ele acariciou o cabelo de platina e pressionou os lábios na coroa do esper.
“Obrigado,” Bassena murmurou, “por compartilhar isso comigo.”
Zein inclinou sua cabeça para trás no travesseiro, ainda acariciando o cabelo do esper. Olhando para o teto, ele chamou o homem mais jovem suavemente. “Bas,”
“Mm?”
Zein acariciou a nuca do esper, lembrando do sussurro de devoção que recebera na noite anterior. Ele não podia responder, não só porque estava enebriado, mas também porque nunca havia dito isso para ninguém antes. Assim como o sentimento de ciúmes, ele não tinha ideia do que exatamente o sentimento de ‘amor’ envolvia. E falar sobre isso sem entender a palavra apenas mancharia o significado em si.
E ele não queria desmerecer o significado dessa palavra para Bassena falando-a levianamente. Isso seria um desserviço ao homem que colocou todo o seu coração ao dizer essas palavras.
Dito isso, ele ainda queria que Bassena soubesse seus sentimentos. “Você sabe que você é a pessoa mais importante para mim, não sabe?”
“Sim,” o esper respondeu sem hesitar agora. Afinal, por que mais Zein pediria a Radia para contrabandeá-lo para dentro do Templo apenas porque sentia ciúmes? Bassena estica os lábios em deleite. “Eu sei,”
Zein envolveu os ombros do homem mais jovem—seu esper, seu amante. Ele sussurrou ternamente. “Bom. Você nunca deve esquecer isso.”