MIMADA PELOS MEUS TRÊS IRMÃOS: O RETORNO DA HERDEIRA ESQUECIDA - Capítulo 1568
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Capítulo 1568: Consolo
Trabalhar no laboratório sem qualquer equilíbrio entre vida pessoal e profissional era exaustivo. A demanda por prazos e resultados era entorpecente, e ser conhecida como a pesquisadora confiável que sempre entregava tinha seus próprios fardos.
No entanto, não era tudo tão ruim.
Havia momentos em que Penny se sentia viva—quando finalmente resolvia algo em que vinha trabalhando há meses. Momentos de satisfação silenciosa quando conseguia responder até mesmo uma pergunta entre os milhões no mundo. Ocasiões em que era recompensada por um trabalho bem-feito.
Ainda assim, a tristeza, a solidão, o entorpecimento que sentia ao trabalhar naquele mesmo laboratório eram muitas vezes avassaladores demais para que ela sequer quisesse pisar ali. Mas ela ainda o fazia—apesar do quão enjoativo parecia—por um simples motivo: fechar aquele capítulo de sua vida.
Penny nunca planejara voltar a esse laboratório como adulta. Nem mesmo para uma visita. Ela sempre poderia abordar o Professor Singh em seu escritório, se necessário.
Mas, por questão de proteção, teve que engolir qualquer amargura restante e passar horas no mesmo lugar que uma vez a sufocou.
Desta vez, porém, não parecia tão solitário quanto costumava ser.
Não com Zoren lá para ajudá-la a curar-se.
E ele talvez nem imaginasse o quanto isso significava para ela.
***
[TEMPO PRESENTE]
“Ai…” Penny sibilou ao se cortar levemente com papel. De alguma forma, havia evitado acidentes enquanto limpava os cacos ao redor do laboratório, apenas para se machucar ao pegar um livro casualmente.
“Aguenta um pouco, meu amor,” Zoren sussurrou enquanto passava álcool cuidadosamente na pequena ferida. Era apenas um corte de papel, mas ele parecia um neurocirurgião realizando uma operação delicada.
Ele foi cuidadoso, franzindo a testa a cada pequeno movimento dela. Deu um último toque suave com a ponta de um algodão. Uma vez feito, pegou rapidamente um adesivo e envolveu ao redor do dedo dela.
Penny pressionou os lábios, os olhos não saíam dele.
É apenas um corte de papel. Já tive piores.
Seus lábios se curvaram levemente, seu olhar suavizando. Ela poderia facilmente ter ignorado—suas mãos ainda estavam de alguma forma entorpecidas para a dor. Talvez fosse psicológico, mas sempre notou que as lesões nas mãos não a incomodavam muito.
Mas vê-lo agir como se doesse mais nele… era estranhamente confortante.
Era egoísta, mas momentos assim a faziam querer ser egoísta.
“Está tudo pronto,” ele sussurrou, colocando um beijo suave na mão dela antes de encontrar seus olhos. “Deixe-me saber se doer mais.”
Penny não respondeu. Ela apenas o olhou fixamente. Seus lábios se entreabriram, mas eles tremeram levemente. Os cantos de seus olhos ardiam, um sinal de vermelhidão surgindo.
Ver a umidade se acumular nos olhos dela o alarmou. “Ainda está doendo?” ele perguntou, em pânico, olhando para o dedo dela para verificar se havia feito algo errado.
“Não é isso,” ela riu, fungando ao segurar as lágrimas. “Você é apenas… muito fofo, Renren. É só um corte de papel.”
“Para mim não é só isso,” ele respondeu, a preocupação ainda evidente em seus olhos. “Se você não se preocupar com os cortes pequenos, como vai lidar com os grandes?”
Ela deu de ombros, oferecendo um sorriso suave.
Talvez seja exatamente isso, ela pensou. Peças pequenas muitas vezes passam despercebidas, assim como as grandes. Esse era o hábito que havia adquirido.
“Chega por hoje,” Zoren disse firmemente. “Você já ficou aqui tempo suficiente. É hora de ir para casa e descansar.”
Seu sobrolho levantou-se, um sinal claro de que não iria ceder. “Você descobrirá o antídoto, eventualmente. Não estamos sem tempo e ninguém vai ser envenenado—não enquanto eu estiver aqui.”
“Então, vamos encerrar o dia—” ele parou enquanto Penny gentilmente encostava a cabeça no ombro dele. Seu rosto franzido se aprofundou. “Você não vai me convencer com gentilezas, Penelope.”
“Eu não estou,” ela riu, envolvendo os braços ao redor dele e descansando a cabeça mais confortavelmente. “Apenas… pensando que vou descansar um pouco antes de irmos. Só isso.”
Ela lentamente fechou os olhos, deixando o calor, o cheiro e a presença dele se infiltrarem.
“Deixe-nos ficar assim por mais um tempo,” ela murmurou. “Console-me mais. Eu gosto disso.”
Ele suspirou em derrota, seus braços subindo para abraçá-la enquanto ele descansava a cabeça sobre a dela.
“Você realmente precisa desse antídoto?”
“Depende,” ela sussurrou. “Mas isso me daria paz de espírito.”
“Você tem que fazer isso aqui? Eu posso construir um novo laboratório para você… algo vibrante, algo que não cheire a passado.”
Ela riu suavemente, levantando a cabeça até que seu queixo descansasse no ombro dele. “Não estou planejando ficar em nenhum laboratório por muito tempo. Não preciso de um novo.”
“Você não quer desperdiçar dinheiro,” ele disse, conhecendo-a bem. “Mas eu não me importo. Uma vez que você terminar com isso, eu apenas pedirei a alguém para demolir.”
“Deve ser bom ser rico.”
“Você se casou com um rico,” ele sorriu, levantando as sobrancelhas. “Use-o para seu coração se contentar.”
Ela riu novamente, observando como ele estava sério sobre tudo aquilo.
“Eu vou,” ela murmurou. “Mas não este.”
“Por que não?”
“Porque… estar aqui com você faz sentir diferente. Melhor.”
Ela poderia ter dito muito mais. Sobre como a presença dele — seus pequenos gestos carinhosos — a consolavam de uma maneira que palavras nunca conseguiam. Porque mesmo que ela estivesse de volta ao mesmo lugar, não era mais o mesmo.
Naquela época, ninguém se importava se ela se machucasse, contanto que entregasse e cumprisse um prazo. Mas agora? Mesmo que ela não alcançasse nada, ela sabia que Zoren faria tudo o que pudesse para compensar isso.
Por um momento, eles simplesmente se encararam.
Então ele notou uma lágrima descendo por sua bochecha. Ele a limpou suavemente com o polegar, seus olhos suaves com amargura e arrependimento.
“Esse lugar… era tão triste assim?” ele perguntou suavemente.
“Muito,” ela sussurrou com um sorriso agridoce. “Mas não é mais.”
Não era mais isolante agora. Não era sufocante.
Mesmo que ela ainda não tenha conseguido fazer o antídoto, seu coração estava cheio. E ela se sentiu consolada, algo que nunca pensou que precisava.
“Eu… vamos ficar juntos para sempre, Renren,” ela murmurou, seus olhos encontrando os dele.
Zoren abaixou a cabeça até que suas testas se tocassem.
“Claro,” ele respirou. “Hoje, amanhã, e pelos próximos cem — dez milhões de vidas. Não haverá uma única vida em que eu não estarei com você.”
Quando ele se afastou ligeiramente, seu olhar se prendeu ao dela.
Ela não sabia se aquela promessa se tornaria realidade.
Mas Zoren?
Ele quis dizer cada palavra.
Ele pode não ter feito parte da primeira vida dela — não da maneira que ele queria — mas ele estava nesta. E em todas as próximas vidas que ela teria. Mesmo se ela voltasse como um sapo, ele voltaria como um sapo também… só para poder amá-la novamente.