Eu transmigrei e ganhei um marido e um filho! - Capítulo 1104
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Capítulo 1104: Derretendo a geada
Algumas decisões abruptas e sem sentido não eram incomuns para Hera tomar. Por exemplo, levar para casa dois homens de Dane de volta à sua base não fazia sentido. Faria mais sentido se ela os submetesse a dores inimagináveis. Mas ela não o fez.
Em vez disso, Hera simplesmente os trancou sem tomar nenhuma outra precaução. Foi tão abrupto e insignificante que muitos quase esqueceram deles. Exceto três homens aos quais Hera encarregou de vigiar a sala.
Lobo não se importava com isso, pois não tinha importância para ele. Esses dois poderiam ser capangas de elite de Dane, mas não eram nada perto dos Ceifadores. Mas depois de ouvir Hera vindo repentinamente à sua grande gaiola, e agora vendo ela andando com eles no jardim, uma carranca profunda apareceu no rosto de Lobo.
— Hera — ele chamou, acelerando o passo para atravessar a grama e chegar ao caminho a tempo.
Hera parou, virando a cabeça na direção de Lobo. O capanga e Romnick também pararam, ainda com os olhos semi-fechados por causa da luz ao redor.
— Precisamos conversar — disse Lobo assim que parou a vários metros deles. — Bernard ligou.
— Ele ligou? — ela arqueou uma sobrancelha. — Não me diga que ele diz que sentiu minha falta e quer voltar para os meus braços?
— Hera, isso é importante — Lobo suspirou, olhando para os homens atrás dela. — Para onde você está levando eles?
— Eles queriam ser parte dos Ceifadores! — Hera anunciou com um sorriso, apontando o polegar sobre o ombro. — Esse cara aqui vendeu informações de Dimitri, então como prometido, estou trazendo ele para dentro.
— Esse aqui? — Lobo olhou o capanga de cima a baixo antes de desviar o olhar para Romnick. — Até entendo se você levar esse, considerando que ele é tão bom quanto os soldados de terceiro nível. Mas então de novo, considerando a ideia distorcida dele de lealdade, ele não vai durar.
— Eu não queria estar aqui — Romnick rosnou, descontente com essa avaliação repentina que ele não pediu. — Ela me arrastou com ela. Guarde sua avaliação para este traidor.
— Ele acabou de avaliá-lo — Hera estalou os lábios, lançando um olhar ao capanga. — Ouviu o professor? Ele nem se incomodou em comentar sobre você porque acha que você é mais fraco do que nossos homens mais fracos.
A expressão do capanga endureceu, olhando para Lobo com determinação. — Vou mostrar para você.
— Não estou te julgando só porque uma vez você apontou sua arma para nós ou nosso povo — Lobo esclareceu. — Estou dizendo isso como um membro central desta organização. Você não tem as habilidades, o físico e a astúcia.
— O quê?
— Se você tem um pingo de inteligência, saberia que pedir para ela te trazer para dentro só porque seu antigo chefe morreu é o maior erro que você poderia cometer — Lobo suspirou em angústia pelo fato de estar dando uma avaliação agora em vez de mergulhar em uma questão muito mais importante. — Você trocou de lado tão rápido, o que também significa que se as coisas dessem errado aqui, você faria o mesmo. Não podemos deixar uma pessoa que vende informações ou não respeita a confidencialidade neste lugar.
— E antes que você comece comigo, estou te avisando, eu não quero te machucar — o tom dele diminuiu conforme um brilho assassino reluziu em seus olhos. — Não discuta que estamos todos no submundo. Embora isso seja verdade, nós operamos de forma diferente aqui. Havia regras que seguimos, uma ordem que respeitamos e uma consciência para sempre lembrar o seu lugar.
Hera assobiou, olhando para o capanga com um sorriso malicioso, e então para Romnick. Ambos os homens estavam obviamente descontentes com a lição de moral de Lobo.
— Eles saberão disso no futuro — ela interveio de forma brincalhona. — Julgar o livro pela capa é uma coisa terrível. Não seja tão duro com eles. Tenho certeza de que eles provarão que o treinamento vai mudá-los.
— O treinamento vai matá-los — Lobo a corrigiu. — Você já mencionou o inferno que todos os seus homens passaram apenas para fazer parte dessa família?
— Mencionei!
Lobo estrabuchou os olhos, olhando para os homens atrás dela. Vendo a perplexidade no rosto deles, ele imaginou que ela estava tirando sarro deles.
— Uma regra que seguimos é que só ouvimos ela em assuntos importantes. Caso contrário, tome tudo o que ela diz como um sopro do vento — Lobo lentamente fixou seus olhos inexpressivos em Hera. — Agora que eu os avaliei, podemos conversar agora?
— Claro — Hera sorriu, acenando para chamar a atenção de alguns soldados. — Vem cá e levem esses dois.
— Você vai treiná-los?
Hera olhou para o capanga e depois para Romnick, sorrindo de lado. — Se eles sobreviverem, bom para eles. Mas se não, vou enterrá-los aqui — ela apontou para o chão ao lado do canteiro de flores. — Não é um mau lugar, é?
Romnick e o capanga franziram profundamente a testa, olhando para o rosto brincalhão dela com desprazer. No entanto, por alguma razão, o capanga encontrou nisso uma fonte de motivação ainda maior para provar que estavam errados.
— Eu ouvi dizer que o treinamento aqui é mais rigoroso do que qualquer um poderia imaginar — disse o capanga. — Mas eu não vou morrer.
— Economize seu fôlego para o futuro — Hera fez um gesto com o queixo para um pequeno grupo de Ceifadores que se aproximou após seu chamado. — Levem esses dois para o campo de treinamento e os comecem com o básico…
— Eu não quero treinar — Romnick se afirmou. — Estou voltando para a sala.
Assim que ele quis se virar, ele parou quando outro homem apareceu atrás dele. Seus olhos se dilataram por um momento, chocado por não ter notado a aproximação deste homem. Ele nem mesmo sabia que alguém já estava em pé atrás dele.
— Ficar em uma sala ou lutar pela sua vida é o mesmo — Hera refletiu. — A única diferença é que lutar pela sua vida não vai te empurrar para a insanidade.
Ela fez um gesto com o queixo mais uma vez. — Comecem com o básico.
— Sim — os homens dela responderam em uníssono, segurando o ombro do Romnick e do capanga para arrastá-los para longe dela.
Hera cruzou os braços sob seu peito, mantendo os olhos neles. Foi então que Lobo falou novamente.
— Você não está planejando deixar esses dois, está? — ele perguntou, parado bem ao lado dela. — Não me diga que sente pena deles?
— Eu queria sentir, mas não sinto — a voz dela estava quieta. — Eles sabiam o que estavam fazendo, mas mesmo assim fizeram. Não é como se eles não tivessem escolha; eles tinham escolha. E escolheram seguir Dimitri e matar todas aquelas crianças.
— Então por que você está —
— Esses dois estão vivendo na ilusão que eles criaram para justificar suas ações — Hera sorriu sutilmente. — Eu quero derreter a espessa camada de gelo que eles usaram para cobrir seus corações e consciências.
As pálpebras dela caíram enquanto um brilho cruzava seus olhos. — O problema de ter um coração e consciência neste mundo é que… isso vai te fazer miserável. A dor deles, suas ações e suas decisões — forçá-los a encarar isso é um castigo melhor do que a tortura ou colocá-los atrás das grades.
Lobo permaneceu quieto, avaliando o perfil dela. — Coringa está certo.
— Hm? — ela arqueou uma sobrancelha, lançando-lhe um olhar de soslaio.
— Você sempre faz as coisas por um motivo — ele explicou, fixando os olhos nos números que se afastavam a frente. — Voltando ao assunto importante.
Lobo virou-se lentamente para ela. — Dom foi atacado.
— Ele foi?
— Você não está surpresa? — ele estreitou os olhos suspeitosamente, avaliando o perfil dela antes que a realização o atingisse. — Você não fez isso, fez?
— Não — Hera lançou-lhe um olhar lento antes que o canto de seus lábios se curvasse para cima. — Mas quem quer que tenha feito isso definitivamente tocou meu limite.