Escravo das Sombras - Capítulo 253
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253: Sem um Mestre 253: Sem um Mestre A sombra humana estava solitária na névoa, estranhamente distante e imóvel. Quando Sunny puxou a corda dourada para dar ordem aos seus companheiros para parar, ela se moveu um pouco e virou-se, depois ficou quieta novamente.
Sunny sentiu um frio e terrível calafrio em seu coração.
A possibilidade de encontrar outro humano neste lugar escuro e aterrorizante já era perturbadora o suficiente. Ele não cogitou nem por um segundo que um dos membros da expedição perdida pudesse ter sobrevivido aqui, na escuridão, por todos esses anos. Não a menos que não fossem mais humanos.
Mas mesmo isso não era o motivo do receio que sentia.
A verdadeira razão não tinha nada a ver com lógica e sim com seu Aspecto único. Por causa dele, Sunny percebeu que havia algo terrivelmente errado com aquela sombra.
A sensação que ele teve foi de estranheza e tremenda inquietação. No entanto, ela não parecia perigosa ou hostil. Em vez disso, parecia perdida, vazia e… sofrida. A sombra estava repleta de tristeza e angústia que ele não conseguia descrever com palavras.
Sunny não era tão empático quando o assunto eram os humanos, mas estranhamente, ele não podia deixar de compartilhar o sofrimento desta sombra solitária. Talvez porque, de certa forma, eles eram parentes.
Enquanto observava a sombra, em dúvida sobre o que fazer, ela deu alguns passos em uma direção aleatória e parou hesitante, permanecendo ali sem se mover. Depois, voltou atrás e congelou novamente.
Era como se a sombra estivesse perdida.
Alguns momentos depois, Sunny finalmente entendeu a natureza da profundidade dessa sensação de estranheza que ele sentiu na sombra solitária. Quando ele o fez, um arrepio frio percorreu seu corpo inteiro.
A razão pela qual esta sombra era tão estranha e assustadora era porque não estava conectada a ninguém. Nenhum humano a projetava. Pelo menos não mais.
O humano a qual a sombra pertencia uma vez estava desaparecido, cortado da existência por algum poder desconhecido. Sunny não conseguia sentir nenhum osso em lugar algum, tampouco. Era como se o humano não tivesse sido morto, mas simplesmente… apagado.
E a sombra permaneceu vagando sem rumo na névoa por toda a eternidade.
‘Que destino terrível…’
Mas ainda restava a pergunta… o que ele deveria fazer agora? A sombra estava em seu caminho. Sunny tinha que passar por ela ou voltar e tentar encontrar outro caminho através do labirinto.
Mas que ameaça esse ser tão lamentável poderia representar? Era apenas uma sombra, afinal. A sua própria não poderia machucar uma mosca, não importa o quanto tentasse. Esta outra devia ser igual.
Com um suspiro profundo, Sunny caminhou lentamente para frente. A cada passo que dava, ele podia sentir a sombra solitária melhor.
…Em algum momento, ela também sentiu a presença dele.
Ao virar-se para Sunny, a sombra hesitou por alguns momentos e então se aproximou cautelosamente. Ele podia sentir uma explosão de emoções silenciadas irradiando dela: surpresa, esperança… e então, desespero repentino.
Ao perceber que ele não era seu mestre há muito perdido, a sombra parou. Os ombros caíram.
Sentindo o poço profundo de solidão, angústia e tristeza diante dele, Sunny inclinou a cabeça para o lado.
Então, seguindo um impulso, ele estendeu a mão para a sombra:
‘Aqui… segure minha mão. Você não precisa estar sozinho(a) mais.’
A sombra tremeu, como se escutasse seu convite silencioso. Então, hesitou por alguns momentos e se aproximou dele com incerteza. Por fim, ergueu sua mão e a colocou cautelosamente na mão de sua própria sombra.
Um momento depois, ela desapareceu.
Sunny suspirou.
[Sua sombra fica mais forte.]
Submergindo no Mar da Alma, ele caminhou ao longo das fileiras das sombras silenciosas que ficavam na superfície da água tranquila. E lá, como ele esperava, viu uma nova.
A sombra de uma graciosa jovem mulher estava entre eles, tão imóvel e parada quanto as demais. Sua angústia, tristeza e solidão tinham desaparecido. A sombra parecia finalmente estar em paz.
Sunny olhou para ela por alguns momentos, com o coração pesado. Por fim, ele disse:
“Bem-vinda. Descanse agora. Seu… seu pesadelo acabou.”
Com isso, ele deixou o mar silencioso e suspirou novamente.
Parado na escuridão com os olhos fechados, Sunny permaneceu imóvel por algum tempo.
Em seguida, puxou a corda dourada e conduziu a coorte ainda mais adentro da névoa.
Sunny não sabia quanto tempo eles vagaram pelo labirinto escuro. Mais de uma vez, ele encontrou um beco sem saída e tinha que procurar outro caminho. Era difícil não perder a conta de todas as voltas dos túneis sinuosos, mas ele de alguma forma conseguiu se manter no rumo.
No caminho, encontrou mais três sombras. Cada uma delas era como a primeira, perdida e solitária.
E assim como a primeira, elas eventualmente aceitaram sua mão e foram absorvidas em seu Mar da Alma. Os quatro — uma mulher jovem e três homens — agora estavam silenciosos juntos, unidos novamente mesmo que seus mestres estivessem há muito perdidos.
… Vê-los juntos deu a Sunny um leve consolo, por mais equivocado que fosse.
Havia cinco pedras dispostas em volta do fogo no acampamento deixado pela expedição perdida, sugerindo que cinco pessoas haviam descido à mina antiga. Quatro deles acabaram perecendo neste lugar escuro e sinistro.
Mas por mais que Sunny procurasse, ele não conseguia encontrar a quinta sombra.
O próprio Primeiro Senhor não estava aqui.
Seria possível que ele tivesse conseguido sobreviver e sair do labirinto de névoa?
Em algum momento, Sunny sentiu alguém puxar a corda dourada. Virando-se, ele deu alguns passos para trás e parou perto de Cassie. Sentindo sua aproximação, a menina cega levantou a mão e apontou para um dos túneis.
Entendendo o que ela queria dizer, Sunny conduziu a coorte naquela direção.
Logo, o som de água corrente chegou aos seus ouvidos.
Algum tempo depois, eles chegaram à margem de outro rio subterrâneo.
Eles haviam alcançado a segunda fronteira.