Imortal Imperatriz do Gelo: Caminho para a Vingança - Capítulo 781
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- Capítulo 781 - 781 Competição de Discípulo Primário Escadaria Dupla Parte 2
781: Competição de Discípulo Primário: Escadaria Dupla Parte 2 781: Competição de Discípulo Primário: Escadaria Dupla Parte 2 No momento em que Mira entrou nos Degraus do Tormento Abissal, a atmosfera mudou drasticamente. Era como se ela tivesse cruzado a fronteira para um universo diferente.
A luz ambiente que uma vez a cercava foi completamente consumida pela escuridão, e toda a energia vibrante do ambiente foi substituída por uma quietude sufocante.
O primeiro desafio foi imediato. À medida que ela avançava, uma onda de emoções intensas a invadiu.
Ela sentiu o peso de cada emoção positiva que já havia sentido sendo drenado dela.
O amor que tinha por seus companheiros, a esperança que sentia pelo futuro, a alegria de cada conquista desapareceu, e a vontade de seguir em frente foi substituída pelo frio abraço do desespero, da solidão e da falta de esperança.
No entanto, ela estava acostumada a se fechar em si mesma e a viver como uma máquina insensível. Então, sem hesitação, ela deu outro passo.
Mas ela havia entendido mal o tema deste julgamento.
Ao pisar no degrau de número 1252, Mira sentiu algo invadir sua mente e sugar todas as coisas boas que aconteceram em sua vida. Seu amor por Maria, seu cuidado por Dominique, as doces memórias de suas vidas passadas que mantinha trancadas, e a razão que tinha para viver. Tudo estava indo pelo ralo.
Simultaneamente, depressão, ódio, tristeza e desespero inundavam sua mente.
O pulso de Mira acelerou, cada batida do coração ecoando o vazio crescente dentro dela. A absoluta escuridão ao redor parecia rastejar sob sua pele, envolvendo com dedos frios cada fragmento de alegria e amor que ela já havia sentido.
‘Isto é apenas um julgamento. Eu já passei por coisas piores,’ ela pensava desesperadamente, tentando se agarrar às memórias que escapavam. Mas quanto mais ela lutava, mais rápido elas pareciam desaparecer. Os ecos das risadas de Maria, o calor do toque de Dominique, e as inúmeras alegrias de suas vidas passadas – tudo se dissolvia como se fosse consumido por um buraco negro insaciável.
As sensações eram nauseantes. Era como uma queda sem fim em um poço sem fundo, onde cada tentativa de se agarrar ao conhecido e amado só acelerava a descida.
Mesmo assim, agora que ela havia entrado, não havia retorno, e a única saída era atravessar.
Assim, contra seu melhor julgamento, seu pé caiu no degrau de número 1253.
As sensações só pioravam, mas Mira tentava não se concentrar nelas, querendo apenas passar por isso o mais rápido possível.
Com o passar do tempo, os passos de Mira ficavam mais lentos, cada um se tornando mais pesado que o anterior. As vibrantes memórias às quais ela se agarrava estavam lentamente sendo obscurecidas, desbotando para um cinza.
As risadas que ela compartilhava com seus companheiros foram silenciadas, substituídas pelos sussurros dissonantes da desolação. O calor que ela sentia em sua camaradagem foi extinto, substituído por um frio intenso e penetrante que envolvia seu coração.
Visões passavam diante dos seus olhos, sombras distorcidas de seu passado. Os dias outrora brilhantes e alegres, onde ela e sua irmã riam e brincavam juntas, se tornaram distorcidos e distantes. Cada rosto que ela se lembrava agora era um quadro em branco; seus sorrisos e vozes estavam distorcidos e desapareciam até que se tornassem irreconhecíveis.
Os campos verdejantes pelos quais ela corria com o vento nos cabelos se tornaram terras áridas desprovidas de cor e vida.
As noites sob o céu estrelado, cheias de histórias e sonhos, agora eram um vazio opressor que ameaçava engoli-la inteira.
O sabor da vitória, a emoção de superar um desafio, o orgulho de suas habilidades – tudo foi tirado, substituído por um vazio roedor que queria nada mais do que engoli-la inteira.
Era uma experiência sufocante, como estar submerso nas profundezas do oceano onde nenhuma luz podia penetrar, e cada tentativa de nadar para a superfície era recebida com a pressão esmagadora da água acima, arrastando-a ainda mais para o abismo.
Uma aperto tomou conta do seu peito. Lágrimas ameaçavam transbordar, mas não eram lágrimas de tristeza. Eram a manifestação da emoção crua sendo arrancada à força dela. Cada lágrima que caía parecia um pedaço de sua alma sendo arrancado.
No entanto, em meio ao vazio angustiante, um sussurro fraco ecoou dentro de sua alma. Era a presença etérea de sua Alma Nascente, embora distante e aparentemente fora de alcance.
Mesmo em meio ao torrente de emoções negativas, permanecia um farol, emitindo uma luz suave e cintilante, quase como se estivesse sinalizando para ela se agarrar àquele tênue brilho de esperança.
Em meio à cacofonia do desespero, cada passo que Mira dava nos Degraus do Tormento Abissal era um testemunho de sua resiliência. Mas a cada descida, a esperança oferecida pela suave luminescência de sua Alma Nascente se tornava mais fraca.
‘Mais um passo. Apenas mais um,’ ela sussurrava para si mesma a cada movimento trabalhoso, tentando encontrar força na repetição. Mas ao pisar no degrau de número 1275, um avassalador sentimento de perda a envolveu.
Memórias de sua primeira jornada, das lições que havia aprendido, e das pessoas que havia admirado desvaneceram para ecos distantes, sua sabedoria e orientação evaporando como névoa sob um sol escaldante.
No degrau de número 1300, os cheiros de sua infância — o pão fresco do mercado, o cheiro da chuva na terra seca, o aroma reconfortante do perfume de sua mãe — foram substituídos por um nada estéril, um vazio desprovido de qualquer experiência sensorial.
O degrau de número 1325 trouxe consigo uma sensação de afogamento como se estivesse sendo submersa em um oceano de piche; cada movimento era penoso, cada respiração uma luta. A risada prateada das crianças, o abraço reconfortante dos entes queridos, os momentos fugazes de alegria pura e desenfreada — tudo estava afundando, deixando para trás um frio entorpecedor e gelado.
No degrau de número 1350, as melodias que ela guardava perto — as canções de ninar que sua mãe cantava, os hinos de batalha de seus companheiros, até mesmo o batimento cardíaco que ressoava com sua alma — foram silenciadas, substituídas por um silêncio abrangente que ameaçava ensurdecer.
Com o degrau de número 1375, até mesmo seu senso de identidade começou a vacilar. As convicções que a moviam, as crenças que ela prezava, a essência de quem era Mira — tudo se tornou borrado como se ela estivesse olhando para seu reflexo em um espelho embaçado, incapaz de reconhecer a figura que a encarava de volta.
Cada passo subsequente intensificava sua desconexão com a realidade, e seus arredores se transformavam em uma paisagem em constante mutação de desolação. Penhascos imponentes de tristeza, oceanos de remorso e céus pintados com angústia se tornaram sua nova realidade.
Ainda assim, em meio ao ataque implacável, o sussurro de sua Alma Nascente persistia, crescendo em urgência a cada passo. Mesmo quando a luz que emitia parecia mais distante, seu apelo era claro: Aguente firme. Lembre-se.
A voz etérea de sua Alma Nascente, que havia sido um constante lampejo de esperança em meio à escuridão avassaladora, começou a se distanciar e se distorcer.
Transformou-se de sua cadência terna e familiar num tom mais assertivo e às vezes até comandante. A cada passo que ela dava, a voz dentro de sua alma ressoava, não como um sussurro encorajador, mas como um estímulo vigoroso, empurrando-a para frente quando sua própria força diminuía.
E diminuiu.
A jornada nos Degraus do Tormento Abissal se transformou de uma descida árdua em uma rastejada brutal.
Seus joelhos fraquejaram, e ela se sentiu cambaleante na beira da consciência. O peso do desespero e a atração do abismo pareciam insuperáveis.
Ela já não se movia com propósito, mas por um sentido desapegado de obrigação, quase como uma marionete cujos fios eram manipulados por uma mão invisível.
Ao chegar no degrau de número 1399, Mira era pouco mais que uma casca.
O espírito radiante e a vontade indomável que uma vez a caracterizavam estavam ausentes. Em seu lugar, um fantoche vazio se movia, cada passo mais vacilante que o último.
Era menos uma caminhada e mais uma série de tropeços, seu corpo chocando-se contra a pedra fria a cada descida.
Então, quando seu pé fez contato com o degrau de número 1400, uma mudança profunda aconteceu. Uma radiação etérea envolveu seu ser, originando-se nos recônditos mais profundos de sua alma. Era a Alma Nascente, e naquele momento crucial, uma luz se expandiu, protegendo Mira do vazio opressivo ao seu redor.
A escuridão opressora recuou momentaneamente, substituída por uma aura revigorante. Era como se ela tivesse sido submersa em águas cristalinas e frescas, cada gota impregnada com memórias e emoções que ela pensou estarem perdidas.
A sensação durou não mais que um batimento cardíaco, mas a clareza que trouxe foi incomparável.
No entanto, quando ela abriu os olhos, o que viu ameaçou despedaçar o fragmento de esperança que acabara de redescobrir.
À sua frente estava Maria, sua bela amante loira. Ela parecia tão real quanto a última vez que Mira a viu, com os mesmos cabelos loiros derramando-se em suas costas e olhos que brilhavam como o céu azul mais claro.
“O que está acontecendo, Mira? Onde estou? Como vim parar aqui?” A voz de Maria estava tingida de confusão e preocupação. Ela estendeu a mão, dedos tremendo, tentando se agarrar a Mira.
O coração de Mira doía, dividido entre a alegria de ver Maria e a agonia de entender que isso poderia ser mais um truque cruel dos Degraus do Tormento Abissal. No entanto, Maria parecia real demais para que ela dissesse que não era uma armadilha.
“Maria… Não, você não é real. É impossível que você esteja aqui.” Mira sussurrou, sua mão estendendo-se para sua foice. “Você é apenas uma ilusão. Um teste para me quebrar.”
Ela olhou para Maria com intenção assassina e resolução, apesar da dor no peito.
Maria viu o olhar nos olhos de Mira e percebeu que ela não estava brincando.
“Espera! Mira! O que você está fazendo?! Como pode dizer que não sou real?!” Maria recuou até bater na parede atrás dela. “Se eu não sou real, então como posso me lembrar do nosso primeiro encontro na floresta fora da Cidade Lunar da Raposa? Eu fui abandonada e fui salva por você!”