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Ligada a um Inimigo - Capítulo 554

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Capítulo 554: Bem ao Seu Lado

Peter contou para Ashleigh tudo o que sabia sobre a situação atual no Sul. Sobre a queda da Brasa Ardente, a possível perda de Penelope e Mateas, e que Caleb havia partido na noite anterior para liderar a alcateia pelas terras do sul. Uma jornada que provavelmente levaria dez dias e não teria opção real de comunicação.

Ashleigh ouviu cada palavra, mas permaneceu em silêncio.

Myka e Peter a acompanharam até o quarto dela.

Enquanto Peter trocava a linha do soro de Ashleigh, ela continuava mantendo seu silêncio.

— Desculpe — disse Peter, olhando para Ashleigh e depois para a porta onde Myka estava. — Você não deveria ter descoberto dessa forma.

Ashleigh deu um sorriso fraco.

— Não — disse ela suavemente. — Mas foi um erro honesto.

— Os idiotas cometem muitos desses — suspirou Peter, balançando a cabeça enquanto olhava para Myka.

Ashleigh sorriu.

— Você sabia que quanto mais você se importa com alguém, mais irritante você acha essa pessoa? — perguntou ela.

Peter franziu a testa.

— Alguns anos atrás, Bell me contou sobre um idiota no hospital. Como ele a chamava de idiota e pegava no pé dela pelos menores erros — continuou ela. — Fiquei tão irritada. Estava pronta para socar a cara desse cara.

Ashleigh riu.

— Então, um dia, foi exatamente o que eu planejei fazer. Fui ao hospital e observei Bell até ouvir esse cara descontar nela por um erro mínimo que ela cometeu. Agora, Bell sendo Bell, ela retrucou à altura. Eles estavam simplesmente se destruindo um ao outro. E então eles riram.

Peter sorriu.

— Depois, ouvi alguém mencionar para esse cara como a Bell havia errado, e ele imediatamente a defendeu. Foi quando percebi que este cara era tão louco quanto a minha melhor amiga.

Peter riu.

— Eu já vi você interagindo com as pessoas de maneira gentil, doce. Você sempre é um bom médico, mas pessoalmente, você é meio desastre.

— Falar sobre o sujo falando do mal lavado… — zombou Peter.

Ashleigh olhou para ele com surpresa, e então eles dois riram.

— Quanto mais perto você fica das pessoas, mais você tenta afastá-las — continuou ela. — Você faz isso com esses comentários maldosos, os apelidos grosseiros e tentando agir de forma fria.

Peter engoliu em seco e olhou para o lado.

— Mas o problema é — disse Ashleigh — que aqueles de nós que já te amamos, sabemos que é tudo balela.

Peter olhou de volta para ela. Seus olhos estavam úmidos.

— Por dentro, você é um bolinho sensível cheio de amor — sorriu Ashleigh.

Peter fez uma careta para mostrar seu desgosto.

— Definitivamente não — respondeu ele.

— Bem, talvez não, mas você é alguém que ama tão intensamente que espera empurrar os outros para longe antes que eles possam te deixar — ela sorriu, pensando em Alice por algum motivo.

— Talvez… — sussurrou Peter com um sorriso.

— Nenhum de nós vai a lugar algum — disse Ashleigh suavemente — especialmente, não ele.

Peter olhou para Myka. Ele respirou fundo.

— Obrigado — Peter sussurrou.

— Vá — disse ela. — A paz não vai durar muito, e ele está ao seu lado. Então aproveite o tempo que vocês têm.

Peter concordou com a cabeça e garantiu que ela estava confortável antes de ele e Myka se despedirem e saírem juntos pela porta.

À medida que caminhavam pelo corredor, Peter sentiu um aperto no estômago.

— Talvez devessemos visitar Alice enquanto estamos aqui — disse Myka, parando para procurar os números dos quartos.

Peter continuou andando enquanto pensava no que Ashleigh havia dito.

— Peter? — chamou Myka.

Peter olhou para cima, tentando entender por que Myka estava atrás dele.

— Desculpe, eu estava um pouco perdido em pensamentos — disse ele.

— Tudo bem… — Myka respondeu, se movendo para ficar ao lado de Peter. — Você está se sentindo bem? Talvez devessemos apenas voltar para casa. Eu vi Alice esta manhã de qualquer forma.

Peter concordou com a cabeça e eles começaram a caminhar pelo corredor novamente, mas ele continuou pensando no que Ashleigh havia dito, e em Bell também.

Ele amava Myka. Claro que sim. Ele não podia negar isso, não importava quanto tentasse. Mas ele ainda estava tentando afastá-lo? Ele realmente achava que Myka o deixaria?

Ele estava com medo quando Myka lhe contou sobre os planos de ir para Primavera. Ele estava aterrorizado enquanto ele estava fora. E ele não queria sair do lado dele desde que voltou.

Ele estava com medo.

Peter olhou para Myka de relance, pelo canto do olho. Esse idiota bobo de cabelos azuis e um sorriso contagiante. Myka sabia o quanto Peter realmente se importava com ele?

Então Peter fez algo que nunca esperou que faria.

Ele abaixou a mão e pegou a mão de Myka.

Myka olhou para as mãos entrelaçadas e depois para Peter, que continuava olhando para frente enquanto caminhavam.

— Está tudo bem? — perguntou Myka, preocupado.

— Por que não estaria? — resmungou Peter, sem olhar para Myka.

— Peter — disse Myka, parando de andar. — O que está acontecendo?

— O que você quer dizer? — perguntou Peter, ainda sem olhar para Myka.

— Você está segurando minha mão — disse Myka.

— E daí? — respondeu Peter.

— Você nunca segura minha mão.

— Isso é um problema? — perguntou Peter, com um resmungo. — Não posso segurar sua mão?

— Claro que pode, mas você não segue.

Peter suspirou frustrado.

— Eu só… pensei… que você poderia gostar — disse ele baixinho.

Foi então que Myka percebeu um rubor nas bochechas de Peter e no topo de suas orelhas. Ele engoliu.

— Eu gosto… — respondeu Myka.

— Ótimo, então podemos ir agora — Myka, o que você está fazendo?

Quando Peter começou a sugerir que continuassem o caminho para casa, Myka de repente o puxou para uma direção diferente.

— Para onde estamos indo? — perguntou Peter, sendo puxado por Myka pelo corredor.

Myka virou e então abriu uma porta, puxando Peter para dentro.

Peter olhou ao redor; era uma sala de estar usada para famílias de pacientes esperando notícias sobre seus entes queridos.

Myka trancou a porta e virou as persianas, escurecendo a sala.

Peter virou e olhou para ele com preocupação.

— Myka, o que você está fazendo? — perguntou Peter, recuando lentamente.

Myka avançou em sua direção como um predador perseguindo sua presa.

— Peter… — Myka disse. Sua voz estava mais baixa do que deveria.

Peter engoliu, dando mais um passo para trás.

Myka estendeu a mão, envolvendo o braço em torno de Peter e puxando-o com força, de modo que seus corpos se pressionassem um contra o outro.

Myka aninhou sua cabeça contra a de Peter, trazendo seus lábios para levemente beijar e mordiscar o topo da orelha de Peter.

— Você tem alguma ideia do que você faz comigo? —

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