Não Há Amor na Zona da Morte (BL) - Capítulo 219
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219: Capítulo 213. A Conferência do Guia 219: Capítulo 213. A Conferência do Guia A conferência, honestamente, não era o que Zein havia imaginado que seria.
Para ser justo, ele não tinha muita experiência em relação a esse tipo de convenção. Tudo o que ele frequentou foram as reuniões da guilda e o evento de abertura. Então ele estava esperando que a conferência fosse como ontem, algum tipo de simpósio.
Mas não havia muitos guias participando, e a sala de conferência era pequena, então, em vez disso, estava cheia de várias mesas redondas, cada uma ocupada por seis a sete pessoas. Os painelistas no palco ligeiramente elevado estavam sentados em várias poltronas, como num talk show.
Era um ambiente bastante informal e quase se parecia com a entrevista que Zein fez para a televisão aquela vez. Havia um moderador que atuava como anfitrião e três painelistas, incluindo Zein. Eles apresentariam primeiro o seu próprio tópico e uma sessão de P&R seria aberta depois que todos os três palestrantes apresentassem seus tópicos.
Inicialmente, Zein teria a última vez para falar, talvez em consideração à solicitação de última hora. Mas ele não gostava de apenas sentar lá esperando sua vez chegar, então disse a eles que falaria primeiro. Ele não se importava se faria seu discurso de forma diferente dos outros, ele só queria terminar logo com aquilo.
Mas ele pode ter dito isso de maneira muito dura, ou pode ser por causa de sua imagem, mas o moderador até gaguejou enquanto redistribuíam a ordem. Como um serviço – ou apenas um ‘foda-se’ – Trinity distribuiu até um material impresso que Alice havia feito antes do almoço para cada guia lá presente, incluindo o moderador, o organizador e os jornalistas. Alice deliberadamente distribuiu o documento para a mesa com os guias da Celestia por último, segurando-o a cerca de cinco centímetros acima da mesa na frente dos referidos guias, antes de deixá-lo cair com um baque alto.
Os documentos estavam bem encadernados considerando que era um trabalho rápido. Tinha uma capa adequada, com um logo da Trinity em negrito, e uma declaração clara de que só poderia ser adquirido na conferência de hoje.
Ou seja, se o documento se espalhasse, eles saberiam que era de alguém nesta sala.
Uma ameaça luxuosa e privilegiada – ahem, um tratamento.
Isso, juntamente com a apresentação de Zein, fez com que os guias engolissem sua saliva silenciosamente. Zein nem tentava ser ameaçador, mas como ele vestia o uniforme e a máscara pretos como de costume, ainda parecia tão imponente quanto podia ser, com seu porte atlético e alto. Além disso, ele apresentou seu tópico da maneira como faria uma palestra durante o treinamento – como um instrutor militar.
Definitivamente não é para os fracos de coração.
“Oh, isso é nostálgico,” murmurou Dheera com um risinho abafado. “Olhando para o Capitão nos dando uma palestra com aquela máscara.”
“É,” respondeu Nadine com um sorriso. “É por causa dos olhos dele serem tão afiados? Sua vibe muda completamente se não podemos ver todo o seu rosto.”
“Ah, mas o rosto do Capitão é o tesouro da nossa guilda, então eu prefiro não compartilhá-lo com mais ninguém,” a guia mais nova riu novamente. “Aposto que o Senhor Vaski gostaria disso também.”
Enquanto as duas conversavam, alguém da mesma mesa de repente chamou por elas. “Hmm, com licença,” uma mulher se inclinou para frente na mesa, olhando para elas com interesse. “Vocês são da Trinity, sim?”
“Sim, podemos ajudá-la?” Nadine respondeu diplomaticamente, exibindo seu sorriso de relações públicas.
Em tais ocasiões, Dheera sabia o suficiente para manter a boca fechada e deixar Nadine falar, pois a guia mais velha tinha mais experiência. Ela fingiu prestar atenção no seu Capitão enquanto também tentava acompanhar a conversa na mesa. Por coincidência – ou não – a mesa deles estava preenchida apenas por elas, que eram da Trinity, aquela mulher que acabara de chamar por elas, e sua amiga.
“Vocês realmente passam por todo esse regime de treinamento?” ela perguntou com genuína admiração enquanto mostrava a página contendo o cuidadoso treinamento físico e mental curado por Zein.
Com um sorriso amistoso, Nadine assentiu graciosamente. “Sim, claro. O regime de treinamento físico básico é obrigatório para todos, e temos que fazer isso até alcançarmos o parâmetro mínimo,” ela explicou, embora já estivesse escrito ali. “Depois disso, o Capitão – quero dizer, Senhor Zein criaria um treinamento personalizado para cada um dos membros.”
“Regime personalizado?” a mulher pareceu surpresa. Realmente dizia que, depois que o guia atingisse o parâmetro necessário, ele teria que seguilo com um regime de treinamento adaptado ao seu tipo de corpo.
Mas não havia nada sobre o Líder fazê-lo pessoalmente para eles.
“Ah, sim,” Nadine deu uma risadinha, com um gesto um pouco bobo, como se tivesse dado uma escorregada na língua, antes de adicionar em um tom mais baixo. “É porque a nossa guilda tem várias equipes de ataque com diferentes necessidades, então cada um de nós requer diferentes capacidades físicas de acordo com nossa equipe designada.”
A mulher ergueu a sobrancelha, antes de assentir com satisfação. “É muito organizado.”
“Obrigada,” Nadine ampliou um pouco mais o sorriso, apenas o suficiente para não parecer presunçosa, mas ainda sim orgulhosa. Ela desviou o olhar para a frente, onde Zein havia se sentado em sua cadeira após terminar sua breve deliberação. “É graças à excelência do Senhor Zein.”
“Oh, foi ele quem projetou tudo?”
“Mais ou menos,” Nadine assentiu, olhando para a mulher novamente, que parecia estar mais interessada em conversar com ela sobre a divisão do que ouvir o próximo palestrante.
Mas esse era o tipo de pergunta que poderia surgir durante a sessão de P&R, então estava tudo bem em revelar isso. Na verdade, eles só dariam informações para aqueles que realmente perguntassem, em vez de desafiá-los.
“Claro, também foi feito após ampla consulta com médicos e nutricionistas,” Nadine acrescentou, apenas para não pintar Zein como alguém descuidado. “Houve também um psicólogo e um curandeiro mental de plantão durante o treinamento de simulação.”
A mulher a olhou com olhos brilhantes, parecendo verdadeiramente fascinada com o sistema. “É mais seguro do que eu pensei,” ela comentou. “Eu tinha essa ideia errada de que esse novo conceito seria muito pesado para os guias.”
“Oh não, é mais voltado para nossa sobrevivência,” Nadine balançou a cabeça com um leve franzir de testa. “Mesmo que não seja em masmorras, guias ainda devem funcionar bem durante surtos.”
“Exatamente!” a mulher concordou e exclamou energicamente.
Continuou a perguntar a Nadine mais sobre os detalhes no documento, como se não pudesse esperar pela sessão de questionamentos.
“Com licença,”
A discussão deles, no entanto, foi repentinamente interrompida por um arrepio que passou pela espinha deles. Simplesmente por conta daquelas duas palavras que foram proferidas em um tom baixo e frio, vindas da plataforma.
“Uh-oh…” Dheera mordeu o lábio, segurando a manga de Nadine nervosamente. “Irmã, acho que o Capitão está irritado.”
Confusa, Nadine perguntou o que aconteceu. Pela explicação de Dheera, parecia que Zein estava incomodado com o que o terceiro palestrante estava falando. O tópico sobre o qual o terceiro palestrante falava, acabou sendo sua visão de que ainda havia muitos guias agindo de forma submissa com os espers. Isso, ele argumentava, era o que fazia com que os espers ainda pensassem que podiam pisar em cima dos guias.
Zein ainda não havia se irritado neste ponto, embora Dheera tenha pego os olhos azuis rolando em exasperação enquanto o palestrante usava Zein como um exemplo de como guias poderiam ser respeitados no mundo dos espers. O que acendeu o pavio, no entanto, foi quando o palestrante usou o nome de alguém como o exemplo ‘ruim’ de um guia submisso que arruinava a imagem deles.
O palestrante mencionou Xue Ren.
“Ah, droga!” Nadine sussurrou. Zein poderia conhecer Ren apenas por um dia – não, algumas horas. Mas pelo modo como Zein falava carinhosamente do homem durante o café da manhã, ela sabia que o Capitão tinha uma afinidade pelo guia de Azure. “Alice–”
“Por quê? Deixe ele em paz. A Mestra da Guilda disse que o Chefe pode fazer o que quiser em relação aos guias,” a assistente deu de ombros, e continuou a observar Zein com um sorriso sutil no rosto. Nadine até suspeitou que ela estava gostando imensamente disso.
E, para ser honesta, ela também estava.
Zein raramente mostrava suas emoções de forma tão explícita em público. Então ele deve ter ficado verdadeiramente furioso. E… não era como se ela concordasse com a moção do palestrante também.
“Você realmente conversou com ele?” a voz baixa e fria retomou, olhos azuis encarando penetrantemente o palestrante. “Você sabe o que ele realmente está pensando? Você sabe como os espers dele o tratam? Você sabe o que o levou a essa condição?”
O palestrante, seja pelo choque ou por não ter resposta, apenas abriu a boca sem fazer nenhum som, apenas gaguejando “Uhh…umm…” enquanto seguravam o microfone firmemente, como se fosse sua tábua de salvação.
“Você menospreza outros guias com deduções superficiais sem sequer uma pesquisa apropriada?” Zein inclinou a cabeça. Sua voz ainda estava baixa, mas seu tom agora estava cheio de escárnio ostensivo. “Então você me diz que está lutando pela igualdade? Quando você nem mesmo trata outros guias de forma igual?”
“Is-isso é…”
O palestrante tentou responder, mas acabou apenas resmungando de forma incoerente, então Zein não perdeu tempo para falar ainda mais. “Por que você não corrige primeiro sua própria mentalidade? Certo – por que você não desce para a zona vermelha ou o submundo?” Zein deu uma risada zombeteira – um riso debochado que soava tão arrepiante e amargo. “Veja como os guias são tratados lá, por que não faz isso? Veja que tipo de vida e mentalidade um guia que foi abusado tem!”
Ao tom crescente no final, até Dheera e Nadine sentiram seus corações tremerem. Eles também não faziam ideia de que tipo de abuso o guia da zona final experimentava; que tipo de situação seu Capitão estava durante seus primeiros anos. Sabendo de onde Zein veio, as palavras pareciam mais dolorosas. Era algo que vinha da própria realidade de Zein, então eles nem mesmo poderiam duvidar da emoção contida por trás de cada som amargo.
Curiosamente, os guias da Celestia na verdade estremeceram com isso. Sua mesa estava a mais distante da de Trinity – provavelmente um arranjo deliberado dos organizadores – mas Nadine jurou que sentiu eles encolhendo um pouco, abaixando o olhar e encarando fixamente a mesa.
Se ela pudesse ver melhor, talvez conseguisse notar que os olhos deles começaram a avermelhar.
“Faça isso, e talvez comece a entender por que alguns guias não conseguem deixar de ser submissos, por que eles têm tanto medo de se expressar,” Zein continuou, seus olhos agora varrendo a sala em vez de focar no palestrante, que já tinha se tornado uma estátua apavorada.
Ele não estava apenas falando sobre os guias com condições extremas como ele ou Ren. Ele falava sobre todos aqueles que foram forçados a se calar porque não tinham poder de voz. Porque estavam em uma situação tão opressiva que ninguém estava disposto a acreditar, simplesmente porque eles ‘pareciam’ que estavam ‘apenas bem’.
Sim, como aqueles guias da Celestia.
“Você quer igualdade?” ele zombou e levantou-se, a figura alta parecendo ainda mais imponente com o jeito que seus olhos azuis escureciam em fúria contida. “Então mude a condição que faz com que os guias se sintam como seres inferiores.”
O brilho nos olhos azuis era como estalactites; afiado e congelante. Não havia ninguém contra-argumentando, ninguém gritando em protesto. Até o moderador, que deveria controlar a situação, apenas encarava o guia alto com os lábios entreabertos e os olhos arregalados.
“Diga àqueles no Templo para resgatar os guias necessitados, não apenas esperar por alguém bater à porta,” Zein caminhou até a beira do palco, sua voz reverberando claramente mesmo sem a ajuda de um microfone.
Uma voz que claramente continha desdém e decepção.
“Porque esses guias…” ele fez uma pausa, queixo cerrado e olhos brilhando em fúria gélida. “Esses guias nem conseguem sair pela porta de seu cativeiro!”
Até mesmo para Dheera e Nadine, era a primeira vez que viam Zein tão irado e elevando a sua voz. Eles ainda se sentiam fascinados enquanto apressadamente seguiam Zein que deixava a sala com passos longos e furiosos.
“Bem, é bom que o Capitão tenha dado sua apresentação primeiro, certo?” Dheera sussurrou no salão silencioso enquanto voltavam para o lounge.