Enredado ao Luar: Inalterado - Capítulo 90
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90: Preocupações de Lucas 90: Preocupações de Lucas LUCAS
Minha atenção está dividida; metade nas informações que o Clayton está passando pra mim. O resto tá na lobinha enfaixada logo além da porta. O cheiro dela vem mudando todo dia, e eu não consigo entender direito o que é. Não é uma mudança ruim, mas é diferente.
Some isso ao jeito como ela explodiu quando meu telefone tocou, e começo a ficar preocupado por não ter estado do lado dela num momento tão traumático. Ela foi sequestrada, mesmo que pela própria família, e depois atacada brutalmente ao tentar fugir. Pra piorar, ela tem um companheiro idiota o suficiente para rejeitá-la.
Tenho certeza de que ela não faz ideia do quanto pode contar comigo, e não a culpo por ser tão evasiva com seu afeto. Já progredimos, mas eu continuo arriscando minha sorte — tocando nela, beijando sua testa, farejando por perto quando acho que ela não percebe…
“Lucas? Você ainda tá aí?” A voz do Clayton corta meu desvio de atenção.
“Sim, tô aqui.” Aperto a ponte do nariz, interrompendo meu vai e vem no corredor do hospital. Minha obsessão pela Ava tá virando problema, mas meu lobo se irrita por eu ter tirado o foco do meu cérebro para qualquer outra coisa. Se dependesse dele, estaríamos grudados do lado dela até que a marca da nossa união fizesse um ano no pescoço dela.
“Você precisa se concentrar,” Clayton repreende, com um tom de voz que raramente ouço dele. “A situação exige toda a nossa atenção.”
Concordo com a cabeça, mesmo sabendo que ele não pode me ver. Ele veio ajudar a gerenciar a Matilha Blackwood, e eu dei o cano nele para ver a Ava no hospital. Ele merece toda a minha atenção. O Clayton é um amigo bom demais pra eu estar distraído com meus problemas pessoais.
“Você tá certo. Continua.”
A voz do Clayton assume um tom sombrio. “Recebemos relatórios de aumento de atividade dos Não Registrados na área. Parece que eles podem estar se mobilizando para um ataque. O Renard e toda a família Grey ainda estão desaparecidos, junto com alguns outros membros da Matilha. Nossos batedores acham que esses renegados estão trabalhando para o Renard de alguma maneira, e podem até estar conectados aos Não Registrados. Ainda não localizamos nenhuma conexão com nenhum dos dois, mas ainda não acabamos de procurar.”
Um rosnado baixo vibra no meu peito. A simples menção do Renard e da família de merda da Ava acende uma fúria latente dentro de mim. Depois do que fizeram com ela, não vou descansar enquanto todos não virarem cadáveres.
“E a Graça?”
“Ela ainda tá no hospital. Todos os tratamentos foram suspensos, e eles tão de olho nela. Até agora, ela tá estável, mas ainda em coma. Se ela não acordar logo, vai morrer de desidratação antes que o mata-lobos a pegue.”
“Bom.” Não tenho remorso nenhum nisso. A vadia merece isso e mais. Só queria que ela estivesse acordada pra sentir a dor.
“Como vamos lidar com a situação dos renegados?”
“Por enquanto, estamos tentando reunir mais informações,” responde Clayton, com um tom de voz calmo e medido. “Mas precisamos estar preparados para defender. O problema real, claro—”
“—é interno,” completo por ele, passando a mão frustrada pelo cabelo. “Eu sei. Não sabemos se podemos confiar neles para não se voltarem contra a gente enquanto nos defendemos de alguém.”
“Há duas escolas de pensamento. Prender todo mundo, ou deixar as coisas caírem por si mesmas. Há prós e contras em ambos.”
Rosno de frustração. Sim, há prós e contras em ambos, mas só um deles garante que nossos homens estejam seguros.
Para mim, todos da Matilha Blackwood são inúteis. A decisão é fácil.
“Prenda todos eles. Eles deveriam estar agradecidos por eu não ter arrasado com eles na primeira noite. Se alguém resistir, mate. ”
“Você não acha que isso é um pouco radical?” Clayton sugere. “O Conselho pode até concordar com você pelas evidências, mas eles não vão aprovar uma tirania e assassinato diretos.”
“Não é assassinato quando você mata o inimigo.”
“Eles se renderam,” ele aponta, sempre a voz da razão.
Foda-se a razão. Eu não me importo se todos eles morrerem.
Mas Ava poderia se importar.
Ela é suave, mesmo com tudo o que passou.
Suspiro. “Eu voarei para lá amanhã. Juntos, talvez consigamos ter uma boa ideia de quem são os verdadeiros causadores de problemas.” Nós dois somos excelentes em interrogatório.
“Obrigado.”
“Não me agradeça. Eu é que sou grato a você.” Franzi a testa, me perguntando por que o Clayton tá tão… estranho.
Esfomeado, até.
“Vamos ver sobre isso. Certo. Vem pra cá logo pra gente resolver essas merdas. Como tá a sua… companheira?”
Concordo com a cabeça, ainda sabendo que ele não pode me ver. “Sim. Ela acordou essa manhã. Tá se saindo bem, considerando tudo. Odeio ter que deixá-la, no entanto.”
“Devia ter pensado nisso antes de decidir assumir a droga da Matilha inteira, Westwood.”
“Cala a boca, Aspen.” Ele não tá errado, mesmo assim. “Vou resolver tudo aqui e avisá-la de que ficarei fora por um tempo. Essa porra de política atrapalha tudo.” Faço uma pausa, percebendo que ele esteve lá por mim esse tempo todo em vez de procurar pela própria companheira. “Ei, você encontrou sua companheira?”
“Ah… Sim. É, encontrei.”
“Bom.” Já que ele não oferece detalhes, não pressiono. Não fazemos esse tipo de coisa. “Tudo bem, cara. Valeu de novo. Te vejo de manhã. Preciso ir falar com a Ava.”
Ele hesita um segundo a mais do que o normal, e eu me pergunto de novo o que tá errado com o cara. “Ok. Cuida da tua companheira, Lucas.”
Ele desliga nessa nota abrupta, e eu fico olhando para o meu telefone, confuso, antes de encolher os ombros e voltar para dentro.
Ava tá com o rosto nos joelhos. Será que ela tá dormindo? A respiração dela é lenta e regular, mas ela não parece estar confortável.
Quando me aproximo, ela vira a cabeça e eu posso ver aqueles óculos grandes e os olhos azuis gigantes me espiando através dos cabelos loiro-escuros que eu amo. É como seda nas minhas mãos.
Odeio ter que deixá-la de novo tão logo. Foda-se a política.
“Me desculpa por isso, Ava, mas eu vou ter que partir.”
“Partir?” Ela pergunta, surpresa. Sua face está pálida.
Claro. Ela deve pensar que eu estou tentando me afastar de propósito. Eu não contei a ela nenhum detalhe sobre a tomada do poder, sobre como a família dela e o Renard fugiram quando perceberam que estavam superados.
Coço a cabeça, gemendo. Não faço ideia de como ela vai receber essa notícia. “Então, eu não te contei tudo ainda.”
Se eu achei que o rosto dela estava pálido há alguns momentos, agora eu vejo o quanto eu estava errado. Todo traço de cor se esvai e ela balança apesar de estar sentada na cama. Observo enquanto ela olha para o nada, antes de repentinamente tirar os óculos e colocá-los do lado.
Será que ela vai dormir? É esse o famoso gelo?
Mas aí ela esfrega os olhos, e algo brilha contra a pele dela.
“Espera — Ava, você tá chorando?”