MIMADA PELOS MEUS TRÊS IRMÃOS: O RETORNO DA HERDEIRA ESQUECIDA - Capítulo 1534
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Capítulo 1534: Isso não conta?
O trovão retumbou no céu enquanto a noite se aprofundava.
Gotas de água começaram a respingar nos ombros de Kiara, mas ela não se moveu um centímetro. Seus olhos permaneceram fixos na porta da frente fechada — tão longe, tão perto.
Quando Kiara deixou este lugar, jurou nunca mais pisar aqui novamente.
Então, quando ela voltou a Anteca, nem por um momento considerou visitar ou mesmo passar de carro por esta área. Deixar sua família e escolher a independência teve um custo. Nunca foi fácil. Partiu seu coração mais vezes do que podia contar. Ela teve que aprender a viver fora da concha isolada que sua família havia proporcionado.
Mas ironicamente, foi a melhor decisão que ela já tomou.
O dinheiro ainda estava apertado, mesmo com sua pequena empresa em crescimento. Mas ela estava livre. Sem mais grilhões, sem mais vida controlada pelas pessoas que a geraram — sem mais ser dita como sorrir, como agir, como falar, como seu cabelo deveria parecer, como respirar. Sem mais toxicidade sufocante que a fazia sentir-se mal.
No entanto, por Cassandra, Kiara engoliu tudo isso, apenas pela menor chance.
A chuva começou a cair mais forte.
Gotas de água grandes e pesadas ensoparam-na da cabeça aos pés, mas Kiara não se mexeu. Ela manteve os olhos fixos na mesma porta fechada, que não mostrava sinais de abrir.
“Vou continuar aqui,” ela sussurrou. “Porque não importa o quanto nos odiemos, ainda sou sua filha… e vocês foram meus pais.”
Suas mãos se fecharam em punhos, as unhas quase cravando nas palmas. E, como prometido, tão teimosa como sempre, ela ficou ali. Dez minutos. Quinze. Trinta. Uma hora. Duas.
Enquanto a chuva caía, trabalhadores começaram a aparecer, espiando da lateral da varanda. Até mesmo o segurança de antes ficou próximo sob um guarda-chuva, seu rosto marcado pela preocupação.
“Senhorita Kiara…” ele sussurrou, a voz carregada de emoção.
As empregadas que a observavam também ficaram com os olhos marejados.
“Senhorita Kiara, por favor… apenas vá embora,” uma sussurrou. “A Senhora e o Mestre já se recolheram para a noite.”
“Não adianta, Senhorita Kiara…” outra acrescentou com um suave soluço, enxugando os olhos. “Eles não vão descer.”
Porque, no final das contas, Kiara não era a única teimosa. Seus pais também eram, mas mais frios. Mais duros. Mais implacáveis.
Ficar na chuva torrencial não mudaria nada.
No entanto, Kiara não tinha planos de desistir.
Ela havia lutado com unhas e dentes para escapar desta família uma vez. Lutaria tão intensamente agora para chegar até eles.
—
No dia seguinte…
“Fique longe deste caso, ou eu juro que vou processar seu —”
Uma mulher de meia-idade congelou na entrada ao avistar uma figura familiar ainda de pé ao pé da varanda.
O homem ao lado dela, vestido com um elegante tuxedo, também diminuiu o passo. Suas sobrancelhas se franziram em uníssono ao avistarem Kiara.
Seu cabelo curto estava emaranhado e embolado, como se ainda estivesse úmido da noite anterior. Sua camisa estava amassada, suas bochechas pálidas. Embora o concreto ao seu redor tivesse secado, o local sob seus pés ainda guardava o fantasma da chuva da noite passada.
As expressões deles se tornaram sombrias.
“Saia do meu caso,” a mulher disparou novamente, lançando um olhar para seu marido antes de se dirigir ao carro.
O homem resmungou e desviou na direção oposta, caminhando em direção a outro veículo à espera. Os ajudantes que seguiam atrás deles trocaram olhares — do casal frio de coração à figura desgastada e tremendo de Kiara.
Então, enquanto seus pais passavam, Kiara finalmente falou.
“Você defende — e até faz amizade — com os animais mais brutais vestindo pele humana.”
A voz dela tremeu. Seus lábios estavam rachados, pálidos. Sua respiração estava superficial, febril. Seus olhos mantinham-se abaixados, olhando para o concreto.
“Sei que você ouviu as notícias,” disse ela, agora em um tom mais baixo. “Você pode, por favor… aceitar o caso?”
Seus pais pararam, lentamente se virando para ela.
Os olhos deles eram afiados. Frios. Mas nenhum disse uma palavra.
Eles podiam falar — mas não falariam.
Agora que ela havia perguntado, eles tinham ainda mais motivos para recusar.
Quando eles começaram a se afastar sem responder, a voz de Kiara se ergueu — alta e desesperada.
“Você pode, por favor?!” Ela se virou para eles, sua voz crua. “Só desta vez… você pode fazer uma coisa por mim?”
Sua mãe bufou, erguendo uma sobrancelha. “Por que? Você já fez alguma coisa por mim a ponto de eu te dever algo?”
E assim, ela se virou e entrou no carro prateado.
Seu pai nem sequer olhou para trás — apenas zombou e se afastou em silêncio.
“Eu já fiz alguma coisa por eles…?”
Kiara olhou para os carros enquanto eles se afastavam sem hesitação, seu lábio inferior tremendo. Suas mãos se fecharam em punhos que tremiam violentamente.
Ela ainda fazia terapia por causa do trauma que eles haviam causado a ela, e nunca uma vez incomodou-os com isso.
Isso não contava?
Todas as mentiras que ela contou quando criança para protegê-los — isso não contava?
Todos os horrores que ela testemunhou e o silêncio que manteve — isso não contava?
De todas as coisas que ela fez por eles até finalmente quebrar e partir… tudo isso era sem valor?
Ela não estava pedindo que defendessem um criminoso comprovado, nem um espancador de esposa ou um assassino ganancioso. Ela estava implorando para que defendessem alguém inocente.
Um riso seco e sem fôlego escapou de seus lábios rachados, os cantos de seus olhos vermelhos.
“Por que eu sequer esperava que havia a menor chance…”
“Senhorita Kiara…” a governanta, que havia esperado o casal sair, finalmente reuniu coragem para se aproximar dela. Ela examinou Kiara com olhos preocupados, um pouco chorosos. “Senhorita Kiara, que tal entrar primeiro e descansar? Sua mãe e pai não vão…”
Não ouvindo a oferta dela, Kiara arrastou os pés para se afastar.
“Senhorita Kiara…” a governanta seguiu, segurando o braço de Kiara para detê-la. Quando Kiara ergueu os olhos para encontrar os dela, ela sussurrou, “Por favor.”
Kiara franziu os lábios e ofereceu a ela um sorriso irônico. “Eu preferiria dormir na rua do que ficar mais um segundo aqui. Sinto muito, mas obrigada, Tia.”
Com isso, ela fraco retirou a mão da mulher de seu braço e seguiu em frente sem nunca olhar para trás. Desta vez, com certeza, seria a última vez que ela estaria aqui.
Nunca mais.
Mesmo que fosse morrer ou se o mundo acabasse, ela nunca mais colocaria os pés aqui, não importando o motivo. Porque hoje, estava claro como o dia que, seja o que for, eles nunca fariam nada pela filha que quase arruinaram.