Ligada a um Inimigo - Capítulo 598
Capítulo 598: Pelo Seu Bem
A voz de Alice desvaneceu enquanto a mente de Axel clareava, e ele abriu os olhos.
Ele levantou a cabeça, olhando ao redor e lembrando onde estava. Ainda preso pelas grossas raízes que haviam surgido da terra, sua perna ainda doendo com o fogo de sua infecção.
Ele ouviu os passos de Roman na neve vindo em sua direção.
Roman agachou-se diante de Axel, sorrindo.
“Como você está se sentindo, velho amigo?” perguntou, olhando para o ferimento na perna de Axel. “Admito que sabia que levaria algum tempo, mas estou começando a ficar impaciente agora.”
Ele se inclinou e apertou a perna de Axel, fazendo-o sibilar.
Axel respirou suavemente enquanto a dor aliviava, e ele olhou para o homem à sua frente.
O diabo de seu passado.
A cicatriz no rosto de Axel constantemente o lembrava do medo que havia sido queimado dentro dele.
A companheira de Bell, a inimiga desconhecida que Axel havia desejado encontrar desde o dia em que ela chegou em Inverno com a mandíbula presa por fios. A causa de toda sua tristeza e sofrimento.
O homem que ensinou Alice a ignorar a dor. Como sofrer com um sorriso e se esconder na escuridão.
Esse homem era esse monstro.
Roman olhou nos olhos de Axel. Ele não gostou do que viu. A calma, o pensar. Ele queria que esse garoto estúpido estivesse tão assustado quanto estava quando eram crianças. Quando ele o perseguia pelas árvores e quase arrancava seu olho.
Roman rosnou e se inclinou mais perto.
“Eles gritam em suas mentes”, ele sussurrou. “Todos eles.”
Axel não respondeu.
“Eles estão em dor agonizante, implorando para morrer”, continuou Roman, irritado pela falta de resposta. “Logo, esse vai ser você. Gritando sem parar.”
Axel olhou para o homem pairando acima dele. O rosto de Roman estava torcido de raiva. Ele estava perdido em sua própria loucura. Era diferente do que tinha sido com Granger.
Granger sabia o que estava fazendo. Ele escolheu cada passo do caminho para continuar machucando todos e tudo ao seu redor sem considerar as consequências. Ele se esforçou para usar o
amor e a confiança que as pessoas tinham por ele contra eles. Granger não se arrependeu de nada disso, mesmo nos últimos momentos de sua vida. Ele não lutou com as decisões que tomou.
Mas Axel viu algo enquanto olhava para a raiva e ressentimento no rosto de Roman.
Ele viu desespero. Solidão.
Roman era um monstro, um assassino, e continuaria sendo um, não importa o que alguém dissesse ou fizesse. Mas, ao contrário de Granger, Roman sentia algo.
Alice estava errada. Roman não encontrava conforto nos gritos que ele tão desesperadamente ansiava. Em vez disso, eles eram apenas altos o suficiente para cobrir os sons de seus próprios choro.
“Eu tenho uma pergunta para você”, Axel disse suavemente.
As sobrancelhas de Roman se juntaram em confusão; ele inclinou a cabeça, imaginando o que Axel perguntaria.
“Você quer que eu te mate?” Axel finalmente perguntou.
Os olhos de Roman se arregalaram. Seu coração batia em seus ouvidos, e um suor frio cobriu-o.
O momento estava parado, o tempo se movendo a passos de lesma.
No fundo da escuridão de sua mente, Roman ouviu os suaves choro de uma criança. Sozinha, abandonada, indesejada e odiada. Um monstro.
O som o encheu de pânico e raiva enquanto lágrimas quentes se acumulavam em seus olhos.
Axel viu o pânico e as lágrimas. Ele fechou os olhos e respirou profundamente o ar frio da montanha em seus pulmões.
“Você está… zombando de mim?” Roman perguntou em um sussurro trêmulo. A raiva borbulhava dentro dele, a dor e o desespero superando qualquer pensamento racional que ele pudesse ter. “Vou acabar com sua vida miserável aqui e agora!”
Ele alcançou e puxou a lâmina do seu bolso, preparando para cortar a garganta de Axel e acabar com tudo agora.
Mas quando tentou empurrar a lâmina para frente, ele não conseguiu se mover. Sua respiração prendeu em sua garganta, e suas pernas endureceram e travaram. Ao seu redor, uma imensa pressão fria crescia e crescia, pressionando contra seu corpo até que ele gritasse de agonia enquanto o frio queimava sua pele.
“Pelo seu bem tanto quanto pelo de todos os outros….” Axel sussurrou.
A faca caiu da mão de Roman enquanto ele virava os olhos para o homem amarrado e indefeso diante dele.
Axel abriu os olhos, revelando o brilho branco do gelo e da neve, tão brilhante que quase cegava Roman.
Uma espessa geada começou a se espalhar pelas escuras raízes que prendiam Axel até que elas estivessem completamente cobertas de gelo.
As raízes cobertas de gelo se estilhaçaram enquanto o braço de Axel avançava e agarrava Roman pela garganta. Erguendo-se, ele levantou Roman no ar.
“Eu te sentenciarei”, Axel afirmou, até sua voz estava revestida com o uivar frio de um vento amargo.
Roman tentou engasgar, respirar e empurrar o frio para longe, mas não conseguiu. Sua vida estava nas mãos do Alfa de Inverno.
Axel se inclinou perto, olhando nos olhos ardentes de Roman.
“Eu te concederei misericórdia,” ele sussurrou. “Na morte.”
Os olhos de Roman se arregalaram, e o choro da escuridão ficou ainda mais alto quando as palavras de Axel caíram sobre ele. Ele queria se afastar. Ele precisava se afastar. Mas ele não conseguia se mover. Ele estava congelado no lugar, cercado pela escuridão fria.
Axel colocou Roman de volta em seus pés, e com um último empurrão de sua vontade, os pulmões de Roman se encheram com um frio penetrante.
Roman sentiu as lágrimas quentes escorrendo pelo seu rosto enquanto o choro ecoava em seus ouvidos. O gelo subia pelas suas pernas, se espalhando pelo seu corpo.
‘Não!’ Roman gritou em sua mente. ‘Não!’
O choro parou, e não havia som exceto pelo suave estalido do gelo se formando sobre seu corpo. E então havia outro som. Um leve fungar, e então passos, passos minúsculos.
Os olhos de Roman encaravam a escuridão, indo de um lado para o outro.
Finalmente, um garoto pequeno avançou. Ele olhou para Roman com olhos ardentes alaranjados. Marcas de lágrimas em seu rosto.
Roman engoliu, sentindo um peso em seu coração. Um poço profundo de tristeza e arrependimento se formou em sua barriga.
“Eu sinto muito—” ele sussurrou, tentando se desculpar, mas suas palavras foram cortadas quando os gritos de seu passado ecoaram pela escuridão.
Um sobre o outro, mais e mais alto, sua dor e angústia resonando através de seus ossos. Cada grito que ele já tinha arrancado dos lábios de outro agora o cobria.
O garoto cobriu seus ouvidos e chorou. Ele caiu de joelhos. Roman podia ver o filete de sangue que escorria pela garganta do garoto de baixo de suas mãos.
Roman tentou alcançar, mas o gelo estava até seu queixo agora, ele nem conseguia falar. Tudo o que ele pôde fazer foi assistir em horror enquanto os gritos de suas vítimas o dilaceravam.
Axel olhou atentamente para Roman. O fogo nos olhos da besta tinha se apagado, e nem mesmo uma brasa fumegante restava. Tudo o que restava era o frio de Inverno e o suave e lento batimento cardíaco que vinha de dentro.
Axel recuou, e ele socou Roman diretamente no peito com toda sua força. A força do golpe destroçou seus pulmões e enviou os fragmentos congelados voando para seu coração, silenciando-o para sempre.
O frio que o mantinha preso no lugar se dissipou, e o corpo de Roman desabou de joelhos, tombando para a frente sem vida na neve.
A luz nos olhos de Axel lentamente desvaneceu enquanto ele respirava profundamente, olhando para os restos do monstro abatido. Então, finalmente, ele caiu de um joelho.
Ele riu suavemente, sabendo que sua família estava finalmente segura.
“Eles estão seguros agora…” ele sussurrou. “Eles têm que estar….”
Axel tentou se levantar, mas a queimação em sua ferida de repente parecia excruciante. Ele caiu de volta na neve, agarrando sua perna e uivando sua agonia.
A dor aliviou, e Axel se deitou de costas, ofegante e olhando para as árvores.
Um tosse pesada o forçou a virar de lado, e outra cuspiu sangue na neve. Axel limpou a boca, olhando para as manchas vermelhas em suas mãos.
Ele respirou fundo enquanto seu corpo cedia ao esgotamento de seu poder, suas feridas e sua transformação.
O Alfa de Inverno caiu de volta na neve enquanto a escuridão se estabelecia sobre ele.