MIMADA PELOS MEUS TRÊS IRMÃOS: O RETORNO DA HERDEIRA ESQUECIDA - Capítulo 1457
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Capítulo 1457: Uma alma bondosa
Enquanto isso…
Uma lágrima rolou pelo rosto de Cassandra enquanto ela permanecia na varanda, secando-a com as costas da mão. Ela tentou conter seus soluços, criando uma fachada de força enquanto alcançava seu vinho e o bebia de um gole só. Mas, não importa o quanto bebesse, o vinho não era suficiente para afogar a tristeza em seu coração.
“Isso…” ela soluçou, segurando o copo de vinho firmemente.
Seu peito queimava de raiva, incitando-a a lançar o copo contra a parede. O estrépito agudo ecoou, mas não fez nada para aliviar a dor dentro dela. Ela chiou, apertando as mãos em punhos firmes até que suas unhas cravaram em suas palmas. No entanto, ao encarar os cacos de vidro no chão, ela só sentiu mais desespero.
“Por que…” Cassandra enterrou o rosto nas mãos, seus joelhos dobrando até que ela afundou no chão. Seus gritos contidos transformaram-se em soluços abafados, suas lágrimas escorrendo pelos braços.
Ela tentou se controlar, tentou não se desmoronar. Mas falhou. As lágrimas a traíram, aumentando antes de transbordar descontroladamente.
Por que tudo tinha que ser assim?
Meses atrás, sua vida não era nada assim. Ela estava feliz, despreocupada, vivendo sua melhor vida. Ela tinha saído com homens, mas nunca avançava além da fase de conhecimento. E mesmo quando esses casos terminavam, ela nunca chorava por eles. Por que choraria? Ela tinha opções infinitas.
Mesmo quando começou a sair com Jonathan, as coisas estavam boas. Eles eram felizes.
Mas desde que voltou para Anteca, tudo havia desmoronado. Ela lutou para manter as coisas juntas, para proteger o que era seu—apenas para ser golpeada pela realidade.
Nada era seu.
Jonathan? O homem com quem ela imaginou um futuro já havia começado a revelar seus motivos ocultos.
Dean? O homem que ela adorava na juventude finalmente lhe dera atenção, mas apenas quando isso servia a seus próprios interesses.
Finn? Sua relação havia se desintegrado.
E Penny? Penny a humilhou na frente de todos.
Como se isso não fosse suficiente, Zoren exercitou seu poder, expulsando-a do hospital. Pior ainda, sua licença médica foi suspensa.
Cassandra chorou silenciosamente, alheia à chuva de meteoros cruzando o céu atrás dela.
Então, uma voz suave interrompeu a noite.
“Cassy.”
De pé na entrada da varanda estava Kiara. Seus olhos suavizaram com preocupação enquanto ela se aproximava—apenas para pausar, contraindo-se ao olhar para baixo. Um fino fio de sangue manchava seu pé.
Kiara não fez alarde. Simplesmente se livrou do que havia cortado e continuou em direção a Cassandra. Sem uma palavra, ela se sentou na frente da amiga e a puxou para um abraço apertado.
No momento em que Cassandra sentiu seu calor, suas lágrimas fluíram como um rio.
Kiara não disse nada. Não fez perguntas. Não ofereceu falsas garantias. Apenas a segurou, esfregando círculos lentos e calmantes nas costas de Cassandra.
“Nada nunca dá certo para mim.”
Depois do que pareceu minutos, Cassandra finalmente quebrou o silêncio. Ela olhou para cima, seu corpo tremendo com soluços, sua visão embaçada. Segurando o braço de Kiara, ela soluçou.
“O que vou fazer?”
Kiara ofereceu um sorriso cansado e enxugou as lágrimas de Cassandra com as costas da mão.
“Eu não sei,” ela admitiu suavemente, dando de ombros. “Mas… tenho certeza de que você vai descobrir. Você sempre descobre.”
Ela acariciou o rosto de Cassandra, inclinando seu queixo levemente para cima. “Como sempre.”
Agora que Cassandra podia ver claramente Kiara, seu rosto se desmoronou. Ela se enterrou no ombro de Kiara, seus gritos transformando-se em soluços altos e irrestritos.
“Oh, Cassy,” Kiara suspirou, acariciando suas costas suavemente. “Estou tão feliz por ter vindo esta noite.”
Da última vez que Cassandra visitou, ela havia dito algo que permaneceu na mente de Kiara. Algo estranho. O suficiente para fazer Kiara vir verificar como ela estava. Mas quando chegou dias atrás, Cassandra não estava em casa.
Foi sorte que ela tentou novamente. Caso contrário, Cassandra estaria chorando sozinha.
“Está tudo bem,” Kiara sussurrou, olhando para o céu. “Vai… ficar tudo bem. Eventualmente.”
Ela não sabia o que estava acontecendo na vida de Cassandra. Mas sabia que, de algum modo, as coisas se resolveriam.
“Veja, Cassy.” Ela gentilmente mexeu em Cassandra, inclinando seu queixo para o céu. “Olha. É tão bonito.”
Cassandra hesitou, então se virou lentamente.
Uma chuva de meteoros cruzou o céu — algo que ela nem havia notado até agora. Ela apenas pegou os últimos segundos, mas foi o suficiente para fazer sua respiração falhar.
“Você não percebeu,” Kiara murmurou, olhando para ela novamente. “É o que acontece quando choramos. Perdemos algo incrivelmente bonito. A mesma coisa acontece quando focamos nos outros em vez de em nós mesmos. Não era isso que você costumava me dizer?”
Os lábios de Cassandra tremeram, novas lágrimas ameaçando transbordar. Kiara as afastou com o polegar, assentindo com um pequeno sorriso.
“Se nada está indo do seu jeito…” Kiara ponderou pensativa. “Talvez isso apenas signifique que este não é o seu caminho.”
Ela inclinou a cabeça. “Se uma estrada não funciona, por que não tentar outra? Talvez esse seja o caminho a seguir. Eu não sei.” Kiara exalou, balançando a cabeça. “Mas eu sei que minha amiga é inteligente, bonita e gentil. E pessoas com intenções puras sempre têm sua chance — eventualmente.”
Suas palavras atingiram Cassandra mais forte que o tapa de Penny. Mas, ao contrário da humilhação de Penny, isso era algo diferente.
Isso era um tapa da realidade.
“Você não é assim, Cassy,” Kiara disse suavemente. “Está tudo bem chorar, mas…”
Seu olhar se voltou para o vidro quebrado antes de encontrar novamente os olhos de Cassandra. “… não assim.”
“Eu me sinto perdida, Ki,” Cassandra sussurrou roucamente. “Eu sei que não sou assim. Mas eu… eu não sei mais quem eu sou.”
“Está tudo bem.” Kiara apertou sua mão, tranquilizando-a. “Eu vou te ajudar a lembrar.”
Cassandra fungou enquanto outra lágrima rolava por sua bochecha. “Como?”
Kiara sorriu. “Eu não sei.” Ela deu de ombros. “Mas como eu disse—vamos descobrir isso. Eventualmente. Você não acredita em mim?”
Cassandra hesitou.
Claro, ela acreditava em Kiara. Afinal, Kiara já havia se afastado de tudo—sua família, sua riqueza, sua segurança. Ela havia partido com nada além das roupas no corpo. E ainda assim, ela conseguiu sozinha.
Ela descobriu.
E agora, ela estava ali, oferecendo a Cassandra essa mesma crença inabalável.
Os lábios de Cassandra se abriram—mas antes que ela pudesse responder, seus olhos captaram algo.
Sangue.
“Seu pé,” ela engasgou.
“Está tudo bem.” Kiara riu. “Eu estou bem.”
Cassandra olhou para os fragmentos de vidro no chão. Se ela não tivesse jogado aquele vidro… Kiara não teria se machucado.
No entanto, apesar disso, Kiara ainda caminhou em direção a ela. Ainda a abraçou.
A realização a atingiu como uma nova onda de tristeza.
“Desculpa,” Cassandra engasgou. “Eu estou… realmente desculpa, Ki. Eu sinto muito.”
Kiara soltou uma risada desamparada enquanto Cassandra se agarrava a ela, chorando.
“Está tudo bem,” Kiara murmurou. “Está tudo bem.”
“Não está tudo bem!” Cassandra soluçou. “Por minha causa… você se machucou.”
Ela pensou que era a única sofrendo. Que suas ações não machucavam ninguém além dela mesma.
Mas ela estava errada.
Ela ainda tinha alguém que se importava. Alguém bom. Alguém que sempre acreditou nela.
E se Kiara descobrisse o tipo de caminho que Cassandra estava seguindo…
Isso a devastaria.
Pela primeira vez desde que voltou para Anteca, o pedido de desculpas de Cassandra foi sincero. Cru. E dolorosamente real.