Escravo das Sombras - Capítulo 275
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275: Segredos do Templo em Ruínas 275: Segredos do Templo em Ruínas Assim que a aurora chegou, trazendo consigo o som melancólico das ondas que recuavam, Nephis e sua coorte deixaram a catedral em ruínas.
Sunny ficou sozinho, de pé na beirada entre a escuridão do antigo templo e a luz do novo dia.
Permanecendo na porta ornamentada, ele ficou imóvel por um tempo e observou enquanto o sol artificial se elevava nos céus cinzentos e sombrios acima da cidade amaldiçoada. Depois de meses na companhia de outros seres humanos, estar sozinho mais uma vez parecia estranho… como tinha sido estranho estar com outras pessoas depois de todo o tempo que havia passado sozinho aqui antes disso.
Virando-se, Sunny retornou à escuridão.
O grande salão da catedral em ruínas estava tranquilo e silencioso. Sem o aterrorizante guardião de aço, não havia mais ninguém aqui para perturbar o silêncio. Mesmo a escuridão que povoava os cantos estava vazia e dócil agora, de forma alguma a entidade viva que tinha sido uma vez.
…Parecia meio solitário.
Caminhando livremente pelo espaçoso salão magnífico, Sunny olhou em volta, observando a catedral que o havia abrigado no passado de uma nova perspectiva. Apesar de passar tanto tempo aqui, ele nunca tinha visto assim — da mesma forma que os habitantes da Cidade Escura deveriam ter visto todos aqueles anos atrás. Sunny só tinha olhado para o salão desde a altura de uma das vigas de sustentação do antigo templo.
Parecia majestoso.
Mas também não estava mais seguro.
Com a morte do Cavaleiro Negro, ninguém restava para defender a catedral das Criaturas do Pesadelo que desejariam reivindicá-la como seu ninho. Então, Sunny não podia mais ficar por muito tempo.
Não que tivesse o luxo dessa escolha.
Lançando um último olhar para o belo salão escuro, Sunny suspirou e começou a subir a estátua da deusa sem nome.
***
De volta à câmara secreta, estava tudo novamente mergulhado na escuridão. Sunny hesitou por um momento e começou a recolher seus pertences.
Não demorou muito.
Create um apego a coisas materiais não tinha sentido na Costa Esquecida. Afinal, não havia como trazê-las com ele para o mundo real — isso se ele fosse sobreviver até lá.
Mas ainda assim, sentiu tristeza em deixar para trás todos os seus despojos. No mundo real, Sunny nunca teve um lar como este, nem muitas coisas para chamar de seu. Ele havia sonhado em desfrutar de um estilo de vida luxuoso depois de se tornar um dos Despertos, mas ficou preso neste inferno. Este amplo quarto que chamava de lar era um consolo.
Mas agora ele precisava partir.
No final, ele só pegou o essencial e depois arrumou o lugar, desejando deixar tudo limpo e organizado, apesar de saber que havia poucas chances de alguém encontrar este lugar novamente.
Depois que tudo estava feito, Sunny olhou para o quarto tranquilo e hesitou por um instante.
Então, ele caminhou até a parede onde havia riscado inúmeras linhas na pedra para contar os dias e invocou o Espinho Rastejante.
Ele queria deixar uma marca de sua presença aqui. Algo para mostrar que ele tinha vivido nesta câmara escondida, na antiga catedral em ruínas, na Cidade Escura, na Costa Esquecida…
Neste mundo. Uma pequena marca para testemunhar que ele estivera aqui, lutara aqui e então partira para lutar por uma chance de escapar.
Sunny queria pensar em palavras profundas, mas nada lhe ocorreu. Ele não era realmente uma pessoa profunda, de qualquer maneira.
O que ele realmente queria gravar na parede era seu Nome Verdadeiro. Mas mesmo agora, a paranoia o impedia. E se alguém viesse aqui um dia e o lesse em voz alta? Que desastre engraçado seria.
Finalmente, ele ergueu a kunai e gravou algo abaixo das linhas que marcavam os dias que ele passou morando na catedral arruinada.
Então, Sunny virou-se e se afastou.
Restaram duas runas na parede atrás dele.
Uma signficava sol.
A outra, perda.
***
Havia duas coisas que Sunny queria realizar antes da manhã seguinte. Uma estava nas ruínas de uma biblioteca que ele nunca terminou de explorar, e a outra estava bem aqui na catedral em ruínas.
Retornando ao grande salão com a mochila nas costas, Sunny passou pela estátua da deusa sem nome e mergulhou em uma das portas que levavam ao santuário interno do templo.
Ele nunca tinha estado lá antes, mantido à distância pela escuridão viva e pelo Cavaleiro Negro.
Mas agora que o demônio estava extinto, Sunny finalmente iria ver o que estava escondido lá dentro.
Percorrendo os cômodos e corredores que os sacerdotes e sacerdotisas usavam antigamente, ele olhava em volta e não notava nada de interessante. Tudo estava praticamente destruído e arruinado, com apenas algumas coisas mundanas permanecendo intactas.
Não havia nada aqui — pelo menos era o que os outros pensariam.
Contudo, Sunny de repente parou em frente a uma parede e inclinou a cabeça.
Não havia nada de especial naquela parede, pelo menos nada visível. Mas ele podia sentir uma pesada massa de sombras se escondendo atrás dela, como se houvesse um espaço vazio ali.
Depois de procurar por um tempo, ele encontrou uma alavanca escondida e apertou-a.
Ou pelo menos tentou. O antigo mecanismo havia enferrujado e se desintegrado ao longo de milhares de anos de negligência, é claro.
Com um suspiro, Sunny invocou o Estilhaço da Meia-noite, olhou mais de perto para a parede oca e inseriu a tachi na junta entre suas partes móveis. Então, ele usou a lâmina inquebrável como uma alavanca e empurrou com toda a sua força inumana.
Com um som terrível de raspagem, uma parte da parede se afastou. O ar passou por Sunny, entrando na boca escura de um corredor estreito.
Atrás dele, um conjunto de escadas de pedra descia.
Bem fundo, no subsolo.
Com uma cara amuada, Sunny agitou o Estilhaço da Meia-noite para sacudir a poeira que grudou nele, colocou-o no ombro e entrou na passagem secreta.