MIMADA PELOS MEUS TRÊS IRMÃOS: O RETORNO DA HERDEIRA ESQUECIDA - Capítulo 1533
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Capítulo 1533: Até onde você iria por um amigo?
Cassandra sentou-se em uma sala, seus olhos ficando mais opacos quanto mais ela permanecia nesse lugar.
E pensar que fazia pouco mais de dois dias desde que foi presa. O que mais poderia suportar pelo resto do julgamento? Ela não suportava nem pensar nisso.
Foi então que a porta se abriu do outro lado.
Olhando para cima, lágrimas rapidamente surgiram em seus olhos.
“Cassy!” Kiara entrou apressada enquanto Cassandra se levantava de sua cadeira.
As duas garotas se abraçaram imediatamente, chorando suavemente enquanto se seguravam firmemente.
“Eu não fiz isso,” Cassandra sussurrou no ombro de Kiara, sua voz abafada e trêmula. “Eu não fiz—eu juro, Ki. Não fui eu.”
“Eu sei, eu sei,” Kiara fungou, afastando-se apenas o suficiente para olhar nos olhos dela. “Eu sei.”
Ela forçou um pequeno sorriso e acariciou as bochechas de Cassandra. “Eu acredito em você.”
Por alguma razão, ouvir essas palavras de sua amiga trouxe mais lágrimas aos olhos de Cassandra. Ela se derreteu no abraço de Kiara mais uma vez, agarrando a parte de trás da camisa dela tão fortemente que sua mão começou a tremer. Kiara esfregou suas costas, fazendo o possível para consolá-la em um momento de outra forma inconsolável.
Se nada disso tivesse acontecido, provavelmente estariam no telefone agora, conversando sobre a nova acomodação de Cassandra—ou qualquer outra coisa. Apenas dois dias atrás, nenhuma das duas poderia ter imaginado uma reviravolta tão súbita e trágica nos eventos.
Eventualmente, após chorarem até secarem as lágrimas, elas se sentaram. Kiara arrastou uma cadeira ao lado de Cassandra e as duas seguraram as mãos sobre a mesa, olhos fixos.
“Eu não sei, Ki,” Cassandra sussurrou desamparadamente, balançando a cabeça. “Está tudo—tudo embaçado. É como se eu estivesse sendo levada por uma correnteza, agarrando-me a um pedaço de madeira à deriva quebrado.”
Antes de Kiara chegar, Cassandra tinha acabado de falar com seu advogado e família.
“Tudo o que eles podem fazer é recorrer da decisão,” ela continuou na mesma voz ofegante. “Mas estou perdendo as esperanças, Ki. Eu nem sei por que isso está acontecendo comigo.”
Seria isso karma?
Karma por tudo o que ela tinha feito até o momento em que foi presa? Por machucar os outros só porque podia—só porque estava infeliz? A vida agora estava atirando um pedregulho nela para forçar uma reflexão?
Kiara soltou um suspiro pesado.
“Eu não quero ficar aqui mais um dia,” Cassandra acrescentou, o medo surgindo em seus olhos. “Estou com medo.”
“Eu sei.” O coração de Kiara doeu, mas não havia palavras que pudessem realmente aliviar a dor de sua amiga.
Nada que ela dissesse mudaria a realidade de onde estavam. Não era como se qualquer uma das duas tivesse imaginado que Cassandra estaria sentada em uma cela de prisão. Prisão nunca tinha feito parte do quadro.
“Vai ficar tudo bem,” disse Kiara gentilmente, tentando confortá-la. “Por favor… aguente, Cassy. Eu acredito que você é inocente, e… a verdade virá à tona.”
Cassandra pressionou os lábios juntos, as palavras de agradecimento pairando na ponta de sua língua. Mas ela não conseguia se forçar a dizê-las. Não agora. Ainda assim, seu coração doía de gratidão.
Uma amiga que acreditava nela.
Talvez isso já fosse o suficiente.
Nem mesmo sua própria família e advogado disseram a ela que acreditavam nela. Eles só falavam sobre como tirá-la disso porque estava manchando a reputação do avô dela.
Isso por si só fazia seu estômago revirar. Mas as palavras de Kiara lhe deram algo em que se agarrar.
“Eu vou tentar pedir ajuda também,” Kiara disse, oferecendo um sorriso incerto.
“Hã?” Cassandra franziu as sobrancelhas. “Para quem você vai pedir ajuda?”
A única resposta de Kiara foi um sorriso sutil e conhecedor.
“Kiara, não.” Cassandra balançou a cabeça. “Você não precisa pedir à sua família—”
“As pessoas dizem que eles são os melhores dos melhores,” Kiara interveio, apertando as mãos de Cassandra. “Talvez eles ajudem, talvez não—mas não há mal em tentar.”
A visão de Cassandra embaçou novamente enquanto outro nó se formava em sua garganta. Seus lábios tremiam, comprimindo-se em uma linha fina.
“Está tudo bem,” Kiara sussurrou suavemente. “Vai ficar tudo bem, Cassy.”
Ela limpou as lágrimas de Cassandra, ainda segurando-a perto. Não importava o quanto Kiara odiasse sua família — ou quão traumatizante fosse apenas pensar em voltar para aquele lugar — se isso pudesse dar a Cassandra ao menos um pequeno vislumbre de esperança, então valeria a pena.
—
Mais tarde…
Kiara parou em frente aos grandes portões da mansão, seus ombros se tensando enquanto prendia a respiração. O portão parecia tanto familiar quanto distante.
O trovão ressoou à distância. A noite parecia mais escura do que o habitual, mas ela não se assustou. Ela chutou o suporte da scooter e desceu, prendendo seu capacete. Uma luz repentina iluminou seu rosto.
Ela semicerrava os olhos contra o feixe.
“Senhorita, você não pode estacionar aqui. Isto é privado—” O segurança parou enquanto abaixava a lanterna. “Senhorita Kiara?!”
Kiara abriu os olhos lentamente, oferecendo um sorriso sutil.
“Senhorita Kiara! Oh, céus!” O segurança, um homem provavelmente na casa dos cinquenta, correu em sua direção. Seu rosto se iluminou tanto de surpresa quanto de alegria enquanto a olhava. “Senhorita Kiara, como—o quê—você está de volta!”
“Bem…” Kiara coçou a nuca, seu sorriso desajeitado. “Faz tempo, não é?”
“Faz! Você está voltando para casa? O lugar tem parecido tão vazio desde que você saiu!”
Ela duvidava disso.
Talvez alguns dos funcionários sentiram sua falta, mas certamente não sua família.
“Ahm, Tio…” Kiara limpou a garganta. “Eles estão em casa?”
“Você quer dizer a Senhora e o Mestre?”
“Mhm. Eles estão?”
“Oh sim, estão,” o guarda assentiu, gesticulando para que ela o seguisse. “Entre. Vou informar a governanta-chefe que você está aqui.”
Kiara franziu os lábios e o seguiu até a guarita, deixando sua scooter do lado de fora do portão — era mais seguro assim.
Enquanto esperava, ela observou o segurança falar ao telefone. A maneira como seu rosto mudou de esperançoso para arrependido já lhe contou tudo.
“Entendido,” ele disse antes de colocar o telefone gentilmente no gancho. Ele saiu, sua expressão conflituosa. “Senhorita Kiara… Liguei para a residência e—”
“Eles disseram para você me dizer para não entrar?” ela terminou por ele.
Ele pressionou os lábios em uma linha fina. “Sinto muito.”
Kiara lhe ofereceu um sorriso suave. “Está tudo bem, Tio. Obrigada por tentar.”
“Você vai… embora novamente, Senhorita Kiara?”
“Ainda não.”
Com isso, ela se virou e começou a andar em direção à mansão, mesmo sabendo que não era bem-vinda.
O velho segurança correu atrás dela. “Senhorita Kiara, eles não vão deixar você entrar, mesmo se tentar! Sua mãe e seu pai vão apenas—”
“Não vou entrar,” Kiara o interrompeu, virando-se para ele com um aceno calmo. Seus olhos ardiam com uma resolução silenciosa. “Não se preocupe, Tio. Eu não vou. Porque eu sei que, se eu entrar, você é quem estará em apuros.”
E com isso, ela continuou em direção à casa, parando apenas quando alcançou o degrau inferior que levava à varanda da mansão.