Jogos da Rosie - Capítulo 118
118: Ao vivo 6 118: Ao vivo 6 O IMPÉRIO ASTER
Desde aquela noite, Dorothy vinha sofrendo de crises de dor e isso nunca seria aceitável para Victoria. O fato de sua filha sofrer era por causa daquela mulher! Rosalinda!
O mínimo que Victoria poderia fazer era mostrar à filha o cadáver para que Dorothy pudesse queimá-lo e alimentar o resto aos cães.
— Você tem certeza de que a queda a teria matado? — perguntou Victoria pela enésima vez.
— Sim. Tenho certeza disso. As rochas são afiadas, teriam transformado ela em carne moída num instante. Meu palpite é de que o corpo tenha sido levado pela chuva e pela enchente. A chuva estava bastante forte naquela época e, se não fosse por isso, nosso povo teria imediatamente descido o penhasco para recuperar o corpo dela.
— Mesmo assim, quero ver o corpo. Qualquer parte dela bastaria. Seja a cabeça, ou os dedos dos pés, ou o cabelo. Qualquer coisa!
Houve um breve silêncio antes de Loren começar a falar novamente.
— O mestre tem feito perguntas sobre a cura. Ele disse que talvez haja alguém que possa ajudar a Senhorita Jovem, mas não sabemos se funcionará. Por enquanto, o mestre está averiguando o assunto.
— Algo que poderia curar Dorothy? — A raiva de Victoria desapareceu. — Onde?
— No mercado negro.
Victoria franziu a testa. Todos os tipos de coisas poderiam ser encontrados naquele lugar, mas isso não significava que fosse verdade. Ela precisava falar com seu pai pessoalmente o mais rápido possível. No entanto, ela precisava fazer isso em segredo.
Apenas alguns dias atrás, duas mulheres chegaram para Martin. Desde então, Martin tem estado em seus quartos e passado as noites com elas. Amanhã, chegariam mais duas mulheres.
— Loren… Eu li nos livros que uma vez que o Abençoado daquela geração morresse, alguém daquela geração seria capaz de substituí-lo. Estou certa? — Ela não estava muito certa sobre esse assunto, pois nunca havia acontecido antes. Pensou que tivesse lido em algum livro no escritório de Martin, mas já havia esquecido de qual livro se tratava.
Ela não queria perguntar a Martin sobre isso agora, pois não queria tornar o homem desconfiado.
— Sim. Foi isso que os livros disseram.
Victoria assentiu. Novamente, os livros foram filtrados pelas Famílias Abençoadas. Ela não podia realmente confiar na informação.
— Você conhece alguém… que poderia verificar essa informação? — perguntou ela.
— Há um feiticeiro nas favelas, mas ouvi dizer que ele acabou de deixar sua casa e está atualmente viajando. No entanto, eu poderia pedir ao nosso povo para encontrar outra pessoa para verificar essa informação.
Victoria assentiu com isso. Se isso fosse verdade, então… Ela não pode deixar que aquelas mulheres tenham o filho de Martin. Seus olhos se estreitaram.
— Eu me pergunto — murmurou ela. — Você tem algum medicamento que possa interromper uma gravidez? — Ela não poderia arriscar Martin ter outro filho. Seria melhor prevenir desde o início.
— Eu posso conseguir algum.
Ela virou-se para ele. — Você já sabe o que fazer, certo?
Loren assentiu. Em resposta, ela acenou com a mão.
No entanto, assim que Loren desapareceu, a porta se abriu com um estrondo.
Martin entrou, com uma expressão sombria.
— É verdade? — ele olhou para a Dorothy adormecida antes de encarar Victoria.
— Do que você está falando!?
— Ela está com a maldição? — ele perguntou.
— Eu— Como ele descobriu? Ela garantiu que todos soubessem que Dorothy estava doente por causa das viagens. Ela—
— É verdade!?
— Sim, é. — Victoria rangeu os dentes. Não havia mais sentido em esconder esse assunto. Em breve, Martin e os outros saberiam a verdade.
— Como.
Victoria engoliu em seco.
— Responda-me!
— Foi Rosalinda!
— O quê?
— Eu sei que você ficaria irritado, mas eu—
— O sequestro foi encenado — ele concluiu enquanto finalmente ligava os pontos. Seu rosto ficou ainda mais sombrio. — Você se atreveu a se machucar para punir Rosalinda!? — perguntou incrédulo.
— Você não entende…
— Ah, eu entendo. Entendo tudo. Você não pode aceitar o fato dela se casar com um Duque enquanto sua filha está presa a esse Delibar! Você— Victoria— como você pode fazer algo tão estúpido!?
— Rosalinda não passa de um membro inferior da família! O que há de errado em matá-la?
— Você perdeu a cabeça?
— Sim!
— Você—
— Por que minha filha tem que sofrer por causa daquele Duque!? Mesmo que ele não gostasse da minha filha, por que ele teve que fazer aquilo? Ele merece ser punido!
— Então você o incriminou.
— Eu tinha que fazer isso! Você não está fazendo nada para vingar sua filha! Fui eu a única que ficou ao lado dela. Eu fui a única que se importou! Todos vocês a abandonaram quando ela não recebeu a Bênção!
— Eu nunca faria isso com minha—
— Você já fez, Martin! — disse Victoria. — Você já fez. Você nos esqueceu e se tornou como seu pai! Obcecado pela Bênção!
— Sem ela, não há família Lux — disse Martin. — A Bênção é o que nos faz quem somos! Você não vê isso? Por que você sempre pensa somente em si mesma? Você sabia que a morte de Rosalinda poderia facilmente desencadear uma guerra se o Duque quisesse? O fato de você ter dito a todos que viu alguém vestindo o uniforme do Duque foi o suficiente para causar uma guerra!
— Eu—
— Não me diga que você fez isso apenas por causa de Dorothy—
— Podemos falar sobre esse assunto em outra ocasião? Pelo menos não agora. — Victoria implorou. — Rosalinda feriu Dorothy com uma arma amaldiçoada. Precisamos encontrar alguém que possa curá-la.
— Isso é impossível. Nem mesmo o pai nem eu poderíamos curar uma maldição das trevas causada por uma arma amaldiçoada. A menos que, é claro, a arma não fosse tão forte assim. Mas estou supondo, apenas pela quantidade de escuridão que consigo sentir, que a arma que Rosalinda usou era potente e tinha matado pelo menos algumas centenas de pessoas. — A expressão de Martin piorou. — No entanto… pode haver uma maneira.
— Qual é? — ela perguntou.
— A arma. Encontre-a.
…
4/5