Ligada a um Inimigo - Capítulo 696
Capítulo 696: Azar Infeliz
Ashleigh passou o resto da noite pensando no que fazer. Quando o sol nasceu no dia seguinte, ela já estava caminhando entre as árvores.
Ela já estava procurando há mais de um mês. Como poderia desistir agora?
Pelo que o diário dizia, o explorador acreditava que os monstros do lago estavam se preparando para atacar o monturo. Isso significava que o riacho que ele encontrou devia estar perto também, e era por isso que estavam se reunindo lá.
Ela sabia, desde a primeira vez que veio à Guarda da Lua, que o monturo estava ainda a pelo menos dois quilômetros ao norte de sua posição atual. Se a caverna estava perto do riacho, o explorador deve ter deixado o diário enquanto descia a montanha.
Durante sua subida, ela não o encontrou nem achou qualquer sinal dele, o que significava que ele não retornou pelo mesmo caminho de subida depois de ser atacado pelo ente. Lá no alto da árvore, Ashleigh havia explorado a área para tentar entender em que direção ele poderia ter ido.
O problema era que a floresta era densa e era difícil ver onde poderia levar a um penhasco ou acabar fazendo você voltar para subir novamente a montanha.
Ela precisava encontrar um ponto mais elevado. Era um risco que tomaria boa parte do dia, mas era também provavelmente a mesma coisa que o explorador teria feito.
Infelizmente, levaram quatro dias para ela chegar ao terreno elevado. O número de fae que vagavam pela floresta havia aumentado, e ela foi obrigada a escapar ou lutar contra as patrulhas que encontrou.
Ela estava coberta de ferimentos e hematomas quando chegou ao mirante. O sol estava se pondo e o céu tingido de laranja e vermelho intensos.
Ashleigh estava exausta. Ela havia se esforçado além do que tinha força, mas havia conseguido. Pretendia acampar lá durante a noite. Quando o sol estivesse brilhante pela manhã, poderia ter uma visão muito mais clara da terra abaixo.
Somente então poderia tentar formular uma estratégia para encontrar o explorador.
Esse era o plano.
Mas, quando alcançou o topo da colina e foi banhada pela luz moribunda do sol, sua missão terminou abruptamente.
Várias horas depois, o céu negro estava salpicado com a luz cintilante das estrelas distantes.
Ao longo do caminho até o mirante, corpos sem vida de morcegos, sapos e pelo menos um dos monstros do lago estavam dispersos pelo caminho sinuoso. Mortos depois de serem atraídos pela luz do grande fogo rugindo na colina.
No chão, diante do fogo, Ashleigh estava sentada, coberta de sangue e sujeira. Seus braços cruzados sobre os joelhos. Em cada mão, ela ainda segurava firmemente os karambits de obsidiana, prontos para serem usados a qualquer momento. Sua cabeça estava abaixada em silêncio contra suas coxas.
Ela havia ultrapassado seus limites há muito. Em qualquer outro dia, teria desabado horas atrás. Mas hoje não. Hoje ela tinha que continuar. Não dormiria nem abaixaria a guarda até que a manhã caísse naquela colina e a passagem do explorador para a Deusa estivesse completa.
Era o mínimo que podia fazer por ele.
Seu telefone tocou.
Foi inesperado, mas ela não tinha energia para se surpreender. Normalmente, mantinha-o desligado em sua bolsa, usando apenas a cada três dias para entrar em contato com Fiona. Mas hoje era o terceiro dia. Ela havia acabado de enviar sua mensagem para Fiona quando encontrou o corpo do explorador.
Ashleigh havia colocado o telefone no bolso e esquecido dele. Ele tocou novamente. Ela colocou uma das facas no chão e o pegou.
Ela levantou a cabeça, e seu rosto estava coberto de sangue e sujeira, mas lágrimas escorriam por suas bochechas. Ela engoliu e olhou para o telefone.
Nos quase dois meses que esteve fora, Fiona nunca havia ligado, apenas enviado mensagens. Tinha que haver um motivo.
Ashleigh olhou de relance para a pira.
Aquele dia havia começado com uma leve esperança em seu coração de que sua missão terminaria feliz. Mas conforme o sol se pôs, assim se foi aquela esperança. Ashleigh voltou sua atenção para o telefone e apertou o maxilar.
Não havia chance de que o motivo da ligação de Fiona fosse algo bom.
Ashleigh levou o telefone ao ouvido e atendeu, mas não disse nada.
“Ashleigh?” A voz calorosa de Fiona falou pelo telefone.
Ashleigh engoliu e fechou os olhos, mas ainda assim não disse nada.
Fiona respirou fundo e soltou lentamente.
“Ashleigh,” ela suspirou, “você não falou com ninguém nesses últimos dois meses. Então, presumo que não falará agora?”
Houve silêncio.
“Tudo bem,” ela disse suavemente. “Você não precisa responder. Apenas ouça.”
Fiona limpou a garganta, e Ashleigh quase podia vê-la endireitar as costas enquanto respirava fundo e soltava o ar lentamente.
“Eu sei que você saiu porque sentiu que havia algo que precisava fazer,” ela começou. “Eu entendo e respeito isso. Mas…”
Fiona hesitou, e o coração de Ashleigh bateu pesado em seu peito.
“Seis meses estão quase chegando,” Fiona disse baixinho.
Ashleigh respirou fundo e trêmulo, apertando o maxilar.
No final da chamada, Fiona fechou os olhos e engoliu em seco.
“Haverá uma vigília em duas semanas,” ela disse. “Os preparativos já começaram. Não há como voltar atrás. O povo de Caleb irá lamentá-lo adequadamente.”
Ashleigh fungou enquanto engolia o nó em sua garganta. Seu maxilar tremeu e seus olhos se encheram de lágrimas.
“Ashleigh… Sinto muito…” Fiona sussurrou. “Eu realmente… esperava que as coisas fossem diferentes.”
Um som vindo de baixo da colina chamou a atenção de Ashleigh. Ela limpou os olhos e olhou para baixo. Três morcegos estavam atravessando os corpos em direção a ela.
Ela respirou fundo.
“Eu entendo se você não quiser—”
“Eu estarei lá,” Ashleigh interrompeu enquanto pegava sua segunda lâmina e se levantava.
“Você estará?” Fiona perguntou, surpresa.
“Eu estarei,” Ashleigh respondeu.
Ela desligou o telefone sem dizer mais nada. Apertou o maxilar, agora cheia de raiva, enquanto se virava para os monstros que tiveram o azar de cruzar com ela naquele momento.