Ligada a um Inimigo - Capítulo 540
Capítulo 540: Para Proteger Sua Família
Myka e Alice pegaram Ashleigh, uma em cada braço, carregando-a túnel acima através da escuridão.
Mesmo que Alice mancasse e lutasse para correr com a lesão em sua perna, Ashleigh estava completamente exausta. A energia que ela havia usado para controlar o poder de Lily e a ferida em suas costas haviam roubado o último de seus reservas.
Eles mal conseguiram chegar ao túnel que subia do centro do monturo antes da explosão.
Alice olhou para trás, na direção escura de onde haviam vindo. Ela franziu a testa e então voltou sua atenção para a saída, ainda a um longo caminho à frente.
“Como é que este túnel não desabou?” ela perguntou. “Você armou todas as cargas. Isso deveria ter sido mais do que suficiente para derrubar esta seção da montanha.”
“Está reclamando?” Myka perguntou com um grunhido enquanto ajustava a posição de Ashleigh em seu ombro.
“Não é uma reclamação, mais uma pergunta,” Alice respondeu com um sibilo enquanto a mudança no peso de Ashleigh puxava seu ombro ainda sensível.
“Você está bem?” Myka perguntou.
Alice apenas resmungou em resposta.
À frente, ele avistou algo no chão.
“Oh! É a mochila da Ashleigh,” ele disse animado. “Ela a deixou cair antes de avançar para ser emboscada. Vamos parar um momento.”
“Uh.. não,” Alice disse firmemente. “Este túnel pode estar aguentando agora, mas não há como saber por quanto tempo. Precisamos chegar à superfície agora.”
“Sério, pare,” Myka disse, parando seus próprios movimentos. “O túnel vai aguentar.”
Alice soltou um gemido mas parou de andar. Juntos, eles colocaram Ashleigh no chão. Myka pegou a mochila e começou a procurar através dela. A primeira coisa que ele encontrou foi o sinalizador de emergência que Axel tinha dado a eles, mas estava quebrado. Myka suspeitava que isso tinha acontecido quando as criaturas morcego o haviam capturado.
“Como você sabe que vai aguentar?” Alice perguntou.
“Sente. Eu preciso enfaixar sua perna,” Myka insistiu. Ele já estava tirando os suprimentos médicos.
Alice fez como ordenado, mas continuou olhando ao redor por qualquer sinal das paredes desmoronando ou tremendo.
Myka primeiro enfaixou Ashleigh, tentando o seu melhor para estancar sua ferida. Depois ele passou para Alice. Ele limpou sua perna e em seguida a enfaixou. Comentando que ela sortuda por a raiz não ter atingido nada importante.
“Você faz parecer que eu tive escolha…” Alice resmungou.
“Tenho quase certeza que isso foi uma ferida isca,” Myka comentou, olhando para Alice com uma sobrancelha levantada.
Alice abriu a boca para argumentar mas fechou e desviou o olhar.
“Só termine o que está fazendo para podermos sair daqui,” ela resfolegou.
Myka deu uma risada.
Alice olhou para Ashleigh, que ainda não mostrava sinais de recobrar a consciência.
“Ela está bem?” ela perguntou.
“O pulso dela está um pouco fraco,” Myka respondeu. “Ela perdeu muito sangue daquela ferida, mas acho que ela está mais esgotada do que qualquer coisa.”
Alice concordou com a cabeça. Ashleigh tinha dito que eles precisavam tornar a luta rápida. Ela deve ter sabido que iria se esgotar ao usar o poder de Lily.
“Você realmente não está preocupado com este túnel desabando a qualquer segundo?” Alice perguntou.
“Está tudo bem,” Myka suspirou, tirando uma garrafa de água e entregando a Alice. “Beba.”
“Como você sabe que está tudo bem?” Alice perguntou, dando-lhe um olhar que dizia que ela não iria deixar para lá.
Myka respirou fundo e soltou devagar.
“Porque a maioria das cargas foram colocadas mais profundamente na montanha… tipo, reto para baixo, a um longo caminho,” ele disse. “A explosão vai desmoroná-la para dentro, não para fora.”
Alice franziu a testa.
“Como elas puderam ser colocadas tão fundo? Você não ficou fora por tanto tempo. Não havia como você ter tido tempo para cavar um buraco ou descer e voltar de um que já existisse.”
“Eu não fiz isso,” ele suspirou. “Eu tive uma ajuda.”
Alice olhou para Myka.
“Estou ficando entediada de ter que perguntar a cada frase. Por favor, apenas me diga o que aconteceu,” Alice suspirou.
Myka riu.
“Eu segui as raízes que saíam da tenda. O pulsar da linha ley vinha da mesma direção,” ele começou. “Foi quando descobri que havia um buraco profundo, que as raízes desciam. Eu coloquei algumas cargas ao redor, mas sabia que para resolver o problema de verdade, eu precisava colocá-las lá dentro.
“Mas não havia como eu fazer isso, e foi quando uma voz, Lian, acredito que era o nome dela, me disse para ouvir.”
“Lian?” Alice perguntou. “Não é essa a que Ashleigh conheceu primeiro? A mãe do Outono?”
“Acho que sim,” Myka respondeu. “Ela disse que só podia falar comigo porque a linha ley estava perto de transbordar para o nosso mundo. Então, enfim, eu fiz o que ela disse, e encontrei alguém para me ajudar.”
“Quem? Não havia mais ninguém dentro do monturo.”
“Havia… uma das criaturas fae… ainda estava respirando, mas morrendo,” Myka respondeu baixinho.
“O quê??” Alice questionou, com os olhos arregalados de choque.
Myka respirou fundo.
Ele explicou para ela o que a Rainha das Sombras havia dito e como ele sentia isso dentro dele, o poder de comandar a criatura, se quisesse. Finalmente, contou a ela como ele pediu ajuda à criatura, e no fim, a besta concordou e até sentiu uma espécie de gratidão ao desaparecer no buraco.
“Acho que ela queria ajudar,” disse Myka. “Como se estivesse feliz em morrer, sabendo que ajudou a detê-la.”
“Uau…” Alice sussurrou. Então olhou para Myka. “Então, você acha que ela está controlando as criaturas fae? Contra a vontade delas?”
“Não todas elas,” ele respondeu. “Mas algumas… a canção delas está quebrada. Interrompida. Como aquele urso na floresta, os híbridos não são parte da natureza… mas outros, como o sapo, estão sendo usados.”
Alice suspirou.
“Isso é péssimo,” ela sussurrou. “Tenho quase certeza de que mesmo fora do controle dela, eles ainda tentariam nos matar, mas é péssimo que eles estejam sendo usados.”
Myka assentiu.
“Por que você não queria me contar?” ela perguntou.
Myka engoliu em seco e desviou o olhar.
“Não tinha certeza de como você se sentiria, sabendo que aparentemente eu posso roubar a vontade de alguém,” ele respondeu.
Alice sorriu e assentiu.
“Entendo,” disse ela. “É assustador. Esse não é um poder que alguém deveria ter.”
Myka assentiu.
“Mas,” ela continuou. “Se eu pudesse confiar em alguém para usá-lo responsavelmente, seria em você.”
Myka olhou de volta para Alice, ela sorriu para ele, e ele retribuiu o sorriso.
“Obrigado,” ele disse.
“Imagina,” ela respondeu. Então ela se endireitou com uma careta de dor. “Agora, podemos por favor nos direcionar para a luz do dia?”
“Espera, o que aconteceu com seu braço?” ele perguntou, notando apenas agora como ela não estava apoiando peso nele.
“Desloquei o ombro,” ela respondeu. “Eu coloquei de volta.”
Myka se inclinou para frente e tocou seu ombro. Ela chiou e bateu em sua mão.
“Alice, você deveria ter me contado! Não está completamente encaixado, e precisamos colocar seu braço em uma tipoia. Como você não disse nada enquanto carregávamos Ashleigh juntos?!”
“Estava encaixado!” Alice argumentou. “Mas depois tivemos que carregar Ashleigh. Pode ter saído de novo. Está tudo bem.”
Myka revirou os olhos.
“Prepare-se,” ele disse.
“Myka, está tudo bem, eu posso–” Alice protestou, mas suas palavras foram interrompidas por um uivo angustiado enquanto Myka recolocava seu ombro no lugar.
A dor cegante e a energia que ela já havia gasto na viagem pelo túnel colidiram, e Alice perdeu a consciência.
“Alice?” Myka chamou enquanto ela tombava para frente contra ele.
Ele a apoiou cuidadosamente contra a parede do túnel.
“Droga…” ele sussurrou. Olhando de um lado para o outro entre as duas mulheres. “E agora, que diabos eu vou fazer?”
Myka suspirou e se encostou contra a parede atrás dele. Não havia como ele poderia carregar as duas para fora. Mas precisava levá-las para a superfície o mais rápido possível.
Enquanto ele sentava lá tentando pensar em como poderia fazer isso, ele ouviu algo, o som de movimento nos túneis vindo da direção da superfície.
Ele se levantou rapidamente. Ele não sabia o que esperar. Seriam híbridos? Monstros fae? Lobos selvagens? Poderia ser qualquer um ou qualquer coisa, mas seja lá o que fosse, ele lutaria como o inferno para proteger sua família.
Ele se posicionou diante das mulheres, segurando um punhal em cada mão. Ele se preparou em posição defensiva enquanto via a luz se aproximando.
“Ali!” ele ouviu um grito.
Poucos segundos depois, ele viu três pessoas correndo em sua direção, ele não as reconheceu, mas eles não pareciam hostis. Ainda assim, ele não os conhecia.
Eles pararam de se mover.
“Uau…” um deles sussurrou, notando as armas. “Calma. Estamos aqui para ajudar.”
“Quem são vocês?!” Myka gritou. “Por que estão aqui?!”
“Abaixe essas malditas armas, seu idiota!” veio um grito do fundo do grupo.
Myka se endireitou, baixando as armas imediatamente.
“Peter?” ele chamou.
Os três homens na frente abriram espaço enquanto Peter se aproximava com uma expressão irritada no rosto.
“Peter!” Myka gritou, largando os punhais e pulando em direção ao seu companheiro.