Ligada a um Inimigo - Capítulo 592
Capítulo 592: Verdade Nua e Crua
“Alice!” Bell gritou.
Segurando o queixo de Alice, Bell forçou-a a olhar em seus olhos.
Bell conseguia ver o pânico e o medo. Ela sabia, sem dúvida, que algo terrível havia acontecido com Axel. Mas, seja lá o que fosse, Alice também deve tê-lo experimentado.
Seu coração batia pesadamente. O que poderia ser? Era Roman? Axel precisava de ajuda? Bell fechou os olhos e respirou fundo, contendo o fluxo de pânico. Ela engoliu o medo pelo irmão e focou em ajudar sua família.
“Alice,” ela disse suavemente. “Preciso que você olhe para mim, me veja, ouça minhas palavras.”
Alice não mostrou sinais de ter ouvido.
Bell lambeu os lábios. Ela não queria pressionar Alice mais do que o necessário, mas não via outra maneira.
“Alice, sua família está em perigo!”
Alice piscou e então olhou para Bell.
Bell respirou fundo; ela tinha a atenção dela agora.
“Escute, agora, sabemos que Talis protegeu sua gravidez da infecção, mas não sabemos se está protegida de qualquer outra coisa,” Bell continuou. “Seja o vínculo ou o estresse de saber que Axel está em perigo, não sabemos como isso irá–”
“Braço quebrado,” Alice sussurrou. “Dentes… através da pele dele, osso se partindo….”
Bell respirou fundo e trancou a mandíbula. Ela fechou os olhos brevemente enquanto o medo em seu coração por Axel crescia, mas ela afastou esse sentimento novamente.
“Alice…” ela a chamou. “Axel é o lobo mais forte que já conheci. As coisas que ele sobreviveu… que ambos vocês sobreviveram. É óbvio por que a Deusa os uniu. A força dele é rivalizada apenas pela sua própria.”
Alice levantou seu olhar, vermelho e inchado, para Bell. Ela estava ouvindo. Bell soltou uma respiração suave antes de continuar.
“É assim que sei que, seja lá o que acontecer lá fora… ele voltará. Ele sobreviverá,” Bell sussurrou, mordendo o lábio inferior com um leve aceno de cabeça.
Alice engoliu e inclinou a cabeça levemente.
“Promete?” ela perguntou baixinho.
Bell sentiu um aperto forte em seu peito. Ela baixou o olhar e trancou a mandíbula, segurando uma queimação repentina em seus olhos.
“Não,” ela sussurrou honestamente, fungando enquanto lutava para segurar as lágrimas.
“Bom,” Alice respondeu.
Bell levantou a cabeça, olhando para Alice com confusão.
Alice não segurou as lágrimas. Em vez disso, seus olhos brilhavam com elas enquanto continuavam a cair em uma corrente constante.
“Confio em você, Bell,” ela sorriu com amargura gentil. “Não faço isso… muito perigoso.”
Bell concordou com a cabeça. Ela entendeu.
“Se você prometesse, teria sido uma mentira,” Alice continuou, sua voz começando a falhar. “Se você mentisse sobre isso… eu não poderia confiar o suficiente em você para ficar aqui.”
O queixo de Alice tremia, suas sobrancelhas franzidas enquanto seu rosto se transformava tristemente. Ela respirou fundo e dolorido enquanto deixava a cabeça pender, e seus ombros sacudiam com a força dos soluços. Bell pressionou os lábios entre os dentes. Seu coração doía por Alice. Ela sabia o quão difícil era escolher deixar a pessoa que amava correr para o perigo, o quão difícil era ficar para trás.
Bell tocou os ombros de Alice, ajudando-a a se levantar. Elas se moviam juntas pelo corredor. Nenhuma palavra foi dita enquanto Alice deixava suas lágrimas fluírem, e Bell a guiava para um quarto vazio ainda lhe dando um ombro para chorar.
Após alguns momentos silenciosos, Bell falou novamente.
“Alice,” ela disse. “Há algo que devemos considerar.”
Alice respirou fundo enquanto Bell se afastava dela e se aproximava do armário de medicamentos. Ela puxou uma chave e o destravou.
“Você quer que eu tome um supressor,” Alice suspirou quando Bell tirou um pequeno frasco laranja.
Bell acenou com a cabeça.
“Normalmente não sugeriria isso,” ela disse. “Não sabemos realmente os efeitos que tem na gravidez. Mas…”
“Mas…” Alice continuou no lugar onde Bell havia parado com um suspiro pesado. “Sabemos que um braço quebrado é a menor das preocupações de Axel enquanto Roman está lá fora.”
Bell engoliu e acenou com a cabeça.
“Essa é a pura e dura verdade,” Bell disse, olhando nos olhos de Alice.
Alice odiava a ideia de suprimir sua conexão com Axel. Por mais que ela entendesse por que Bell estava sugerindo isso, ela não conseguia sacudir o sentimento vazio em seu estômago ao considerar isso.
Por tantos anos, eles foram forçados a suprimir seu vínculo, e escolher fazê-lo… sentia-se como uma traição.
Bell podia ver a preocupação no rosto de Alice.
“Diga-me uma coisa,” Bell disse.
Alice olhou para ela.
“O quê?” ela perguntou.
“O que você acha que Axel quereria?” Bell perguntou.
Alice baixou o olhar, pensando em seu doce garoto. Ela fechou os olhos. Ela quase podia ouvi-lo sussurrando em seu ouvido.
“Por favor…” Axel sussurrou, segurando seu braço junto ao peito enquanto respirava lenta e profundamente e trancava a mandíbula.
Ele se escondeu atrás da árvore, tendo escapado por pouco dos caídos. Seu braço estava mal, mas ele sabia que seria administrável se tivesse mais alguns minutos sem ferimentos.
Mas seu braço era o menor de seus problemas naquele momento. Axel sentia o efeito de sua lesão em Alice. O pânico e o medo. Ele queria alcançá-la, dizer que estava tudo bem. Mas tudo o que ele podia fazer era esperar que ela entendesse.
Um som raspante a poucos metros atrás sinalizava que o caído estava se aproximando.
“Merda…” Axel sussurrou para si mesmo, se esgueirando entre as árvores para aumentar a distância entre eles.
Mas enquanto ele se movia atrás de outra árvore maior, ele viu movimento na escuridão e então o brilho laranja suave.
Axel trancou a mandíbula.
Roman uivou, e Axel soube que sua localização havia sido denunciada.
O caído corria pelas árvores, irrompendo do mato ao lado da grande árvore. Ele se virou com um rosnado e um grunhido.
Lançando-se para frente, a besta tentou morder mais uma vez o braço ferido de Axel.
Axel se esquivou, evitando as fortes mandíbulas da criatura.
À medida que Axel se distanciava, ele sentiu um estalo abrupto e afiado em seu sistema, uma separação. Uma supressão. Ele ofegou com a súbita, perdendo o equilíbrio e tropeçando em uma raiz exposta.
A besta viu e aproveitou a oportunidade. Os olhos de Axel se arregalaram quando as grandes e afiadíssimas mandíbulas do caído se aproximavam de seu pescoço com velocidade relâmpago.