Imortal Imperatriz do Gelo: Caminho para a Vingança - Capítulo 795
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795: Competição de Discípulo Primário: Reflexões 795: Competição de Discípulo Primário: Reflexões A Sombra Própria dedicou um momento para estudar Mira. Seus traços, embora espelhando os de Mira, possuíam uma qualidade etérea, suas expressões quase oníricas. “Posso te ensinar sobre as partes de você mesma que você ignorou ou suprimiu, as facetas que escolheu descartar na busca pelo poder. As lições serão desafiadoras, mas podem ser inestimáveis.”
Mira mudou de posição, preparando-se para qualquer coisa. “Mostre-me.”
A floresta escureceu ainda mais, a escuridão parecendo emanar da Sombra Própria. As árvores ao redor tornaram-se quase imperceptíveis, suas formas se fundindo na escuridão.
A Sombra Própria começou a circular Mira, seus movimentos fluidos e sem pressa. “Toda pessoa, todo cultivador, tem um lado escuro. Não necessariamente malévolo, mas oculto. Pensamentos e emoções que não são agidos ou mesmo reconhecidos. Sonhos descartados, medos não desafiados. É aí que eu entro.”
A cada palavra, Mira sentia como se estivesse sendo levada mais fundo em sua psique, enfrentando memórias e sentimentos que ela havia trancado. Ela se viu como uma criança, sua inocência justaposta à guerreira endurecida que se tornara. Ela reviveu momentos de medo e dúvida, momentos em que questionou seu caminho e os sacrifícios que havia feito.
“Chega,” Mira estalou, quebrando o domínio da visão sobre ela. “Qual é o ponto de tudo isso?”
A Sombra Própria pausou sua dança e olhou profundamente nos olhos de Mira. “O ponto é entender. Para verdadeiramente dominar seus poderes, você deve se dominar. E para fazer isso, você deve confrontar cada parte de você, até mesmo aquelas escondidas nas sombras mais profundas.”
Mira cerrou os punhos. Ela não tinha medo do seu passado, mas odiava se sentir vulnerável. No entanto, ela também percebeu a sabedoria nas palavras da Sombra Própria. Se ela ignorasse ou rejeitasse partes de si mesma, como poderia afirmar ser verdadeiramente poderosa?
Recorrendo à sua afinidade recentemente fortalecida com a Luz, Mira projetou uma aura radiante ao seu redor, empurrando contra a escuridão opressiva. “Tudo bem. Vamos fazer isso. Mas não quero apenas memórias. Mostre-me o que eu preciso enfrentar.”
A Sombra Própria pareceu aprovar sua determinação. “Muito bem. Prepare-se.”
No momento em que a Sombra Própria falou, a floresta ao redor de Mira começou a mudar e distorcer. A escuridão formou três caminhos distintos, cada um levando a um aspecto diferente de seus medos mais profundos.
O primeiro caminho abriu-se em um belo jardim cheio de flores em flor e o som distante de risadas. Mira sentiu um puxão em seu coração ao ver figuras que reconheceu de suas reencarnações passadas.
Essas eram pessoas que ela havia amado e que a tinham amado em troca. Seus sorrisos e gestos a atraíram para mais perto, evocando um calor que ela havia tentado suprimir por muito tempo.
No entanto, à medida que ela se aproximava, cada figura começava a desmoronar, se transformando em pó e sendo levada pelo vento. A dor de sua perda, amplificada dez vezes, pressionava sobre ela, pesando em sua alma.
“O amor é uma emoção poderosa,” a Sombra Própria sussurrou. “Mas também é frágil. Você teme a dor que ele traz, a possibilidade de perda, a vulnerabilidade que exige.”
Mira manteve-se em silêncio, mas seus lábios tremiam.
“E ainda assim, o amor também pode ser uma fonte de força,” a Sombra Própria contrapôs. “Para superar esta provação, você deve enfrentar esse medo de frente.”
Mira respirou fundo, se fortalecendo. Cada passo parecia uma eternidade enquanto ela atravessava o jardim. O peso de inúmeras vidas pesava sobre ela, cada uma ecoando com as agonias do amor perdido e laços rompidos.
“Por quê? Por que me mostrar isso?” Mira sussurrou, sua voz carregada de emoção.
A Sombra Própria permaneceu próxima, uma mera sombra entre as muitas que brincavam no chão. “Negar esse aspecto de si mesma é rejeitar uma parte do seu ser. Abraçar o amor é abraçar a própria vida, em toda sua complexidade bela e dolorosa.”
Uma memória reluziu diante dela. Uma jovem mulher de sua terceira reencarnação, seus olhos transbordando de calor e amor. Eles haviam prometido enfrentar o mundo juntos, de mãos dadas. Mas o destino foi cruel, e ela foi tirada dela em um trágico giro dos eventos. A angústia dessa perda fizera com que ela jurasse nunca mais amar tão profundamente.
Outra memória de sua quinta vida: uma menininha com seus olhos, chamando-a de ‘mãe’ com pura alegria. Um amor tão profundo que parecia que seu coração poderia explodir. Mas isso também fora arrancado, deixando um vazio que nunca cicatrizou completamente.
Essas memórias, e incontáveis outras, pintavam uma tapeçaria de alegria exquisita e tristeza devastadora. Os altos do amor eram etéreos, mas os baixos eram devastadores.
A Sombra Própria guiou-a até o centro do jardim, onde uma grande árvore antiga se erguia. Sua casca trazia as marcas do tempo, com cicatrizes profundas e feridas recentes. No entanto, no meio das cicatrizes, brotos verdes frescos emergiam, símbolos de nova vida e esperança.
“Esta árvore representa seu coração,” a Sombra Própria entoou. “Cada marca, cada cicatriz, conta uma história. Mas também cada novo broto e folha. O amor já a machucou, sim, mas também a fez crescer, evoluir e se fortalecer. Você pode nunca mais ser a mesma novamente, mas enterrar isso é rejeitar uma parte de si mesma. Não deixe o passado moldar seu futuro; viva no presente.”
Mira aproximou-se e tocou a casca da árvore, sentindo a energia antiga pulsar sob seus dedos.
Então, como se tivesse atingido um estado de transe, ela abriu a boca. “Eu tenho medo,” ela admitiu inconscientemente. “Medo da dor, da perda. Mas também… medo da alegria. Porque a alegria torna a dor ainda mais insuportável.”
A Sombra Própria assentiu. “E isso é válido. Mas ao se fechar para esses sentimentos, você também se fecha para o seu poder de cura. O amor que você sentiu em suas vidas passadas e o amor que você sentirá no futuro fazem parte da sua jornada. Abrace-o, aprenda com ele, e deixe que ele a guie.”
Fechando os olhos, Mira se encostou à árvore, permitindo que sua força a envolvesse. Memórias de amor, tanto amargas quanto doces, a inundaram. Ela viu os rostos daqueles que amou e perdeu, seus sorrisos, suas lágrimas. E com cada memória, ela sentiu um pedaço de seu coração se curar.
Depois do que pareceu horas, Mira se ergueu, seu rosto sereno. O peso em seu peito sentia-se mais leve. Não era que ela estava miraculosamente curada, mas fazer essa jornada pela memória havia permitido que ela fizesse uma pausa em toda a loucura ao seu redor e fizesse um pouco de introspecção.
Restava muito a fazer e ver, pois ela havia vivido por muitos anos, mas era um passo na direção certa. Ela caminhou além da árvore, querendo continuar esse ‘julgamento’ e ver onde ele a levaria.
Eventualmente, tudo isso se transformou em poeira, e uma nova cena surgiu diante dela.
Os passos de Mira a levaram a um mercado movimentado.
Enquanto ela vagueava, cada indivíduo que encontrava mostrava-lhe atos de bondade: um comerciante presenteando-a com frutas frescas, crianças correndo para lhe dar flores, e idosos a abençoando.
Cada ato a deixava mais desconfortável que o último, lembrando-a das pessoas que ela se preocupava e daquelas que se preocupavam com ela, apenas para ter suas vidas arrancadas diante de seus olhos. Tudo porque aquele demônio que se chama a si mesmo de ‘deus’ queria quebrá-la. Para fazê-la passar por dificuldades.
De repente, uma mão sombria se estenderia e arrastaria essas pessoas para a escuridão, seus gritos ecoando em seus ouvidos. A culpa, a responsabilidade por suas mortes, a consumia.
“O cuidado traz apego e, com ele, a possibilidade de dor,” a Sombra Própria murmurou. “Você construiu muros ao seu redor, temendo a maldição do seu cuidado.”
O coração de Mira parecia prestes a sair do peito. O mercado movimentado ao seu redor continuava, alheio à sua presença. As visões e sons, outrora preenchidos de calor, agora a atormentavam com cada vida roubada.
“É tão errado não querer passar por essa merda e focar em ficar mais forte?” Mira questionou acima do cacofonia de ruídos. “Toda vez que penso em me importar, eles sempre são tirados de mim logo quando as coisas começam a melhorar. É como se o universo estivesse me punindo por ser humana…”
A Sombra Própria se aproximou mais, sua forma se tornando mais tangível em meio ao caos. “Não se trata de punição, Mira. Trata-se de entender a natureza impermanente da existência. Todo mundo e tudo tem seu tempo. Seu sofrimento surge da expectativa de que as coisas devem permanecer estáticas.”
Ela riu. “Fácil para você dizer. Você é apenas um fragmento da minha psique.”
O olhar da Sombra Própria permaneceu impassível, suas características sempre mudando, ainda que estranhamente familiares. “Eu sou você, Mira. Conheço sua dor porque é nossa dor. O universo não é deliberadamente cruel, mas é indiferente. Cabe a você encontrar significado em sua vastidão. Apatia não é a resposta.”
O mercado começou a dissolver-se, substituído por uma vasta extensão estrelada. As galáxias giravam ao seu redor, iluminando a imensa enormidade da existência. Comparada à vastidão do universo, seus problemas pareciam quase insignificantes.
“Você carrega um fardo pesado, um que poucos podem verdadeiramente entender,” a Sombra Própria sussurrou, sua voz ecoando no vazio. “Mas você não pode se proteger do mundo para sempre. Cuidado e apego fazem parte da experiência humana. Abraçá-los completamente, sabendo que a perda é inevitável, é onde reside a verdadeira força.”
Mira olhou para as estrelas, lembrando-se de todas as vidas que havia vivido e de todas as pessoas que havia conhecido. As memórias eram agridoces, mas também um testemunho de sua resilência. Apesar das inúmeras tragédias, ela continuava a perseverar.
Tudo o que a sombra dizia era verdade, mas as coisas seriam tão fáceis de mudar? No momento, a única coisa que ela SE IMPORTAVA era com a força. Claro, ela gostava da Dominique, e a companhia da Maria era refrescante, mas se elas não fossem fortes ou pelo menos não tivessem o potencial para ser, isso não importaria.
Ela nunca aceitaria alguém que não pudesse segurar para a eternidade. Alguém que não pudesse cuidar de si mesmo.
É por isso que ela estava secretamente feliz que Maria saiu para se encontrar. Ela não queria ter que continuar alimentando Maria com oportunidades. A mulher precisava obter as suas próprias.
…No entanto, como sua vida e morte são desconhecidas no momento, esses sentimentos podem ter sido em vão.
Mas ela mantinha a esperança – A esperança de que ela não tenha realmente matado sua amante!
Depois de permitir que Mira ponderasse sobre algumas de suas preocupações e inseguranças mais profundas, a sombra estalou seu dedo, e a cena mudou.
Agora, ela estava presa em uma cela, seus braços, pernas e pescoço acorrentados.