La Esposa del Demonio - Capítulo 185
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- Capítulo 185 - 185 Mesa de Jantar-I 185 Mesa de Jantar-I O céu estava negro
185: Mesa de Jantar-I 185: Mesa de Jantar-I O céu estava negro como breu e, com o inverno ficando mais frio, Elise podia sentir um calafrio percorrendo sua espinha. Mas o frio não vinha do céu ventoso, pois a lareira estava acesa aquecendo o quarto. Eram as palavras que Ian disse casualmente, que soavam como uma piada, mas eram a pura verdade.
Como se o tempo parasse, Elise encarou os olhos de Ian que retribuíam seu olhar. Eram límpidos e vermelhos como sangue, a mesma cor de seu cabelo. O que Ian disse?
— Matar você? — foram as únicas palavras que Elise conseguiu expressar em seu estado atônito.
Jamais na vida Elise poderia imaginar odiar Ian. Muito menos matá-lo, a pessoa que ela amava.
Ian olhou para ela sem palavras, sentindo o coração dela bater em tristeza e choque: — Havia uma história, uma velha lenda passada por Demônios e humanos. Não sei se a história ainda é contada entre os humanos. É assim: um dia um Demônio desceu ao mundo mortal. Ele era um homem notório — uma pessoa cujas mãos estavam sempre tingidas de sangue. Até que um dia uma família lhe ofereceu sua filha. O Demônio ficou enfeitiçado pela beleza da jovem humana, apaixonando-se perdidamente pela garota sem saber quem ela era.
— A noiva do demônio — Elise completou as palavras, não gostando de como o termo soava encantador, mas fatal.
— As noivas de demônios são humanas, mas o Demônio não sabia disso. Ele acreditava ser o mais forte — nas palavras de Ian, ela viu seu sorriso tornar-se sardônico. — Ele casou-se com a garota feliz, passando seu tempo apenas com a humana, apenas para ser morto por sua própria esposa.
Esse seria o seu futuro? — O futuro deles?
— Mas novamente, isso era só uma história, passada de uma pessoa para outra — disse Elise, recusando-se a acreditar que mataria Ian. Ela confiava em si mesma de que isso nunca aconteceria. Suas mãos, que ela apertava sobre seu colo, apertaram-se ainda mais, amarrotando a saia preta. — Isso não pode ser a verdade.
— É — disse Ian para o desânimo de Elise. — Nem toda história passada de boca em boca é inventada. Humanos adoram criar histórias para fomentar rumores, mas essa não é inventada. O Demônio da história não tinha nome, mas no Inferno ele era conhecido como Sullivan. Um dos Demônios mais fortes.
Elise encarou Ian fixamente: — Por que ela o mataria? — Seria ódio? A mulher poderia odiar o Demônio por arrastá-la para um casamento indesejado.
— Ele cometeu muitos atos malignos no passado, matando humanos um após o outro, isso poderia ser a razão para a raiva da mulher. Não há como saber se eram apenas emoções no início e no fim — respondeu Ian, seus dedos então tocaram as bochechas dela, quentes, e Elise fechou seus olhos direitos.
Elise o ouviu dizer: — Normalmente os humanos não podem matar um Demônio. Eles são fracos, mas humanos podem explorar as emoções de um Demônio — Ian disse, seus lábios formando um sorriso e Elise parou de tentar adivinhar o que esse sorriso significava. — Da maneira como vejo essa história, o Demônio ingenuamente acreditava que a garota humana o amava de todo o coração, respondendo a seus sentimentos e se apegando às emoções do amor. Pensando que seria para toda a eternidade, enquanto estava cego para o ódio da garota.
Uma história trágica. Elise não podia dizer quais as emoções, situações e amor que o demônio tinha pela garota e vice-versa, mas não podia deixar de pensar nisso como uma história de tristeza.
Ela estendeu a mão, pegando a de Ian para seu colo, e seus olhos se encontraram: — Nunca vou te matar.
Ele puxou sua cintura, trazendo-a para mais perto: — Eu sei que você nunca faria isso, não tenho a menor dúvida de que minha noiva me mataria. Essa é a história dos outros, não a nossa. Nós não vamos seguir o caminho deles ou repetir os erros que outros encontraram, afinal, não somos esquilos. O poder que você tem agora. Pode ser um dos dons dados por Deus. Você já descobriu como usá-lo? — Ian a questionou como se soubesse que Elise havia tentado transformar a chave em cinzas momentos atrás.
Elise assentiu, ela se lembrou da sensação das cinzas em suas mãos, assim como em seu sonho
— Acho que é para converter os itens que seguro na minha mão de volta ao que eram antes, fazendo as coisas progredirem ou regredirem, com a última opção sendo transformá-las em cinzas — explicou ela.
— E isso é altamente centrado na sua raiva como gatilho — concluiu Ian os pensamentos de Elise.
Ian disse a ela para ser honesta e aproveitando a oportunidade, Elise falou: — Estou com medo de que meu sonho seja verdade. Ele mostrou meu poder — não é limitado a coisas inanimadas, mas também a coisas vivas. — Poderia ser esse o poder que Deus deu para matar Ian? Então ela o transformaria em cinzas?
Se for assim, mais do que Elise pensou, Deus era um ser desalmado.
Por um instante, os olhos de Elise mergulharam na visão onde Ian havia desaparecido. Ela ficou parada sem expressão com a mão ao lado do corpo. Seus olhos fitavam as roupas de Ian espalhadas no chão com cinzas ao redor — suas cinzas após contato com a mão dela.
— Eu não morro — declarou Ian a Elise, trazendo de volta seu doce amor de uma imaginação que espiralava fora de preocupação. Ele poderia dizer que por um segundo Elise imaginou ele se transformando em cinzas enquanto o coração dela batia em som aterrorizante.
Ele puxou a mão dela, trazendo-a para sua bochecha para Elise sentir o calor. — Eu não morro tão facilmente assim, Elise. Se fosse só isso para me matar, eu não estaria aqui — diante de você agora.
Elise não respondeu para processar o pensamento e apenas encarou Ian enquanto ele puxava sua mão para o peito dele. Ela sentiu o coração dele bater. — Tente — ordenou Ian.
Elise quase imediatamente puxou a mão, mas Ian não permitiu que ela o fizesse. — Vá em frente, tente. Pense na morte da sua família, Elise. Despeje seu ódio em mim. O seu ódio e raiva, eu os aceitarei todos.
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