MIMADA PELOS MEUS TRÊS IRMÃOS: O RETORNO DA HERDEIRA ESQUECIDA - Capítulo 1562
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Capítulo 1562: Anime-se
“Hugo, o que é que você quer falar?” Graça perguntou, seguindo-o para fora do estabelecimento.
Hugo inclinou a cabeça para trás, um sorriso brincalhão surgindo em seus lábios. “Graça, você não disse que me devia uma?”
“…,” ela arqueou uma sobrancelha, olhando para ele com desconfiança. “Por alguma razão, não sinto que te devo nada, considerando todos os jantares que você comeu nas minhas festas.”
“Vamos lá, Graça.” Hugo parou e a encarou. “Eu só quero que você ouça. É só isso. Cabe a você aceitar o caso ou não.”
Graça cruzou os braços, estudando o rosto dele. “Você só quer que eu ouça?”
“Sim.”
“E você não vai me incomodar se eu rejeitar?”
“Isso mesmo!”
“É melhor garantir, Hugo Bennet,” ela avisou. “Vou ouvir, mas não aceitarei só porque você pediu.”
Hugo assentiu, levantando a mão. “Eu prometo.”
“Certo.”
“Ótimo!” Sorrindo, ele retomou a caminhada e a conduziu até onde sua moto estava estacionada—e onde Kiara estava andando de um lado para o outro.
Enquanto se aproximavam, os olhos de Graça se estreitaram.
“É uma mulher,” ela sussurrou, olhando para Hugo, a curiosidade cintilando em seus olhos.
Era estranho para Hugo estar com uma mulher?
Dependia. Hugo, afinal, tratava todos como se o gênero não existisse em seu mundo.
Kiara, enquanto isso, estava andando nervosamente até notar duas figuras se aproximando. Ela se endireitou rapidamente, segurando o capacete com força enquanto seus olhos brevemente se voltaram para Hugo, depois mudaram para a elegante mulher ao lado dele.
Quando chegaram até ela, Graça semicerrava os olhos.
Por que ela parece familiar? ela se perguntou, dando uma olhada minuciosa em Kiara.
Kiara tinha um bob curto e ondulado, um moletom preto levemente largo que engolia sua figura pequena, e tênis gastos com arranhões nas laterais.
Graça inclinou a cabeça, estreitando os olhos para o rosto de Kiara.
“Ah…” ela assentiu antes que alguém pudesse falar.
Eu a vi não faz muito tempo.
Graça se lembrou do tribunal—o tribunal onde aconteceu a audiência de Cassandra. Graça era boa com rostos, especialmente em dias significativos como aquele.
Ele não vai me pedir para aceitar esse caso, vai?
Graça olhou para Hugo, que parecia alheio ao fato de que ela já tinha descoberto qual caso ele estava colocando-a. Mesmo assim, ela não disse nada.
“Kiara, esta é Graça—a melhor advogada corporativa de toda Anteca!” Hugo apresentou alegremente. “Graça, esta é Kiara. Eu não sei muito sobre ela, mas ela não se importa de ter sua comida roubada.”
Graça lançou-lhe um olhar neutro. Kiara, impassível, estendeu a mão com um sorriso educado. Mesmo se Graça se especializasse em direito corporativo, isso não significava que ela não pudesse aceitar outros casos.
“Olá, é um prazer conhecê-la. Eu sou Ki—”
“Só uma pergunta,” Graça interrompeu, cortando-a no meio da frase. “Por que eu aceitaria o caso?”
Kiara congelou, a mão ainda meio estendida. Hugo franziu a testa.
“Graça, você disse que ouviria,” ele a lembrou. “Você nem sabe de que caso ela quer falar.”
“O caso de Cassandra Smith,” Graça respondeu calmamente, silenciando tanto Kiara quanto Hugo. Seus olhos fixaram-se nos de Kiara, afiados e implacáveis. “Não é isso que você quer que eu aceite?”
Kiara franziu os lábios e assentiu. “Sim.”
“Então me diga,” Graça disse, com um tom desafiador. “Por que eu aceitaria um caso tão grande como este?”
Kiara não respondeu imediatamente. Ela estudou a presença imponente de Graça e soube instantaneamente—esta mulher não brincava de ser amigável.
Mas ela já tinha conversado com tantas pessoas. Seus pais mostraram indiferença. Outros, simpatia. Alguns estavam dispostos, mas as tarifas legais eram muito altas. Então, a franqueza de Graça não a surpreendeu.
Se é que alguma coisa, isso só mostrava o quão real ela era.
“Ela é inocente,” Kiara disse, firmando sua voz e encontrando o olhar de Graça.
“Você acha que isso basta?”
“Não é suficiente para alguém inocente lutar por justiça apenas com essa base?”
Um silêncio tenso caiu sobre elas. Hugo desviava os olhos entre as duas mulheres.
“Se pessoas culpadas encontram maneiras de andar livres apesar do dano que causaram,” Kiara continuou, cerrando as mãos em punhos, “por que os inocentes não podem ter a mesma coragem para lutar? Cassandra é inocente. O mundo pode dizer o contrário, mas eu sei que ela é. Ela tem falhas, claro. Mas tráfico de crianças? Isso é algo que ela nunca poderia fazer.”
Graça a encarou, notando o fogo na voz de Kiara—tão intenso que fez seus olhos brilharem com lágrimas não derramadas.
“Os Smiths são poderosos,” Graça disse, suavizando o tom. “Eles podem pagar advogados de ponta que se especializam nesses casos. Você não deveria ter que procurar por aí.”
“Eles não se importam.” A voz de Kiara vacilou. “Eu me importo. Eu acredito nela, não só porque ela é minha amiga, ou como uma irmã, mas porque eu sei que ela é inocente.”
Outro silêncio seguiu.
Kiara engoliu em seco, ainda mantendo os olhos fixos em Graça. Ela queria dizer mais, fazer seu pedido. Mas algo lhe dizia que isso seria exagero.
Graça suspirou baixinho, virou nos calcanhares e foi embora.
Hugo se animou. “Graça, você vai aceitar o caso ou não?”
Ela fez uma pausa e olhou por cima do ombro. “Eu vou pensar sobre isso.” Então ela se afastou sem mais uma palavra.
O coração de Kiara afundou. Ela abaixou a cabeça, mordendo o lábio inferior.
“Bem, eu acho que…” Hugo parou, notando o peso sobre os ombros delas. “Hã? O que há de errado com você?”
Kiara soltou uma risada amarga e encontrou seu olhar. “Obrigada por tentar.”
“De nada,” Hugo disse com um dar de ombros. “Mas por que você parece que o mundo acabou de acabar? Você não deveria estar feliz?”
Nesse ponto, ela não sabia se ele era apenas distraído ou deliberadamente denso.
“Não importa,” ela sussurrou, suspirando enquanto se encostava na motocicleta. “Eu fiz o meu melhor… Posso continuar tentando. Amanhã. Estou realmente cansada hoje.”
Hugo piscou. Então piscou de novo. “Ainda não entendo.”
“Puxa vida.” Ela revirou os olhos, lançando-lhe um olhar amargo. “Não é óbvio? Ela não vai aceitar o caso.”
“Quem disse isso?”
“Ela não precisava. Apenas dizendo que vai ‘pensar sobre isso’ já diz o suficiente.”
“Ahh…” Hugo riu e se encostou também em sua motocicleta, os olhos brilhando de diversão. “Ela quis dizer que precisa informar Penny primeiro.”
“Hã?”
“Ela é a pessoa jurídica de referência de Penny. E este caso é grande o suficiente para atrair seu foco. Ela terá que conversar com Penny primeiro.”
Kiara franziu a testa. “Como você sabe disso?”
“Ela reconheceu você,” Hugo disse, mexendo as sobrancelhas. “O que significa que você esteve na audiência de Cassandra. E se você estava lá, Graça também estava. É assim que ela conhece você. E o fato dela ter comparecido? Significa que o caso a intrigou. O suficiente para ela se sentar.”
Ele deu um tapinha nas costas dela. “Então, anime-se.”