Exorcista de Fantasmas: É Amada por Todos - Capítulo 818
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Capítulo 818: Capítulo 818: A Verdade Da Maldição
A sala tremia sob o peso da fúria da mãe de Mirai. Sua aura oscilava como um incêndio descontrolado — púrpura profunda e negra, torcendo e pulsando com ódio. A respiração de Yu Holea ficou presa na garganta.
Ela não conseguia ver os olhos da bruxa — eles estavam escondidos sob aquele manto espesso, parecido com fumaça — mas ela os sentia.
Aquela raiva profunda e ardente não era apenas sobre Mirai. Não… era mais profundo. Pessoal. Direcionado a ela.
Yu Holea estreitou os olhos. Ela podia sentir o frio ominoso enrolando-se em seus ossos.
“Por quê?” ela perguntou calmamente. “Por que você odeia tanto a família Yu?”
A mãe de Mirai hesitou.
Por um segundo, não disse nada — apenas encarou.
Então soltou uma risada seca e amarga.
“Você ainda não sabe, não é?”
Sua voz estava cheia de desdém. Seus dedos se contraíram ao seu lado, como garras prontas para atacar.
“Família Yu… um bando de santos por fora. Mas por dentro? Hipócritas. Covardes. Monstros.”
Ela se virou para Yu Holea, sua boca se torcendo em desgosto.
“E você. Se soubesse o que seu precioso pai fez… esconderia seu rosto de vergonha.”
Os olhos de Yu Holea piscaram. Ela deu um pequeno passo à frente, mantendo-se firme mesmo quando o ar ficou mais frio.
“Não vou sentir vergonha,” ela disse calmamente, mas com confiança. “Porque eu amo meu pai acima de tudo.”
Atrás dela, Qiao Jun piscou.
Ele virou a cabeça bruscamente para ela, como se ela tivesse criado uma segunda cabeça. Amor? Yu Holea? Ele sabia o quanto ela odiava o pai.
Mas então ele olhou mais de perto — para o aperto firme das mãos dela, o leve brilho em seus olhos.
Era uma isca.
E a bruxa a mordeu.
“Idiota!” sibilou a mulher, se aproximando. “Seu querido pai tentou me matar depois de me estuprar!”
O coração de Yu Holea despencou.
Sua boca se abriu em choque, o ar da sala desaparecendo. Ela deu um passo para trás, balançando a cabeça lentamente.
“V-Você está mentindo,” ela sussurrou. “Você está apenas tentando me fazer odiá-lo—”
“Cale-se!” gritou a bruxa.
Sua voz ecoou como trovão, fazendo as janelas tremerem. Até mesmo o escudo de Qiao Jun tremeu.
“Você quer a verdade?! Pois bem! Vou gravá-la em seus ossos!”
Sua voz se quebrou como um relâmpago enquanto falava, cada palavra envenenada com dor antiga.
“Anos atrás… seu pai veio para minha aldeia. Ele não era um herói — estava se escondendo. Covardemente, fugindo de algo. Eu tive pena dele. Eu o ajudei. Alimentei-o. Ele sorriu… agiu gentilmente. E então… ele me tocou.”
Sua voz se quebrou.
“Eu era jovem. Eu pensei que talvez ele me amasse. Talvez ele ficasse. E por um tempo… ele fingiu. Compartilhamos uma cama, compartilhamos comida, ele segurou minha mão em frente ao lago… e eu fui estúpida o suficiente para acreditar.”
Ela riu de repente — uma risada cruel e amarga que soava mais como choro.
“Mas então um de seus supostos amigos nos pegou. Aquele homem correu para os anciãos e espalhou a notícia. ‘Ela o enfeitiçou,’ disseram. ‘Ela é uma bruxa da floresta!’ ‘Ela enganou o pobre homem!’”
Yu Holea permaneceu congelada.
“Ninguém acreditou em mim. Nem mesmo as mulheres. Elas me chamaram de suja. Disseram que eu estava amaldiçoada. Que eu era perigosa. Eu supliquei para que ele dissesse algo — apenas uma palavra em minha defesa. Mas sabe o que ele fez?”
Suas mãos se cerraram em punhos.
“Ele ficou ali. Em silêncio. Então ele acenou com a cabeça e disse: ‘Ela me enfeitiçou.’
Yu Holea ficou ofegante.
A voz da bruxa ficou mais baixa… mais fria.
“Naquela noite, dez homens entraram na minha casa. Dez. Eles me amarraram. Eles… riram… enquanto tiravam tudo de mim.”
Os olhos de Yu Holea se arregalaram de horror. “Pare—”
“Não. Você precisa ouvir. Você precisa saber que tipo de sangue corre em suas veias.”
A bruxa levantou a mão, e uma ilusão sombria brilhou no ar — uma imagem trêmula de uma cabana, tochas, sombras. Soluços. Gritos.
“Descobri depois. Foi seu pai quem lhes disse para fazer isso. Ele queria que eu morresse. Ele disse que era melhor apagar o problema do que enfrentá-lo.”
Ela abaixou a mão, a imagem desaparecendo.
“Mas eu não morri.”
Seus olhos brilharam vermelhos sob o capuz.
“Eu sobrevivi. Eu vivi através da dor, através da vergonha. Eu rastejei para a floresta quase morta. Eu jurei vingança. Mas quando eu voltei, a aldeia… zombou de mim. Então eu a queimei. Cada casa. Cada mentiroso gritante.”
Qiao Jun posicionou-se protetoramente em frente a Yu Holea, sua voz baixa e afiada. “Você matou todos eles?”
“Sim,” ela sussurrou. “E não me arrependo.”
Yu Holea olhou, sua mente girando.
“E depois?”
“Então, eles enviaram alguém atrás de mim. Uma feiticeira de uma aldeia vizinha. Ela quase me matou, e eu usei um artefato proibido para escapar.
Assim que fui forte o suficiente, voltei e me vinguei daquela feiticeira e do amigo de seu pai.”
O fogo em sua voz virou gelo.
“Mas seu pai já havia fugido. Covarde. Eu não consegui encontrá-lo. Mas eu lembrava seu nome.”
Ela levantou a mão, apontando um dedo trêmulo e garras para Yu Holea.
“Então eu o amaldiçoei. E não apenas ele — toda a linhagem Yu. Eu dei metade da minha vida restante para ter certeza disso. Nenhum de vocês viverá em paz. Não enquanto eu respirar. Não enquanto esta alma existir.”
Sua voz tornou-se um sussurro de ódio.
“Até o chefe da Família Ou agora — o filho do Mestre Yu — ele deveria sofrer. Assim como seu pai. Todos vocês. Um por um.”
Os lábios de Yu Holea tremeram. Sua mente parecia que estava se despedaçando.
Mas ainda… uma voz interior sussurrava — isso não pode ser toda a verdade. Seu pai… era muitas coisas. Mas… isso?
Ela olhou para cima lentamente. Sua voz, quando veio, era pequena mas firme.
“…Mesmo que o que você diz seja verdade… você se tornou igual a eles.”
A mãe de Mirai piscou.
“Você usou sua filha. Você controlou Ou Xiaoxiao. Você atacou crianças. Aldeões. Você se tornou o monstro que odiava.”
“MENTIROSA!” a bruxa rugiu. “Eu me tornei justiça! Você não sabe de nada, criança!”
Yu Holea manteve-se firme.
“Eu conheço dor. Eu conheço ódio. Mas eu também sei que temos escolhas. E você escolheu queimar tudo.”
A bruxa gritou, sua magia explodindo em ondas de fogo e sombras.
“Você vai se arrepender de ter falado comigo assim!!”
Mas desta vez, Qiao Jun estava preparado.
Ele bateu sua palma no chão, e um selo dourado se abriu sob seus pés.
“Não desta vez.”
Enquanto as chamas mágicas avançavam, uma nova barreira irrompeu. Dourada, brilhante, radiante — feita não apenas de poder, mas de vontade.
A voz de Qiao Jun ecoou na tempestade:
“Se você quer destruí-la… terá que passar por mim.”
Yu Holea colocou a mão em seu ombro e sussurrou, “Deixe-me cuidar disso.”
Depois ela se virou para a bruxa e zombou,
“Sério? Foi nosso erro? Eu entendo que você odeia Yu Lin. Mas por que nós?
Eu fiz alguma coisa para você? Meu irmão fez? Nós apenas nascemos. Nem sabíamos que você existia!”
Os olhos da bruxa relampejaram novamente. Sua boca se contorceu como se tivesse provado algo amargo.
“Não finja ser inocente. O sangue dele está em suas veias. Você vai crescer e ser igual a ele!”
“Não!” Yu Holea gritou de volta. “Eu não sou como ele! E não serei! Essa é minha escolha, não sua!”
Sua voz rachou um pouco no final, mas ela não recuou.
“Você diz que é justiça, mas você é apenas cruel e zangada! Você machuca pessoas que não te machucaram! Até sua própria filha! Isso não é justiça — isso é apenas ser cruel!”
A magia da bruxa chiava ao seu redor como cobras. Seu manto de fumaça chicoteava no ar.
“Você ousa—!”
“Sim!” Yu Holea gritou. “Porque alguém precisava dizer isso! Você está apenas com medo. Com medo porque ninguém te defendeu naquela época. Mas isso não significa que você pode queimar o mundo agora!”
A bruxa a encarou, tremendo.
Então — de repente — ela riu. Alto e estranho. Não feliz de jeito nenhum.
“Você é apenas uma criança,” ela disse calmamente, “e você fala como se entendesse o mundo. Tão corajosa agora, hein? Vamos ver o quão corajosa você é quando eu arrancar sua alma!”
Ela levantou a mão novamente, sombras se reunindo como uma tempestade.
Mas desta vez, Yu Holea não vacilou.
“Vá em frente,” ela disse, ficando de pé mesmo com os joelhos tremendo.
“Me machuque. Me amaldiçoe. Me mate. Mas eu não estou mais com medo de você. Porque mesmo se você me destruir, você não vai vencer.”
Qiao Jun a olhou com olhos arregalados.
A bruxa congelou, sua magia pairando no ar.
“Por quê?” ela perguntou, sua voz fina. “Por que você ainda defende o nome Yu?”
Yu Holea olhou para baixo por um segundo.
“…Porque alguém tem que consertar isso. E se todo mundo como você e meu pai continuar machucando pessoas para se sentir melhor, isso nunca vai acabar.”
Ela então pausou e disse,
“Sem contar que eu sou inocente, meus irmãos são inocentes, e mesmo que alguém mereça punição, deveria ser meu pai. Não nós. Ele me trocou no meu nascimento, forçou seus próprios filhos a paparicar a filha de sua amante.”