Escolhida pelo Destino, Rejeitada pelo Alfa - Capítulo 614
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614: Capítulo 31 – Trindade – Outra Porta Parte 1 (VOLUME 4) 614: Capítulo 31 – Trindade – Outra Porta Parte 1 (VOLUME 4) ~~
Trindade
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Por um momento, pensei em apenas ficar sentada ali e me afogar na autopiedade. Se eu nunca iria sair daqui. Se eu nunca voltaria para casa e veria a minha família, então qual era o sentido de levantar? Qual era o ponto de trabalhar tanto para algo que eu nunca mais iria ver de novo? Isso mesmo, não havia sentido.
Entretanto, eu não tinha em mim ser uma covarde. Nunca, em todos os meus anos, eu simplesmente desisti de algo quando era muito difícil. Quando eu queria ir para a escola, eu fiz isso acontecer mesmo que meu avô fosse contra. Quando eu queria continuar aprendendo a lutar, eu fiz isso acontecer esgueirando-me para uma academia e aprendendo em segredo. Nunca deixei que as coisas sendo muito difíceis me impedissem de fazer o que eu precisava fazer, e desta vez não seria diferente.
Depois de meus poucos momentos de fraqueza passarem, decidi que não iria apenas sentar aqui e chorar mais. Eu ia enxugar as lágrimas, levantar do chão, e passar por essa barreira que vinha tentando me parar desde que cheguei aqui.
No momento em que pensei nisso, no momento em que deixei o medo e a preocupação irem embora, eu pude me mover muito mais facilmente. Talvez não tenha sido tão fácil quanto eu me moveria no mundo real, mas também não era tão lento como antes.
Eu estava de pé e me forçando a me mover em direção à porta do meu quarto. Eu não podia usar magia agora, então precisava confiar em meu próprio corpo e em minha própria habilidade. Este mundo não iria me derrotar. Eu continuaria me esforçando, mais e mais, até conseguir chegar aonde eu queria.
Finalmente, cheguei à minha porta e às escadas além dela. Eu estava me movendo mais rápido, ou o que senti ser mais rápido do que antes. Quase parecia que eu estava correndo pelas escadas em direção às outras portas que estavam no próximo andar.
Comecei a procurar então. Eu vasculhei os quartos de meus três filhos, Reagan, Rika e Talia. Eu segui para os quartos vazios que ainda estavam naquele andar. Mais nove quartos ao todo. Sério, eu nunca entendi por que Athair mòr insistiu em haver uma dúzia de quartos para as crianças. Ele realmente achava que eu teria tantos filhos assim?
Nenhum dos quartos neste andar tinha uma saída para mim. Não havia nada que me ajudasse a escapar desta prisão em que eu estava. Continuei a procurar em cada quarto que eu entrava. Eu não iria desistir e procuraria em todos os lugares para encontrar a saída.
Desci pela torre. Em cada quarto, cada espaço que era grande o suficiente para eu caber, eu fui lá. Eu procurei e procurei o máximo que pude. Mas não havia nada. Em lugar nenhum na torre inteira havia uma saída daqui.
Tudo bem. Eu não iria desistir. Não agora, nunca.
Fui para as outras duas torres. As que eram destinadas aos meus nobres. Eu não gostava da ideia de revistar esses lugares, mas não tinha escolha. Eu precisava encontrar o meu caminho para fora daqui. Vasculhei todos os andares em ambas as torres. Todas as residências naqueles andares foram revistadas ao abrirem com o menor toque. Vi como cada lugar era decorado ao estilo daqueles que habitavam os lugares. O lugar de Trevor era muito mais masculino e selvagem, mas havia uma certa suavidade ali desde que a tia Glória tinha visitado. Havia até um adorável pequeno berçário para Torben. Mas não havia porta.
Nenhuma das residências nobres tinha uma porta para que eu saísse daqui. Não havia porta, nem um portal especial, nada. Eles eram apenas lugares comuns para as pessoas viverem, exceto que estavam em preto e branco.
Vasculhei os escritórios depois disso. Aquele era o próximo lugar que eu pensei que poderia encontrar uma saída daqui. Eu ouvi a voz no meu escritório. E eu também passei muito tempo no meu escritório, então fazia sentido encontrar uma saída lá.
Bom, eu estava errada. Não encontrei uma saída lá também. Eu didescobri, entretanto, uma cena patética lá. Encontrei todo o trabalho que eu deveria ter delegado para todos os outros. Todos os arquivos e trabalhos que eu deveria ter passado para o time que contratei. Estava tudo no meu escritório com minha letra por toda parte. Enquanto isso, os escritórios das pessoas que contratei para ajudar estavam quase que vazios. Elas não tinham muito a fazer. Eu não consegui me convencer a confiar em pessoas por causa daquela voz estúpida. Aquela voz que eu sabia que estava apenas tentando me enganar. E ela me enganou. Me enganou a não confiar no meu próprio povo.
Teve outra coisa que achei naqueles escritórios também. Descobri que muitos da minha equipe tinham trocado mensagens entre si. Nas mensagens estavam escritas coisas sobre mim.
-Ela está fazendo demais sozinha. Ela precisa descansar.
-Estou preocupada com a Rainha. Ela vai ficar bem?
-Ela não confia em nós? Nós a decepcionamos?
-Eu acho que ela está ficando doente. Você viu como ela parece cansada ultimamente? Espero que não tenha nada de errado com ela.
Eu realmente decepcionei meu povo. Eu transformei o árduo trabalho e a dedicação deles por mim em algo para que lamentassem. Eu era mesmo uma rainha horrível.
“Eu farei melhor. Eu prometo a vocês todos. Eu melhorarei. Eu vou voltar. E dividirei o trabalho com vocês. Não vou mais escutar aquela voz. Não agora, não nunca mais.”
‘Você talvez não queira fazer essa declaração. Você precisa de mim para te mostrar o caminho. Você precisa de mim mais do que eu preciso de você, Trindade.’
A voz voltou quase no mesmo segundo que essas palavras saíram da minha boca. E eu pude dizer que a voz não estava feliz com a minha declaração. Quem quer fosse a mulher no outro fim desta conexão, ela não estava feliz comigo agora.
‘Se você quer ver a completa e absoluta destruição de tudo que você ama e valoriza, então, por favor, me ignore. Eu vou me deliciar com o seu sofrimento quando você perder tudo.’ Sim, essa definitivamente não era a voz de alguém tentando me ajudar.
“Eu não preciso de você.” Eu rosnei as palavras no silêncio ao meu redor. “Eu te disse que encontraria meu próprio caminho. Eu não preciso de você me desviando.” A voz não respondeu, o que me aliviou bastante. Eu não queria mais ouvir o que ela tinha a dizer.