MAGO Supremo - Capítulo 143
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143: A Casa dos Mortos (2) 143: A Casa dos Mortos (2) De volta ao Grifo Branco, o Professor Marth estava enfrentando uma complicação inesperada. Após ser decretado o estado de emergência nacional, toda a equipe da academia que tinha ao menos um pouco de conhecimento em medicina foi ordenada a arrumar suas coisas e partir para Kandria o mais rápido possível.
Os Professores tinham permissão para levar consigo quem eles achassem que poderia ajudar, inclusive alunos. Fazia parte da história que o Rei havia inventado para fazer a presença de Lith em Kandria parecer insignificante.
Ele seria apenas um dos muitos jovens acompanhando seus mentores, na esperança de que seu talento fosse reconhecido pela Coroa ou pelo menos ganhar experiência prática. Ter apenas um aluno do Grifo Branco entre todos os especialistas levantaria muitas perguntas.
Os departamentos mais afetados eram dois, o departamento de magia da luz e o de alquimia. Apesar de eles estarem acostumados a colaborar nos casos mais difíceis, desta vez a abordagem sobre o assunto não poderia ser mais diferente.
Para os alquimistas, isso era uma oportunidade única na vida. Trabalhar sem limite de orçamento apenas com instrumentos de última geração, com a oportunidade de tê-los até mesmo feitos sob medida, era uma oferta irrecusável.
Por isso, os professores de alquimia não tinham escrúpulos em levar os estudantes consigo. Eles teriam interações mínimas com os infectados, estudando a doença apenas por meio de amostras de tecido e na segurança de seus laboratórios.
Já para os curandeiros, a situação era um pesadelo. Contato diário com as vítimas, alto risco de exposição à praga, sem contar que, segundo os relatórios, a taxa de mortalidade era semelhante à de uma zona de guerra.
Era difícil explicar aos voluntários como a situação era perigosa, sem ser rude ou dar detalhes suficientes para provocar ataques de pânico.
Depois de recusar muitos amadores bem-intencionados, Marth estava em um impasse.
“Por favor, Professor. Por que não posso acompanhá-lo?” Quylla de Cerea parecia indisposta a aceitar um não como resposta.
“Porque é muito perigoso!” Ele retrucou, sem mais desculpas.
“Vamos ser honestos, ok? Você tem doze anos e está no primeiro ano da academia. Que tipo de contribuição você poderia oferecer? Ainda tem a vida inteira pela frente, eu não posso arriscar seu futuro apenas por capricho.
Você é um dos talentos mais valiosos que sua classe tem a oferecer, mas ainda é jovem e emocional. Acredite em mim, eu não vou a passeio ou fazer uma excursão, é um assunto sério.”
“Então por que Lith foi enviado para lá?” A ferocidade em sua voz transformou a pergunta em uma afirmação, pegando Marth de surpresa.
“Desculpe?”
“Não tente negar. Primeiro, ele é convocado ao Gabinete do Reitor, depois não volta para o jantar ou para o café da manhã. E no dia seguinte as aulas são suspensas. Não pode ser uma coincidência.”
A lógica fria dela o deixou orgulhoso, mas a preocupação que ele percebeu deixou tudo claro.
Amor de criança, a coisa que ele mais odiava. Porque, não importa o quão idiota fosse, não havia como ser razoável com ele. No entanto, ele tinha que tentar.
– “Porque ele não é humano! Deus, como eu gostaria de poder dizer isso em voz alta, mas a Rainha me mataria.” – Ele pensou.
– “Com Manohar fora, ele é nosso melhor especialista em diagnóstico.” – Ele realmente disse.
“Além disso, ele já fez várias contribuições no campo teórico graças à sua compreensão única do corpo humano. Caso contrário, nunca o deixaria ir. Agora, se me der licença, estou com pressa.”
Quylla saiu do quarto de Marth com um olhar desconsolado, a porta batendo atrás dela.
Do lado de fora, Yurial e Friya estavam esperando por ela. Seu rosto os disse tudo o que precisavam saber.
“Por que essa cara?” Quylla perguntou, notando que Friya parecia estar mais tensa do que ela.
“Minha mãe acabou de me ligar. Ela só disse que alguém cometeu um grande erro e que eu devo arrumar minhas coisas e estar pronta para deixar o Reino a qualquer momento.”
***
– “Primeiro, quero saber quem te mandou e por quê.” – Lith estava muito curioso sobre a tentativa de capturá-lo. A outra equipe não poupou esforços para matá-lo, então, ou o contratante mudou de ideia, ou era outra coisa totalmente diferente.
O primeiro a responder foi o soldado que tentou chantagear Lith usando a vida de Trion como alavanca. Segundo a etiqueta de identificação no uniforme, seu nome era Vickas Banut, um homem comum com olhos castanhos e cabelo da mesma cor.
As bochechas dele ainda estavam vermelhas, já que Lith tinha dado vários tapas nele para forçá-lo a recuperar seus sentidos. O vômito ainda sujava sua boca e uniforme, dando-lhe uma aparência ainda mais miserável.
“Você vai me deixar ir se eu te contar?” Sua voz tremia, reunindo coragem para olhar nos olhos vermelhos de seu captor.
“Claro que não.” Lith riu.
“Seria inútil, já que todos vocês já estão infectados.” Ele mentiu descaradamente. De acordo com a Visão de Vida, os três ainda estavam saudáveis, mesmo sem máscaras e depois de terem sido arranhados e mordidos pelos mortos-vivos.
– “Ou os parasitas não suportam bem o frio do necrotério, ou morrem pouco depois de seu hospedeiro. É uma pena que eu não tenha tempo para infectá-los e estudar a progressão da praga. Preciso sair daqui rápido, antes que mais alguém entre.” –
“Então, por que eu deveria te contar? Se eu tenho perecer, vou levar meus segredos comigo para o túmulo!” A certeza da morte parecia ter rejuvenescido o espírito de Vickas.
“Excelente pergunta!” Lith bateu palmas.
“Comam-no vivo, começando pelos pés.” Suas ordens eram destinadas para que os prisioneiros entendessem seu destino, em vez de para os mortos-vivos.
Os zumbis desmiolados eram como marionetes, e Lith precisava apenas de um pensamento para fazer com que se movessem de acordo com sua vontade.
Vickas tentou resistir, torcendo-se e chutando sempre que podia, mas as criaturas ignoraram suas tentativas patéticas. Um cobriu a boca dele com uma mão apodrecida, enquanto o outro conseguiu agarrar suas pernas, enchendo o ar com gritos abafados e ruídos de mastigação.
Os outros dois prisioneiros tentaram desviar o olhar, mas os zumbis mantiveram suas cabeças bloqueadas e suas pálpebras abertas.
“Como você pode ver, eles estão evitando todas as artérias principais.” Lith explicou com a mesma voz que usaria para explicar matemática a uma criança burra.
“Afinal, sou um curandeiro. Não posso esperar matá-lo acidentalmente. Você só vai morrer quando eu disser, e da maneira que eu escolher. O primeiro a falar ganhará uma morte rápida. Os outros se juntarão às minhas fileiras.”
No começo, os dois tentaram gritar, mas suas bocas estavam seladas. Lith odiava ser interrompido por gritos histéricos enquanto falava.
Quando os pés de Vickas desapareceram, deixando a maioria dos ossos exposta, o vômito se infiltrou pelo nariz e pelos dedos dos zumbis, impendindo-os de falar e permitindo que Vickas fizesse seu movimento.
Lith notou suas mãos se agitando loucamente, então ele parou os zumbis, usando ao mesmo tempo magia da luz para aliviar brevemente sua dor.
“Sim?”
“Duque Selimar orquestrou tudo, com a cumplicidade do General Lizhark e do Mago Fernath.” Vickas revelou assim que conseguiu falar, apontando para seus comparsas, que conseguiram parar de vomitar, chocados com sua traição.
“Nunca ouvi falar deles.”
“Mas eles conhecem você. Eles sabem que ontem você falou algo com Varegrave que forçou o Rei a declarar o estado de emergência nacional. É o primeiro progresso em mais de um mês.”
“Mas por que me sequestrar?” Lith não via a lógica por trás de suas ações.
“Porque eles temem a praga. Um de seus associados, eu não sei quem, é o responsável. Porém, ele fez isso pelas costas deles, eles nem sabiam que existia. Quando perceberam o que havia acontecido, não podiam mais confiar nele.
Eles não querem que a praga seja erradicada, é uma arma onipotente. Mas sem uma cura, seriam forçados a fugir ou se submeter.”