MIMADA PELOS MEUS TRÊS IRMÃOS: O RETORNO DA HERDEIRA ESQUECIDA - Capítulo 1595
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Capítulo 1595: Você não está sozinha nisso
[Instalação Correcional de Anteca]
Não era como se Cassandra tivesse grandes expectativas. Não era como se ela não soubesse que as preocupações de seu pai eram genuínas. Ele poderia ser submisso ao avô dela, mas Cassandra era sua filha — sua carne e sangue.
Mas ainda assim… na família Smith, apenas as palavras do Senador Smith importavam.
Ele era o único com poder real e conexões. Seus pais e todos os outros? Eles apenas dependiam da influência do senador. Sem isso, eles não eram nada.
Ela costumava achar que isso era normal. Mas à medida que crescia — especialmente agora, nesta situação — ela detestava isso. Ela não conseguia deixar de se sentir patética. Seus pais eram patéticos. E ela também.
“Ei, rostinho bonito! Pare de soluçar ou eu vou te calar!”
Cassandra sobressaltou-se com o grito de outra detenta em uma cela próxima.
“Alguém está tentando cochilar aqui!” outra gritou. “Cala a boca!”
“Se eu ouvir outro suspiro, eu vou te matar, vadia!” uma terceira disparou.
Cassandra colocou a mão sobre a boca, abafando os soluços. Ela se encolheu no canto da beliche, lágrimas agora fluindo mais livremente.
As mulheres aqui não eram amigáveis. Logo no primeiro dia, alguém já tinha avisado para não ser uma incômoda. Caso contrário, ela “iria ver”. Ela não queria saber o que “ver” significava, então tentou ser o mais silenciosa possível. Mesmo assim, ela entendia que o silêncio só lhe compraria um pouco de tempo antes de se tornar alvo de alguém.
E ela tinha certeza disso.
Deus…
Ela estremeceu, fechando os olhos enquanto seus ombros tremiam. Ela não sobreviveria a este lugar.
Ela não sabia, mas em sua primeira vida, Penny tinha dito a si mesma a mesma coisa — até que as surras se tornaram demais. A diferença era que Cassandra não tinha um irmão para agradar. Ela nunca foi obrigada a praticar artes marciais ou revidar. Então, suas chances de sobreviver eram pequenas.
Enquanto mantinha sua miséria para si mesma, uma voz aguda soou de uma oficial feminina.
“Você tem outra visita.” A oficial bateu nas barras com seu cassetete. “Levante-se.”
BUZZ!
Cassandra abriu os olhos com o zumbido forte da porta da cela. Como de costume, a oficial entrou e repetiu, “Levante-se.”
“Quem é…? ” Cassandra murmurou, apenas para receber um olhar frio da oficial. Ela engoliu em seco e assentiu antes de descer da cama.
Ela virou as costas para a oficial, permitindo-se ser algemada. Visitas significavam passar por vários pontos de checagem. Ela já tinha feito essa rotina antes — e lá estava ela de novo.
Ela perguntou quem era o visitante no caminho, mas a oficial a ignorou.
Neste lugar, as detentas não eram as únicas assustadoras — as oficiais também eram. Compaixão não era esperada quando estavam lidando com os criminosos mais perigosos do país. E aparentemente, Cassandra agora era considerada uma delas.
BUZZ!
Outro zumbido alto ecoou. Ela estava começando a se acostumar com esses sons mecânicos e agudos. A porta do gabinete de visitas se abriu.
Entrando, Cassandra viu Kiara se levantar de seu assento, com a mão pressionada contra o vidro.
Ver sua amiga fez um nó se formar em sua garganta, seu pescoço se apertando. Mas Cassandra conteve as lágrimas enquanto a oficial trancava suas algemas na mesa.
“Quinze minutos,” disse a oficial, ficando no canto do gabinete.
Normalmente, prisioneiros como Cassandra tinham direito a uma visita por dia, três vezes por semana. Mas graças ao seu avô mexendo os pauzinhos, ela conseguiu mais.
“Cassy…” Kiara ofereceu um sorriso suave através do vidro, suas sobrancelhas franzindo ao notar o inchaço ao redor dos olhos de Cassandra.
Seus lábios se entreabriram, depois tremeram. Ela nem conseguiu perguntar se Cassandra estava bem—porque, claramente, ela não estava. Os próprios olhos de Kiara avermelharam enquanto ela engolia o nó em sua garganta.
Eram amigas há muito tempo. Cassandra podia ver como Kiara imediatamente segurava as lágrimas. E por alguma razão, esse esforço sutil a quebrou.
Suas lágrimas caíram.
“Se você chorar, eu vou chorar,” Kiara disparou, pressionando sua palma contra o vidro como se quisesse limpar as lágrimas de sua amiga. “Por favor, Cassy, não chore mais.”
Mas Cassandra não conseguiu se controlar.
E assim, pelos primeiros cinco minutos de sua visita de quinze minutos, as duas apenas sentaram ali, chorando.
“Meu recurso foi rejeitado de novo,” Cassandra finalmente sussurrou quando encontrou sua voz. Ela fungou forte. “Ki… Eu não acho que vou sair daqui.”
Kiara fungou também, tentando—e falhando—em forçar um sorriso. “Eles tentaram apelar novamente pela fiança?”
“Mhm.” Cassandra limpou as lágrimas com o ombro, já que suas mãos estavam algemadas. “Eu não vou sair. Eu não acho que algum dia vou—eu vou morrer.”
E assim, o medo a consumiu de novo.
Desde sua prisão, ela havia dito a si mesma que era inocente e que eventualmente seria libertada. Mas a cada dia que passava, a cada rejeição, essa crença murchava.
Se fosse condenada, morreria.
Se não fosse pela execução, então… ela poderia tirar sua própria vida.
“Shh… você não vai,” Kiara tranquilizou, entrando em pânico. Mas ela se sentia impotente. Uma única lâmina de vidro as separava, mas parecia uma barreira impossível.
Ela não podia abraçar sua amiga. Não podia sequer segurar sua mão. Tudo que podia fazer era pressionar sua palma contra a superfície fria e sentir dor.
“Cassy, me escuta,” Kiara sussurrou. Cassandra olhou para cima, sua visão embaçada pelas lágrimas que transbordavam de seus olhos. Kiara assentiu com a emoção apertando suas sobrancelhas. “Apenas… apenas tente o advogado que te falei. Por favor.”
“Kiara—”
“Cassy, seus recursos já foram rejeitados várias vezes. Seu advogado tentou te tirar sob fiança desde o início, e foi negado. Ele mandou um recurso. Ainda negado.” A voz de Kiara ficou firme, persuasiva.
“O que há a perder?”
Outra lágrima rolou por sua bochecha. Ela mordeu seu lábio interior em frustração. “Eu sei que você não confia nela, mas… você ainda confia em mim?”
Cassandra não respondeu.
“Se você confia, apenas encontre com ela uma vez,” Kiara implorou. “Se você ainda não estiver convencida, então… continuaremos procurando, ok?”
Cassandra permaneceu em silêncio, apenas olhando para a impotência do outro lado do vidro que espelhava a sua própria.
Ela não estava sozinha nisso.
Enquanto Kiara ainda estivesse lá, ela não poderia desistir. Ainda não.