Ligada a um Inimigo - Capítulo 594
Capítulo 594: Eu Não Posso
Axel respirava lentamente e profundamente enquanto segurava firme sua perna e tentava processar exatamente o que estava vendo.
“Você gosta disso?” Roman perguntou, sorrindo e inclinando a cabeça enquanto olhava para a raiz que substituíra seu braço. “Depois que aquele maldito cão cortou minha mão, a criatura que usava a pele da minha mãe me deu um upgrade.”
Roman moveu seu braço, puxando a raiz na perna de Axel.
Axel cerrava os dentes, sentindo uma febre tomar conta de si enquanto o fogo se espalhava em sua perna.
“Ela também me ensinou a ouvir todos os ruídos ao meu redor….” Roman sussurrou, voltando seus olhos ardentes para Axel. “Como usar isso.”
O chão de ambos os lados de Axel tremeu e depois explodiu enquanto raízes espessas e antigas irrompiam da terra e se enrolavam em seus braços, puxando-o para trás e o mantendo preso. Axel rosnou e tentou lutar. Mas a cada movimento, as raízes apenas se apertavam até ele sentir a tensão contra seu ombro ameaçando deslocar.
“Bom truquezinho, não é?” Roman perguntou.
Ele deu um passo à frente e se ajoelhou diante de Axel, olhando para a ferida na perna dele onde a raiz permanecia.
“Dói?” Roman perguntou, alcançando com sua outra mão e apertando a perna de Axel.
Axel rangia os dentes enquanto a dor percorria seu corpo, mas não gritou nem soltou nenhum grito.
Roman sorriu, olhando para Axel.
“Ela te disse para não gritar, não é?”
Axel olhou nos olhos de Roman. Ele estava sorrindo, mas estava furioso. Estava furioso com o pensamento de que Alice tinha ajudado ele de alguma forma.
O sorriso de Roman desapareceu.
“Não disse!” ele gritou, apertando a perna de Axel com mais força.
Axel cerrava os dentes com dor, respirando devagar e trêmulo enquanto o suor se acumulava em sua testa.
Ele olhou Roman diretamente nos olhos e assentiu.
Roman soltou um rugido furioso e se afastou de Axel, arrancando a raiz da ferida enquanto se levantava e andava pela pequena área.
Axel fechou os olhos e novamente engoliu a dor conforme a raiz deslizava para fora da ferida. Mesmo sem ela, o fogo continuava a queimar nele.
Roman olhou para Axel novamente. Ele respirou fundo e concentrou sua mente.
“Sabe…” ele começou, “Eu sabia que não era a minha mãe quando ela saiu daquela caverna. Mas eu queria que fosse.”
Axel franziu a testa, olhando para Roman.
“Minha mãe era a única pela qual eu me importava,” ele continuou. “A única que se importava comigo…. Exceto… por Alice.”
Axel cerrava a mandíbula, e Roman rosnou.
“Eu protegi ela,” ele sussurrou. “Eu cuidei dela. Eu fiquei com ela!”
“Você a torturou!” Axel rosnou.
“Eu a fiz forte!” Roman rosnou de volta, as veias de seu pescoço saltando enquanto ele tentava conter as emoções esmagadoras. Raiva e ressentimento queimavam de seus olhos. “Eu a ensinei a sobreviver!”
Axel virou o rosto.
“Holden teria deixado ela morrer em seus experimentos se eu não a tivesse ensinado a aguentar a dor,” ele disse. Engolindo a sensação estranha e dolorosa que subia em seu peito. “Eu tinha que mostrar a ela… para mantê-la.”
Axel olhou de volta para Roman, confuso. Roman encarava uma memória, sem enxergar Axel de fato. Mas Axel viu algo em seus olhos, não raiva ou ressentimento. Dor. Arrependimento. Angústia.
“Eu limpei as feridas dela. Eu a ensinei onde ir,” Roman sussurrou. “Como se esconder no escuro… e ele a fez esquecer de mim.”
Axel sentiu um arrepio de reconhecimento em suas palavras.
‘Você se esconde no escuro até esquecer que já houve luz.’
A suave voz dela ecoou em sua memória.
“Eu concordei para que ninguém mais machucasse ela… mas ele mentiu. Ele fez ela esquecer quem eu era e por que eu ajudava. Ele garantiu que ela só me conhecesse como um monstro.”
“Você é um monstro,” Axel rosnou.
Roman inclinou a cabeça. Ele olhou para Axel com consideração e depois deu de ombros.
“Todos nós temos nossos defeitos,” ele sorriu. “Em breve, você também será um monstro.”
Axel franzia a testa enquanto Roman apontava o queixo para a ferida. Axel olhou para baixo, estava sangrenta, mas ele podia ver as linhas negras logo abaixo do material de sua armadura. Ele olhou para Roman.
“Não era tanto quanto os híbridos carregam,” Roman disse, agachando-se diante de Axel. “Mas é o suficiente. Eu queria ter certeza de que você sentiria a mudança. Cada momento dela.”
O coração de Axel trovejava em sua garganta.
Roman inclinou-se para frente, aproximando seu rosto do de Axel.
“Ela era a luz, a luz quente que eu não podia… Não tocar,” Roman sibilou. “Mas você a tomou. Roubou ela de mim!”
“Ela é minha companheira!” Axel rosnou.
Roman rosnou de volta, e as raízes puxaram dolorosamente os braços de Axel.
Roman respirou fundo e então olhou para a ferida de Axel, estendendo a mão e a cutucando, arrancando um sibilo de Axel.
“Estas criaturas, as feitas com seu sangue… elas me obedecem. Elas fazem o que eu digo. Elas não têm escolha. Em breve, você também não terá,” ele sussurrou. “Eu me pergunto, o que isso vai fazer com a sua ligação? Com Alice?”
Axel engoliu e cerrava a mandíbula.
“Você acha que ela também vai me ouvir? Que ela vai obedecer?” Roman riu. Seus olhos brilhavam com lágrimas de raiva. “Ou ela ainda vai se recusar a sorrir para mim? Ainda me olhando com aqueles olhos furiosos e enojados.”
“Não toque nela!” Axel rugiu, puxando contra as raízes que o prendiam.
Roman sorriu e balançou a cabeça.
“Eu não vou,” ele disse. “Você vai.”
Axel ofegava, afastando-se de Roman.
Roman sorriu e assentiu, uma lágrima escapando de seu olho.
“Quando você mudar… encontraremos ela, e então você será o que a ferirá,” Roman disse, sua voz embargada enquanto outra lágrima caía de seus olhos. Seu maxilar tremia enquanto ele lutava para manter seu sorriso.
Axel sentiu seu coração cair no peito.
“Você… você vai me fazer matá-la?”
Roman cerrava a mandíbula, engolindo enquanto a expressão dolorida se apoderava. Depois, finalmente, ele respirou fundo e olhou de volta para Axel com um sorriso enlouquecido.
“Eu não posso,” ele sussurrou. “Então, você tem que fazer.”