MIMADA PELOS MEUS TRÊS IRMÃOS: O RETORNO DA HERDEIRA ESQUECIDA - Capítulo 451
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451: Um coelho entre os lobos 451: Um coelho entre os lobos [TEMPO PRESENTE]
Atlas despertou de sobressalto, suprimindo uma memória que ele desesperadamente queria evitar. “Foi por pouco.” Seu corpo ficou tenso e um respirar superficial escapou por suas narinas.
No mesmo momento, ele notou uma figura se acomodando no assento à sua frente. As linhas entre suas sobrancelhas se aprofundaram enquanto ele erguia o olhar para encontrar o par de olhos escuros do homem.
Atlas se endireitou. “Sr. Pierson.”
“Sr. Atlas Bennet,” Zoren respondeu calmamente. “Espero que não se importe; tomei a liberdade de sentar.”
“Tudo bem. Obrigado por aceitar meu convite em tão curto prazo.”
“Não há necessidade de agradecimentos. Estou apenas contente de não ter tido que esperar muito,” Zoren deu uma pausa, erguendo as sobrancelhas. “…e a pontualidade da sua ligação foi impecável.”
Impecável pontualidade…
Atlas estudou a expressão de Zoren, perguntando-se se o estado embriagado de Penny tinha algo a ver com o comentário dele. Embora Zoren ainda parecesse mais pálido que a maioria, ele não parecia tão esgotado quanto na vez em que foi buscar Penny para o primeiro encontro deles.
“Noite passada…” Atlas fez uma pausa, analisando cada mudança sutil na expressão de Zoren. O leve erguer da sobrancelha de Zoren indicou que algo realmente acontecera na noite anterior. “…minha irmã… por acaso te viu?”
Zoren hesitou, como se ponderasse o tom da pergunta de Atlas. Havia um cuidado, um traço de relutância, algo que Atlas raramente mostrava a menos que fosse compelido por uma poderosa razão.
“Sim.” Zoren assentiu. “Ela… viu.”
Mesmo Zoren notou uma semelhante hesitação em sua própria voz. Talvez porque não quisesse revelar o que Penny havia feito a ele na noite anterior.
‘Espere aí,’ Zoren franziu levemente a testa. ‘Ele também estaria guardando uma memória que não quer compartilhar?’
Zoren duvidou que a memória de Atlas fosse remotamente semelhante à sua—certamente não o tipo que envolvia ser deixado na mão, já que eram irmãos—mas ele sentiu o peso de um trauma não dito no passado de Atlas. Os homens de Zoren provavelmente simpatizariam com ele.
“Entendo…” Atlas murmurou, assentindo devagar.
O silêncio se estendeu entre eles por vários minutos longos. Nenhum parecia inclinado a quebrá-lo, incertos sobre o que dizer. Foi Atlas quem eventualmente falou novamente.
“Você está bem?” ele perguntou, com um sorriso forçado.
Zoren ofereceu um sorriso leve em troca. “Graças a Deus.”
“Hah…” Atlas deu uma risadinha leve, coçando a têmpora com um dedo. “Suponho que isso seja uma boa notícia.”
“É… embora meus homens possam discordar,” Zoren respondeu, arqueando as sobrancelhas, dando uma pausa. “Eles tiveram uma experiência e tanto ontem à noite.”
Nesse momento, a expressão de Atlas se tornou mais séria. “Foi… tão ruim assim?”
“Não tão ruim quanto se pode imaginar, dado o trabalho deles. Mas definitivamente não era algo para o qual estivessem preparados.”
“Entendo.” O sorriso forçado de Atlas vacilou, imaginando o caos pelo qual Zoren havia passado.
“E você?” Zoren perguntou. “Você está bem?”
“Graças a Deus, sim,” respondeu Atlas rapidamente, antes que outro silêncio pesado caísse entre eles.
Justo então, o chá deles chegou. Ambos levantaram suas xícaras em uníssono, deram um gole, e as colocaram para baixo ao mesmo tempo, suspirando simultaneamente, trocando olhares divertidos um com o outro.
“Ela não deveria beber da próxima vez,” disseram em uníssono, antes que outro silêncio—desta vez mais leve—se instalasse sobre eles.
Trocaram olhares, depois riram.
“Ela não deveria nunca mais beber,” disse Atlas quando a risada diminuiu, e Zoren concordou com um aceno de cabeça.
“Não poderia concordar mais.”
“Não era assim que eu imaginava nosso primeiro encontro,” Atlas comentou.
“É recíproco, Sr. Bennet.”
“Atlas,” ele corrigiu. “Parece justo permitir que você me chame pelo meu nome depois de tudo isso.”
Havia uma camaradagem não dita se formando entre eles, nascida das experiências compartilhadas com as palhaçadas de Penny bêbada. Atlas não planejava se aprofundar nos detalhes de seu próprio passado, mas suspeitava que Zoren abrigava suas próprias histórias—histórias que nenhum deles desejava revisitar. Havia agora uma compreensão silenciosa entre eles.
“Você não me deve nada, Atlas,” Zoren respondeu com um sorriso sutil. “Embora eu suponha que construímos um bom relacionamento de uma maneira… incomum. Fique à vontade para me chamar de Zoren, se não se importar.”
“Nós construímos.” Atlas alcançou sua xícara, balançando a cabeça levemente. “Se tivesse sido ontem à noite, estaríamos compartilhando um copo de Scotch em vez disso.”
Zoren riu, pegando sua xícara novamente. “Com certeza.”
“Eu tentei ficar de olho nela, mas acabei cochilando,” Atlas admitiu, omitindo alguns detalhes. “De certa forma, me sinto responsável.”
“Mesmo que você não tivesse, estou certo de que ela teria encontrado uma maneira de sair escondida,” Zoren respondeu, oferecendo um sorriso. “Sem ofensa.”
“Nenhuma ofensa.” Ainda assim, me desculpo pelo problema que ela causou a você.”
“Problema ou não, aceitaria qualquer coisa que ela jogasse em meu caminho. Zoren sorriu tranquilizadoramente. “Agradeço pela desculpa, mas não era necessário. Você é basicamente meu irmão mais velho, afinal.”
Atlas arqueou uma sobrancelha para ele, com a cabeça levemente inclinada. Zoren, ainda sorrindo, parecia angelical, como se não pudesse machucar nem uma mosca.
‘Sinceramente, não achei que fosse gostar dele,’ Atlas refletiu. ‘Mas ele é surpreendentemente razoável… e educado.’
Zoren não era exagerado em sua educação, mas havia um respeito palpável em seu tom. Considerando o status de Zoren como líder da família mais influente de Anteca, poderia-se esperar arrogância ou um complexo de superioridade.
Surpreendentemente, Zoren era humilde e fácil de conversar—respeitoso, até.
Atlas permitiu-se um pequeno sorriso enquanto seus ombros relaxavam. Ele se recostou ligeiramente. “Eu disse a mim mesmo que o convite dourado não era um suborno ou uma ponte para discutir sobre minha irmã. E ainda acredito nisso. Mas já que estamos aqui, talvez eu devesse aproveitar para conhecer melhor o homem que teve a coragem de namorar a única filha de Charles Bennet.”
“Obrigado pela oportunidade, Atlas.”
Atlas sorriu, aos poucos deixando de lado a memória sombria que o assombrou por cinco anos, concentrando-se em vez disso no presente.
—
[Cinco anos atrás]
A música alta arrastou Atlas para fora do inconsciente. Uma dor aguda pulsava em seu nariz. Suas sobrancelhas se franziram enquanto seus olhos piscavam abertos, absorvendo as luzes coloridas e o baixo pesado reverberando ao seu redor. Sua visão clareou lentamente.
Quando a plena consciência retornou, seus olhos se arregalaram de horror. Ele estava em um bar—um bar gay—e no palco, trancado numa jaula, vestido apenas com uma fantasia escandalosa de coelhinha. Ele era como um inocente coelho branco cercado por lobos.