MIMADA PELOS MEUS TRÊS IRMÃOS: O RETORNO DA HERDEIRA ESQUECIDA - Capítulo 1580
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Capítulo 1580: Enquanto me tirarem daqui… farei o que me pedirem.
Penny balançou a cabeça levemente, revirando os olhos. Nesse ponto, ela não tinha certeza com quem ficar frustrada—Patricia, ou ela mesma por não conseguir resistir à comida.
Em sua defesa, a Senhora Miller realmente cozinhava bem. Não exatamente no nível da Jessa, mas ainda assim era bom.
“Continuando…” ela murmurou, voltando sua atenção para os arquivos que Selvagem originalmente tinha vindo deixar.
Ela os alcançou, respirando fundo enquanto um lampejo de determinação acendia em seus olhos. Abrindo o arquivo, seu maxilar se apertou.
Lá dentro estavam os documentos detalhando o incidente envolvendo ela e Haines de muitos anos atrás.
Não era uma lembrança agradável. Penny se lembrou de algo quebrando dentro dela naquela época. Se não fosse pelo Anjo, ela provavelmente nem estaria aqui hoje.
Seu engolir ecoou em seus ouvidos enquanto olhava para o relatório policial antes de folhear a página. Logo, ela chegou em algumas fotos impressas—imagens de seus ferimentos, hematomas, e o desfecho daquele dia—tudo ali para lembrá-la da dor.
“E ainda de alguma forma sinto cada golpe que levei naquele dia,” ela sussurrou, folheando mais adiante.
As próximas fotos mostravam o local onde quase foram espancados até a morte. Sangue estava em toda parte—algum respingado, outro espalhado pelo chão. Mas a imagem mais angustiante era a poça de sangue onde Haines quase sangrou até a morte.
Em seguida, vieram imagens gráficas dos ferimentos de Haines. Uma foto mostrava um osso saindo de sua perna, resultado de tortura brutal. Os dedos de Penny passavam sobre ela, seu estômago se revirando, sua respiração ficando pesada. A próxima foto mostrava como sua perna havia ficado preta após ser levada às pressas para o hospital para atendimento de emergência.
Havia também fotos dos rostos de ambos—inchados e quase irreconhecíveis.
Se Penny tivesse que descrever, era o inferno.
Não é de se admirar que Selvagem tenha ficado descontente quando ela pediu esses arquivos.
Foi um momento horrível para todos os envolvidos—Selvagem, Anjo, Haines, Penny, e até mesmo Dean.
Qualquer um que visse isso se perguntaria: Como um ser humano é capaz disso?
“E pensar que eu já tive muitas brigas na prisão,” ela murmurou. “E meu rosto inchou assim também na minha primeira vida…”
No entanto, essa dor parecia diferente.
Penny soltou um sopro abrupto e fechou o arquivo. Seu olhar estava afiado com determinação. Ela não havia pedido isso apenas para reviver a dor. Ela precisava deles por uma razão.
Esses arquivos não eram para qualquer um ver — mas havia alguém para quem ela queria mostrá-los.
—
Algum tempo depois, na Anteca Correctional Facility…
Cassandra estava sentada silenciosamente na sala enquanto os outros falavam. Com ela estavam seu avô, pai, e advogada. Diferente de sua última visita com Kiara, onde as duas estavam separadas por um vidro, essas pessoas foram autorizadas a ter acesso total para uma discussão privada sobre sua “estratégia”.
“Vou entrar com outro recurso amanhã,” disse a advogada, finalmente olhando para Cassandra. “Desta vez, tenho certeza de que será aceito.”
O Senador Smith assentiu. “Uma vez que você sair, espere emboscadas de mídia do lado de fora do tribunal. Apenas lembre-se de dizer o que discutimos.”
Cassandra apertou os lábios em uma linha fina, levantando seus olhos sem vida para eles. Ela não falou—porque não sabia mais o que dizer.
“Cassandra.” Seu pai estendeu a mão e segurou a dela, oferecendo um sorriso gentil. “Eu sei que tem sido difícil aqui, mas confie em nós. Estamos fazendo tudo o que podemos para tirá-la daqui.”
“Isso mesmo, Senhorita Cassandra,” a advogada interveio. “O Senador e seu pai têm entrado em contato com todos que podem ajudar. Tenho certeza de que logo dará frutos.”
Cassandra estudou suas expressões.
Como ela poderia esquecer que parte de sua vida antes disso foi passada estudando pessoas—seus pensamentos, linguagem corporal, e as verdades sutis escondidas em suas mentiras?
Ao contrário de Kiara, que tinha visitado mais cedo hoje, essas pessoas não carregavam nem uma pitada do desespero que Kiara tinha em seus olhos. Nem mesmo a menor exaustão de Kiara, que ela tentava esconder… e a impotência em sua voz.
Eu não esperava que perdessem o sono por mim, ela pensou, analisando seus rostos. Mas eles realmente parecem estar dormindo bem. Muito bem.
Cassandra quase riu, mas não conseguiu.
“Você apenas precisa que eu diga…” ela murmurou, engolindo a tensão em sua garganta, “…que sou inocente, e que isso é apenas uma campanha difamatória contra o senador?”
“Sim,” o advogado respondeu com um aceno. “Pode não mudar tudo, mas ajudará a influenciar a opinião pública.”
“Influenciá-los como?” ela perguntou suavemente. “A opinião deles sobre mim, ou a opinião deles sobre a campanha dele?”
Seguiu-se um longo e tenso silêncio. O Senador Smith franziu a testa, claramente insatisfeito com a pergunta dela.
“Cassandra, não se esqueça—você cortou laços conosco antes de sua prisão,” ele disse firmemente. “Não precisávamos fazer nada disso. Mas porque você é da família, estamos fazendo.”
O Senhor Smith, pai de Cassandra, parecia nervoso. “Pai, Cassandra está apenas cansada. É estressante aqui. Tenho certeza de que ela não quis dizer isso dessa forma.”
Na verdade, ela queria obter respostas, mas escolheu permanecer calada.
“Cassandra, apenas faça o que o advogado diz, hmm?” seu pai disse gentilmente, apertando sua mão e acenando com a cabeça. “Estamos apelando novamente. Se funcionar, você será libertada.”
Cassandra pressionou os lábios juntos e olhou novamente para seus rostos. Então, ela acenou com a cabeça—só para acabar logo com isso.
Não é como se ela tivesse escolha.
—
O trio ficou para discutir mais estratégias, mas Cassandra sentiu-se se afastando. As vozes deles ficaram distantes, e antes que percebesse, ela estava de volta à sua cela, o zumbido da instalação soando em seus ouvidos enquanto as barras se fechavam.
Deitada em sua cama, Cassandra fitava o teto. Não era tão tarde ainda—provavelmente na hora do jantar—ainda assim, o tempo funcionava de forma diferente ali. Sem janelas, eles dependiam das luzes além das barras para saber a hora.
Amanhã, talvez ela ouvisse boas notícias. Talvez fosse liberada. Mas em algum lugar no fundo, ela não sentia alegria. Nada para esperar.
Contanto que me tirem daqui… Farei o que eles disserem.
Com esse pensamento, ela fechou os olhos e se agarrou à última esperança que tinha. Se a apelação fosse novamente rejeitada… ela não sabia o que faria.
Ela não havia pensado tão longe.
E assim, Cassandra passou mais uma noite nesta pequena, fedorenta cela.
****
[Casa dos Miller]
“Estou em casa!” Patricia chamou, um anúncio habitual ao entrar pela porta da frente. O aroma familiar de casa imediatamente a recebeu, o cheiro da comida de sua mãe vindo da cozinha e trazendo um sorriso ao seu rosto.
“Senhorita Patricia, deixe-me pegar sua bolsa.”
Uma empregada idosa de repente aproximou-se do lado, estendendo a mão para pegar a bolsa de Patricia. Por hábito, Patricia entregou-a—então parou, virando-se para olhar melhor a mulher.
Hã?
Ela piscou uma vez, depois novamente, instintivamente puxando a bolsa de volta antes que a ajudante pudesse pegá-la. O movimento abrupto fez a mulher mais velha olhar para cima, surpresa.
“Senhorita Patricia?” a empregada perguntou, confusa. Patricia inclinou ligeiramente a cabeça.
“Eu não a vi antes,” ela disse lentamente. “Você é nova?”
A empregada ofereceu um leve sorriso. “Não, eu costumava vir de acordo com um cronograma como parte da equipe de limpeza. Mas a Senhora recentemente me contratou para ficar em tempo integral, já que a casa tem estado com falta de ajuda.”
“Oh.”
“Por favor, deixe-me pegar sua bolsa. A Senhora está na cozinha.”
“Certo.” Patricia acenou com a cabeça e entregou sua bolsa, apesar de seus olhos permanecerem na mulher enquanto ela caminhava em direção à sala de estar.
Seu olhar estreitou-se ligeiramente, sua cabeça inclinando-se novamente.
Por que ela se parece com aquela mulher na foto no escritório da Penny? Só um pouco mais velha e abatida?