Filha da Bruxa e o Filho do Diabo - Capítulo 107
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107: Frutas Silvestres 107: Frutas Silvestres “Para mim, parece que alguém está se compadecendo de uma pobre menina porque ela faz com que ele se lembre do seu próprio passado,” comentou Arlan. “Mas ainda assim, tenho certeza que há mais nisso.”
A caneta na mão de Drayce parou no meio da escrita. Ele não respondeu, seus olhos vermelhos apenas encaravam intensamente o pergaminho na mesa.
Arlan observou sua expressão. “Você não pode dizer isso?”
“Mesmo eu não tenho certeza,” respondeu Drayce após algum tempo.
Uma vez que ele respondeu dessa forma, Arlan não insistiu e fez uma pergunta diferente, “Me diga sinceramente, se o Rei Armen não concordar em lhe dar sua filha e todas as previsões que fizemos sobre a guerra estiverem certas, você ainda ajudará Abetha a lutar contra Thevailes?”
Drayce fez uma longa pausa antes de responder com uma carranca. “A Terceira Princesa jamais voltará a pisar neste reino depois disso.”
Arlan entendeu o que seu amigo queria dizer. Se a guerra realmente estourasse, Drayce ainda ajudaria, pois era do interesse de Megaris, mas isso viria com um preço terrível — e quando isso acontecesse, ele levaria a Terceira Princesa com ele a todo custo e nunca permitiria que ela retornasse.
Antes que Arlan pudesse continuar com suas perguntas, Drayce o interrompeu. “Eu quero saber sobre a serva que servia a Terceira Princesa.”
“Por quê?” Arlan perguntou confuso. Ele sabia que Drayce mudou o assunto e deixou passar. Se ele não queria contar, então não forçaria a barra.
“Apenas descubra sobre ela,” Drayce instruiu, sem responder o ‘por quê’.
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Dentro de sua câmara, Seren tomava sua refeição matinal acompanhada e auxiliada por uma águia marrom como antes. Ela parecia melhor do que antes, pois seus olhos, que aparentavam perdidos e sem vida, de alguma forma recuperaram seu brilho.
Após discutir as condições da guerra com Arlan no escritório de seu pai, como um irmão preocupado, Cian veio visitar Seren antes de começar com suas obrigações do dia.
O dia seria mais uma vez torturante para ele. O Rei de Megaris estava inflexível em casar sua irmã e parecia que todos, exceto ele e seu pai, estavam contra esse casamento apressado. Como irmão, ele queria negar isso, mas como o Príncipe Herdeiro de Abetha, ele tinha muitas considerações e responsabilidades diversas das quais nunca poderia abrir mão.
“Seren,” Cian a chamou tão gentilmente quanto pôde. Como esperado, sua presença não provocou nenhuma reação nela.
Da última vez, ela aceitou a água dele, então ele estava esperançoso de receber alguma resposta dela novamente.
“Você nem sequer vai olhar para o seu irmão?” Cian perguntou conforme se aproximava, cuidadoso para não assustá-la. “Eu trouxe essas amoras silvestres para você. Você gosta delas, não gosta?”
Cian colocou uma pequena caixa de madeira cheia de amoras frescas na cama diante dela, e esse pequeno gesto fez com que ela olhasse para ela.
“O irmão se desculpa por estar ausente e não poder cuidar de você. Tudo bem se você não me perdoar, mas pelo menos diga algo.”
Tristeza podia ser ouvida em cada palavra sua, e isso era especialmente verdade para as duas enfermeiras que estavam perto o suficiente para ouvi-lo. Elas não puderam deixar de sentir pena do Príncipe Cian, pois foram testemunhas silenciosas de todas as interações que a princesa teve dentro do quarto.
Elas pensaram em dar algum tempo sozinhos aos irmãos, então foram para o outro lado do quarto, fingindo estar arrumando algo o mais distante possível da cama de Seren.
Desta vez, a sinceridade de Cian funcionou com Seren. Embora ela não tenha dito nada, pegou a caixa de amoras silvestres que seu irmão trouxe e comeu-as uma a uma.
Amoras silvestres eram os lanches que ela mais gostava de comer sempre que Cian vinha visitá-la. Por isso, ele as trazia sem falta em todas as visitas.
Vendo-a comer, Cian finalmente conseguiu sentir alívio, e um sorriso gentil formou-se em seu rosto bonito. Ele estava grato e feliz com essa pequena melhora e não tentou interagir mais com ela, com medo de que se falasse mais, ela poderia parar de comer.
Depois de notar o corpo dela começando a relaxar, ele não pode deixar de perguntar animado, “Elas estão boas?”
Talvez fosse a magia daquelas amoras ou a magia do amor sincero de um irmão; Seren reagiu à sua pergunta acenando levemente com a cabeça.
‘Que alívio!’ O sorriso em seu rosto alargou-se. “Eu trarei mais para você!”
Seren finalmente virou-se para enfrentá-lo. Seus olhos roxos pareciam ter reconhecido as emoções misturadas mostradas no rosto de seu irmão — a preocupação em seus olhos azuis safira, o calor terno em seu sorriso, a felicidade visível mascarando seu cansaço…
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Era como se ele estivesse tentando transmitir a ela que não importa o que aconteça, seu irmão sempre estará lá por você.
Uma voz suave e fraca chegou aos seus ouvidos.
“Obrigada.”
Cian não conseguiu dizer uma palavra em resposta, mas sorriu para ela com os olhos ligeiramente úmidos.
Até o dia anterior, ela não reagia a nada e até negava reconhecer alguém. Ele ficou tão feliz que ela finalmente estava melhorando. Os remédios do médico real eram tão eficazes assim ou sua irmã era mais forte do que ele pensava?
“Uma vez que você esteja melhor, eu a levarei para passear.” Cian sabia que o que ela mais queria era sair daquela torre, e ele estava disposto a dar a ela tudo o que ela queria.
Seren acenou novamente. Transbordando de felicidade, Cian queria rir em voz alta.
No entanto, um cavaleiro logo entrou e disse a Cian que sua presença era necessária em outro lugar. Cian finalmente se acalmou.
“Eu preciso ir agora, mas não se preocupe. Eu voltarei em breve, irmã,” Cian informou, e ela lhe deu um leve aceno novamente em resposta.
Antes de deixar a câmara, Cian olhou para o pássaro que ainda estava sentado no peitoril da janela, observando sua irmã. Ele não sabia o que pensar sobre isso e saiu.
Cian sabia que o pássaro não traria nenhum dano à sua irmã, mas o irmão egoísta dentro dele não queria se sentir grato por isso. Ele não podia aceitar que um estranho, mais precisamente o mestre daquele pássaro, era quem cuidava de sua irmã quando sua própria família estava impotente para fazer algo por ela.