Ligada a um Inimigo - Capítulo 721
Capítulo 721: Uma Conexão Estranha
“Sshhh… ela acabou de adormecer”, Axel sussurrou enquanto Alice abria a porta do quarto deles.
Alice fechou a porta com cuidado, trancando-a antes de se virar para vê-lo sentado no pequeno sofá com a nova integrante da família, com quase dois anos, deitada contra seu peito com a cabeça em seu ombro. Ele se balançava suavemente de um lado para o outro, com a palma da mão descansando de lado e os dedos tamborilando em suas costas em um ritmo lento e constante.
Axel repousava a cabeça delicadamente contra a dela, um suave murmúrio em seus lábios. Alice se encostou na porta com um sorriso no rosto. Ela nunca se cansava dessa cena.
Com os gêmeos, eles haviam compartilhado a maior parte das rotinas, hora de dormir, alimentação, troca de fraldas, e assim por diante. Cada um ficava com uma das crianças, então ela não tinha tantas oportunidades de simplesmente assistir enquanto ele cuidava do filho deles.
Mas com a filha, era diferente. Tudo era diferente.
Os gêmeos tinham sido uma bênção. Um milagre que tanto Axel quanto Alice achavam impossível. E até o momento do nascimento deles, embora nenhum dos dois jamais dissesse isso em voz alta, estavam igualmente entusiasmados e aterrorizados. Esperando o pior a cada momento.
Mesmo após o nascimento, Alice, às vezes, lutava para aceitar que a vida que haviam construído e a família que tinham eram reais. Durante o primeiro ano de vida dos gêmeos, ela teve pesadelos. Ela amava seus filhos, e Axel sempre a apoiou. Mas a realidade de tudo que ela tinha passado, a tortura, o treinamento, a boneca. Tudo isso a assombrava.
Ela temia que sua mente pudesse quebrar a qualquer momento e que ela, mais uma vez, fosse perdida no passado, afogada nas lembranças das coisas que havia feito como a boneca. Temia que, em algum momento, pudesse se tornar um perigo para seus filhos.
Axel fez tudo o que podia para apoiá-la, para tranquilizá-la. Mas, no final, Alice precisava de mais do que apenas o amor dele para ajudá-la a superar o medo e a ansiedade.
Embora Bell não fosse formada em psicologia e sugerisse fortemente que Alice procurasse ajuda com um dos muitos Lobos do Verão que eram, Alice só conversaria com ela. Durante meses, Alice veio ao Verão ou Bell foi ao Inverno, passando horas juntas, conversando e lidando com os pesadelos que a atormentavam.
No início, era só sobre os filhos. Bell compartilhava suas experiências como mãe, seus medos e preocupações. Alice compartilhou algumas das suas. Mas, eventualmente, elas falaram sobre o passado. Sobre Roman. Sobre as coisas que cada uma delas havia sofrido e escondido do mundo. Sobre o quanto estavam assustadas de seus filhos descobrirem essas coisas.
Não resolveu o problema. Não fez os pesadelos desaparecerem. Mas aliviou um pouco do medo que havia se enraizado no coração de Alice.
Quando os gêmeos tinham pouco mais de um ano, Alice finalmente estava pronta para enfrentar seu maior pesadelo.
Ela havia vasculhado o que restava dos arquivos pessoais de Holden e alguns que Nessa havia recuperado para ela do banco de dados de Primavera. Finalmente, conseguiu localizar as poucas informações que existiam sobre sua mãe.
Com isso, ela poderia encontrar o lugar onde ela e sua mãe haviam vivido no mundo humano.
[TRÊS ANOS E MEIO ATRÁS]
Alice e Axel viajaram longe dos territórios. Ela lhe dissera, quando ele propôs, que queria que todos visitassem sua mãe juntos, mas quando chegou a hora, ela não quis levar os gêmeos. Ela não tinha certeza se seriam capazes de encontrar o túmulo de sua mãe ou como isso a afetaria.
Quando Axel parou em frente à casa, Alice olhou pela janela. Parecia igual a todas as outras casas da área. Um pequeno jardim frontal com algumas flores e uma calçada de cimento levando a dois degraus até a varanda. Uma porta de tela de metal, velha tinta branca descascando no revestimento da casa de um andar.
Mas, ao contrário do resto das casas, olhar para esta fazia Alice sentir um aperto no peito que ela não sabia explicar.
“Este é o endereço que você encontrou”, Axel disse. “Algo lhe parece familiar?”
Alice engoliu em seco e assentiu.
Axel estendeu a mão e a segurou. Alice olhou de volta para ele. Ele lhe deu um sorriso acolhedor e trouxe a mão dela aos seus lábios, beijando-a ternamente.
“Estou bem aqui”, ele disse. “Você não está sozinha.”
Alice assentiu e voltou-se para a casa. No fundo de sua mente, ouviu os suaves choros e gritos de uma criança enquanto era carregada pelo gramado em direção a um carro à espera.
“Esta era nossa casa…” ela sussurrou.
Alice apertou sua mão.
Alice engoliu em seco enquanto olhava para o gramado. Ela quase podia ouvir isso, quase podia ver… algo na beira de sua memória. Um sorriso. Mas não como aqueles que Holden lhe mostrava, não aqueles sorrisos de Cheshire que assombravam seus pesadelos. Não, este sorriso era caloroso. Carregava uma risada. Uma que fazia o coração de Alice doer de saudade, em vez de dor.
Ela respirou fundo.
A porta de metal se abriu. Uma criança saiu rindo. Um garotinho, de apenas quatro ou cinco anos. Ele desceu os degraus e correu pelo gramado, rindo o tempo todo. Outro som vindo da porta chamou a atenção de Alice.
“Rugido! O monstro está vindo te pegar!” o homem rosnou de brincadeira. Ele levantou as mãos, formando garras, enquanto dava passos exagerados da varanda em direção ao menino.
“Não!” O menino riu, correndo. “Fique longe, monstro!”
“O monstro está com fome! O monstro vai te devorar! Rugido!”
O homem lentamente perseguiu o menino, riram juntos, e Alice sentiu uma estranha conexão com o homem. Ele era mais jovem do que ela, provavelmente por mais de alguns anos. Mas havia algo sobre seu sorriso, sua risada, que parecia familiar.
De onde ela o conhecia? Como ela poderia conhecê-lo?