Enredado ao Luar: Inalterado - Capítulo 94
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- Capítulo 94 - 94 Ava Lisa (I) 94 Ava Lisa (I) Três noites. Três noites
94: Ava: Lisa (I) 94: Ava: Lisa (I) Três noites. Três noites solitárias e vazias encarando o teto estéril do hospital. Apenas a voz do Lucas no telefone quebra a monotonia, ligando para mim todas as noites. Odeio o quanto me conforto ao ouvir o seu tom de voz profundo e tranquilizador, odeio ficar de olho no relógio, esperando pela sua ligação.
A vida é dura sem a Selene aqui. Ela saberia me ajudar a lidar com esses sentimentos. Separar o que é de mim das exigências do meu laço do destino. Além disso, ela teria me mantido entretida com suas observações irônicas.
A Dra. Beaumont mencionou esta manhã que parecia que meu ritmo de cura estava acelerando. A confusão dela sobre isso me incomoda. Será que a Selene está se aproximando? Depois do acidente de carro, notei que meus ferimentos se fechavam mais rápido quando ela voltou. Eu tinha assumido que era por causa do meu cio, mas talvez…
— Senhorita Grey?
Olho para cima e vejo a enfermeira espiando pela minha porta, um sorriso hesitante no rosto. — Você tem uma visita.
Visita? Fico olhando para ela, confusa. O Lucas ainda está fora lidando com a política da matilha e teria ligado antes de qualquer forma. Minha mente corre, tentando adivinhar quem poderia ser, quando uma mancha de movimento empurra passando pela enfermeira.
— Ava!
— Lise? Mal tenho tempo de processar o que está acontecendo antes dela me envolver em seus braços, apertando-me tão forte que chega a ser dolorido. — Ai, cuidado!
— Desculpa, desculpa! Ela afrouxa o abraço imediatamente, se inclinando para trás para me olhar. Seus olhos brilham com lágrimas não derramadas. — Eu estava tão preocupada com você! Meu Deus, Ava, o que aconteceu? Você está bem? O Lucas me ligou, mas não explicou muito além de você estar no hospital.
A preocupação e o leve sermão em suas palavras, a maneira como seus olhos percorrem meu corpo, a forma como suas mãos tremem e pairam sobre mim como se ela não tivesse certeza por onde tocar primeiro — tudo isso me traz lágrimas aos olhos.
Soluço.
Depois eu soluço.
E então, eu choro.
Não, não é chorar. Chorar implica uma mulher que chora em silêncio, talvez com os ombros tremendo um pouco. Chorar é uma bela arte, um ato que é pintado em cores sombrias, tocando todos que o veem.
Eu estou apenas…
Soluçando.
Gritando.
Soluçando entre lágrimas.
Todas as três coisas, de uma vez só, em uma bagunça de ruído e lágrimas.
A Lisa está aqui.
Eu não estou mais sozinha.
A Lisa está do meu lado — sempre.
A Lisa nunca vai julgar.
A Lisa não vai me forçar a escolher.
Ela me abraça enquanto eu encharco seu ombro de tristeza e terror. Ela não pergunta; eu não ofereço nada.
Agora, é tudo sobre liberar todas essas emoções que eu guardei.
A Selene não está aqui, mas pelo menos eu tenho a Lisa.
Minha Lisa.
Parece uma eternidade antes que eu finalmente me acalme. Meus olhos ardem, doloridos e inchados pela intensidade do meu choro, e minha cabeça dói.
Lisa pega um lenço e limpa as lágrimas do meu rosto, afastando meu cabelo atrás das orelhas. Todos os seus gestos são maternos e amorosos, e me pego imaginando quantos filhos ela terá no futuro. Ela diz que quer entrar para os negócios, mas a vejo mais como professora do que qualquer outra coisa. Ou mãe. Ou ambos.
— Uma longa história, né? — diz Lisa, sua pergunta mais uma afirmação do que qualquer coisa.
Concordo com a cabeça.
— Você quer falar sobre isso?
Concordo com a cabeça novamente.
Eu quero.
Eu quero conversar com alguém que possa ouvir tudo.
Me esforçando para descobrir por onde começar, me confundo toda. Já contei algumas coisas para ela com o passar do tempo, mas agora é diferente. Ela está aqui. Ela está na minha frente. Podemos conversar com profundidade que não conseguiríamos por mensagens de texto e ligações infrequentes.
Engulo em seco, tentando entender por onde mesmo começar. Tanta coisa aconteceu em tão pouco tempo. — É uma longa história — digo fracamente.
Lisa se acomoda na beirada da cama, pegando minha mão. — Eu tenho tempo. —
E então eu conto para ela. Tudo. Desde o momento em que saí do Beaniverse até minha tentativa fracassada de fugir e ser sequestrada pela minha família. Eu falo sobre a descoberta do meu laço de companheiros com o Lucas, mesmo que ela já tenha ouvido antes. Eu falo sobre a Selene e seus comentários enigmáticos. Eu falo sobre o Clayton e meu tempo na matilha de Aspen. E, finalmente, eu falo sobre meu resgate e os eventos que me levaram a estar aqui, nesta cama de hospital.
Quando termino, Lisa me olha de boca aberta, seus olhos arregalados de choque. — Caramba, Ave. Isso é… muita coisa.
— É — concordo com uma risada trêmula. — Foi uma loucura.
— E você é… o quê, uma espécie de transformista especial? Com um laço de companheiros com o alfa da matilha de Westwood? — Lisa balança a cabeça, incrédula. — Isso é insano.
— Nem me fale — resmungo. Ainda parece surreal, até para mim. Quando resumo assim, parece que tanta coisa aconteceu — saído diretamente de um dos dramalhões de TV da Selene.
Lisa aperta minha mão, seu olhar se suavizando. — Só estou feliz que você esteja bem. Bom, mais ou menos — ela corrige, olhando para meus ferimentos enfaixados. — O Lucas disse que você estava bem machucada.
Concordo com a cabeça, contorcendo-me com a memória do ataque do Todd. — Sim. Foi… foi feio. Mas estou me curando. — Mais rápido do que deveria, aparentemente.
— Ótimo. — A voz de Lisa é feroz. — Porque assim que você melhorar, vou te dar uma surra por me assustar assim. Sair sem dizer uma palavra, ser sequestrada e atacada… — Ela balança a cabeça de novo. — Nunca mais faça isso, ouviu bem?
— Não farei — prometo. E eu quero dizer isso. Nunca mais quero passar por algo assim nunca mais.
Ficamos em silêncio por um momento, apenas nos segurando. É um conforto ter Lisa aqui. Um pedaço de normalidade no meio de todo esse caos.
— Então — diz Lisa eventualmente, com um brilho travesso no olhar. — Me conta mais sobre esse tal de Lucas. Ele é tão gato quanto parece pelo telefone?
Não consigo evitar rir, mesmo enquanto o calor sobe às minhas bochechas. — Lise!
— O quê? Só tô perguntando! — Ela sorri para mim. — Vamos lá, desembucha. Quero todos os detalhes picantes.
E assim, é quase como nos velhos tempos. Fofocando e rindo como meninas jovens sem responsabilidades. Como se estivéssemos em um apartamento e não em um quarto de hospital. Como se estivéssemos bebendo vinho em vez de pedir caixinhas de suco de maçã para a enfermeira.
Por um pequeno instante, quase consigo esquecer o drama sobrenatural que tomou conta da minha vida.
Quase.