MAGO Supremo - Capítulo 127
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- Capítulo 127 - 127 Sofrimento 127 Sofrimento Após o Professor Marth terminar
127: Sofrimento 127: Sofrimento Após o Professor Marth terminar de curar o braço de Lith, as ataduras foram removidas, revelando que ele estava de volta ao normal, exceto por um pequeno detalhe. Ao contrário do resto do seu corpo, que ainda mantinha sua cor normal, o braço estava pálido como se nunca tivesse visto a luz.
Marth não deixou passar a pergunta silenciosa em seus olhos.
“Desculpe, eu não sei como o Manohar consegue fazer isso. Em teoria, é impossível para a nova pele reter algum tipo de bronzeado, mas isso não impede que ele o faça de qualquer maneira.”
Então, sussurrou no ouvido de Lith:
“É melhor se você procurar o Manohar depois, se o problema da pele te incomoda. Eu não acho que seria uma boa ideia trazê-lo de volta pra cá.”
Lith concordou, provavelmente o Diretor e seu pai não conseguiriam aguentar outra apresentação motivacional.
“Professor, você ainda não me contou o que aconteceu depois que eu perdi a consciência.” – Graças a Solus, Lith já sabia a resposta, mas precisava fingir curiosidade a respeito.
“Sim, de fato. Mas é melhor você ouvir daqueles que realmente salvaram sua vida. Foi preciso bastante esforço para forçar os seus amigos a saírem do seu lado e descansarem um pouco.”
Seus pais ficaram emocionados, ouvindo que o filho tinha amigos tão dedicados assim, Lith nem tanto, uma vez que isso fez desmoronar outro pedaço de suas crenças pessoais. Isso também levantou uma questão assustadora.
– “Solus, agora que estou usando um camisolão do hospital, por favor, me diga que o Manohar não me despiu na frente dos outros.”
“Não, ele não fez isso.” Ela riu. “Mas não haveria nada demais nisso, afinal todos vocês são médicos.”
“É verdade, mas se a situação fosse inversa, você acha que alguma menina gostaria de ser vista nua por três de seus amigos homens?”
“Depende dos amigos, eu acho.” Havia um toque de malícia em suas palavras.
“Tudo bem, chega.” Lith decidiu resolver o assunto de uma vez por todas.
“Solus, o que está acontecendo com você? Desde que viemos para a academia, de vez em quando você tenta me arrumar uma garota ou outra, ou diz algo inadequado, como agora. Pessoas não são pedaços de carne, também têm sentimentos.”
“Falar é fácil, vindo de você!” Pela primeira vez desde que se encontraram, Lith podia sentir a raiva dela. Ele não respondeu, esperando que Solus se expressasse.
“Desde quando você se importa com sentimentos? Tudo o que você faz é mentir para manipular todo mundo, lutar como um louco, acumular poder, enxaguar e repetir. Você já pensou nos meus sentimentos? Sobre o quanto eu fico assustada toda vez que você faz algo estúpido, colocando sua vida em risco como se não fosse nada?
Ou como eu sinto inveja de todos vocês, livres para conversar, rir, caminhar ao sol, enquanto eu estou presa o dia todo dentro de um anel de pedra, vivendo minha vida através de você? E para ser sincera, não é lá muita vida.
Você tem tantas pessoas que te amam, tantas chances de se aproximar dos outros e se tornar amigos de verdade, em vez de apenas fingir. No entanto, você sempre os rejeita como lixo, e isso me deixa furiosa.
Sabe, talvez o Escorpicore estivesse certo. Talvez eu realmente seja um objeto amaldiçoado, porque às vezes essa vida realmente parece uma maldição.” –
Apesar de não ter lágrimas para derramar, para Lith foi como se ela estivesse soluçando de tanto chorar.
Isso o fez se sentir terrivelmente culpado e impotente. Muitas vezes ele fechava-se a ela, seja para estudar ou treinar, falando apenas para pedir sua ajuda. Eles estavam juntos há tanto tempo, mas ele ainda às vezes tratava Solus como algum tipo de eletrodoméstico.
Lith não podia negar nada do que ela havia dito. Para ele, as pessoas eram apenas ferramentas, enquanto os sentimentos eram um fardo inútil.
– “Me desculpe, Solus. Eu não sei o que dizer. Todo esse tempo eu nunca parei de considerar como você se sentia, sempre dando sua felicidade como certa.”
“Não é inteiramente sua culpa.” Ela respondeu mentalmente. “Eu nunca compartilhei minhas preocupações com você, porque estava com medo de que você não se importasse ou entendesse. Obrigada por provar que eu estava errada.” Uma aura quente espalhou-se de sua consciência, equivalente a um abraço.
“Pelo meu criador, tudo era muito mais fácil quando nos conhecemos. Só em sobreviver, aprendendo coisas novas todos os dias. Mas agora, o conhecimento não é mais suficiente. Eu quero sentir, eu quero experimentar, e você é minha única janela para o mundo.
Eu deveria ser a que pede desculpas, por ser tão insistente o tempo todo.”
“Bem, talvez entre Necromancia e Forjaria, possamos encontrar uma maneira de te dar um corpo substituto.”
“Um cadáver ou um golem? Obrigada, mas dispenso. Às vezes, eu já me sinto um monstro, não preciso também parecer um. Além disso, acho que a vida não é um problema a ser resolvido, mais algo que preciso decidir se vale a pena ter.” –
Lith não gostou de como a conversa havia terminado. Sua única amiga verdadeira estava sofrendo, e isso não era algo que ele podia aceitar passivamente.
Depois de trocar de uniforme, ele deixou o Professor Marth chamar seus ‘amigos’, que apesar do pouco tempo para se prepararem chegaram incrivelmente rápido.
Normalmente, Lith encontraria uma maneira de evitar o abraço em grupo inevitável que se seguiu, mas as palavras de Solus ainda ressoavam em seus ouvidos.
– “Progresso, não perfeição.” – Ele repetiu em sua mente, como um mantra, resistindo à repulsa que o contato físico com esses quatro estranhos despertava no nível do instinto.
Eles o inundaram de perguntas sobre sua saúde, repetindo mais de uma vez como pensaram tê-lo perdido. Elina se emocionou, vendo o afeto deles pelo filho.
“Pessoal, permitam-me apresentar meus pais, Raaz e Elina.”
Com essas palavras, eles finalmente o soltaram.
Raaz apertou-lhes as mãos, enquanto Elina os abraçou com força.
“Se vocês algum dia passarem na nossa aldeia, serão sempre bem-vindos em nossa casa. Eu nunca poderei agradecer vocês o suficiente.”
Após algumas gentilezas, Lith incitou-os a contar o que havia acontecido depois que ele caiu na fissura espacial.
Apesar de já saber tudo, ele ainda se impressionou com o foco e a dedicação deles durante um momento tão crítico, a ponto de lembrar os detalhes mais precisos. Obviamente, com a presença de Linjos, eles omitiram a parte da pancadaria.
Então chegou a vez de Lith expressar sua gratidão. Um simples obrigado e um aperto de mão foram suficientes para Raaz, que era um desconhecido para eles. Sem falar que ele estava bastante intimidado. Até onde ele sabia, todos eles poderiam ser príncipes e princesas.
Lith não teve escolha a não ser colocar um grande sorriso no rosto e abraçá-los um por um.
Enquanto para os outros ele conseguiu dar um abraço do tipo “rápido e distante”, quando chegou a vez de Quylla, ela o segurou firme. Lith podia sentir as mãos dela correndo pelas suas costas, enquanto ela afundava a cabeça no peito dele, soluçando um pouco.
Depois de alguns segundos, a situação ficou realmente constrangedora. Todos olhavam para o lado, até que Raaz viu o pedido mudo de ajuda em seus olhos e disse:
“Filho, o que você quer fazer? Você quer voltar para casa, mudar de academia ou ficar aqui? Respeitaremos sua decisão, seja ela qual for.”
Foi então que Quylla finalmente o soltou e se escondeu atrás de Friya, corando descontroladamente depois de perceber o que ela havia feito.
Lith ponderou por um momento. Apesar de todos os seus defeitos, a academia Grifo Branco ainda era o lugar mais seguro para ele. Outras academias provavelmente iriam discriminá-lo por suas origens e passado, forçando-o a ficar sempre alerta.
Além disso, ele ainda tinha que resolver o mistério das caixas em sua dimensão de bolso, encontrar uma maneira de evitar a profecia da dríade e salvar Solus de sua miséria. Ela podia recusar sua ajuda o quanto quisesse, Lith nunca desistiria dela sem lutar.
“Eu quero ficar aqui, pai. Acho que preciso deles tanto quanto eles precisam de mim.”