Enredado ao Luar: Inalterado - Capítulo 86
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86: Ava: Perdi a Hora 86: Ava: Perdi a Hora Capítulo 21
O calor dos nossos dedos entrelaçados queima minha pele com mil acusações não ditas que pinicam minha consciência.
“Não parei de procurar. Tive olheiros na área, de olho na casa do seu pai tanto quanto podiam, mas historicamente sempre tivemos problemas em manter olheiros vivos no Território Blackwood. Agravamos os problemas que tínhamos, levamos nossas complicações ao Conselho, tentando escalar a situação para que pudéssemos infiltrar. Demorou muito antes de conseguirmos as evidências de que precisávamos. Eu odiava isso, mas não podia arriscar uma guerra com o Conselho sem nada para respaldar minhas ações.”
Enquanto Lucas relata seus esforços para me encontrar, não consigo deixar de me desligar, aflita sobre os segredos que nunca pensei serem segredos na época.
Agora, com essa paz frágil entre nós—depois que ele se sacrificou para me salvar…
Parece uma atitude muito fudida não dizer nada, não importa quão inocente tenha sido.
Eu deveria contar a ele. Eu sei que deveria.
Mas as palavras ficam presas na minha garganta, emaranhadas com uma teia de emoções que não consigo desembaraçar. Como ele vai reagir quando souber que busquei refúgio do meu cio com outro alfa? Ele vai ver isso como uma traição? Uma violação do nosso laço destinado?
Quando Selene e eu conversamos, parecia tão simples. Ele me rejeitou, então ele não tem o direito de ficar chateado.
Agora?
Com os dedos dele entrelaçados nos meus?
Comigo, viva, aqui, no território dele?
O pensamento de perder a confiança dele, de estilhaçar a conexão frágil que está florescendo entre nós, me enche de pavor. E ainda assim, manter segredos dele parece uma injustiça ao que ele fez por mim.
Respiro fundo, fortalecendo minha resolução. “Lucas, tem algo que preciso contar a você sobre—”
O telefone dele toca, o som repentino quebrando o momento como uma pedra atravessando uma janela de vidro.
Lucas franze a testa, olhando para a tela. “Merda. É o Kellan. Espere aí, Ava, preciso atender. Eu volto já.”
A mão dele aperta a minha numa intimidade casual que parte meu coração.
Forço um sorriso. “Claro. Vá em frente.”
Enquanto ele se afasta para atender a chamada, não posso deixar de me criticar por demorar demais.
Burra, burra, burra.
Isso vai acabar sendo um câncer que nos destrói.
Não é difícil. Ei, Lucas, acontece que tive um cio insano e meio que surtei, e algum alfa me ajudou nos tempos difíceis.
Viu?
Fácil.
Puxando meus joelhos para o peito, descanso minha testa contra eles e respiro fundo, lentamente, enquanto meu abdômen protesta o movimento.
Relaxe. Você consegue fazer isso. Não vai destruir tudo. Lucas vai entender. Isso não vai ser uma repetição da noite da Gala. Ele não vai pensar que você é nojenta. Ele não vai pensar que você traiu.
Você ainda será aceita pelo que você é.
Está tudo bem, Ava.
Tudo vai ficar bem.
Minha ansiedade diminui com a respiração controlada. Me acomodo no silêncio com os olhos fechados, concentrando-me no ritmo do oxigênio enchendo meus pulmões e no suave expirar a cada vez.
Imagino se meu hálito está ruim. Isso seria embaraçoso. Deveria escová-los.
A sensação de uma mão acariciando meu cabelo me assusta e interrompe minha paz forçada. A princípio, meu corpo se tensa, até que alcança meu cérebro e sinto o acolhedor perfume de fogueira.
Estou segura.
É só o Lucas.
Nada vai acontecer comigo aqui.
Virando minha cabeça, apoio minha bochecha nos joelhos e olho para cima, para Lucas. O rosto dele é tão gentil que meu coração dói, e eu maldigo meu eu do passado por ter levado nossa conexão tão na leveza. Tá, o homem me rejeitou, e como eu poderia saber que ele me resgataria no futuro… mas merda, seria muito mais fácil agora se eu não tivesse que me preocupar em contar que perdi minha virgindade com um alfa de outra matilha.
Um alfa que quer que eu permaneça sua companheira.
Que—não faz ideia de que estou segura. Droga. Eu não tinha pensado nisso. Eu deveria fazer uma ligação… depois de avisar ao Lucas sobre a existência dele.
Caralho. Eu não estava preparada para este nível de enrolação romântica na minha vida. Não estou pronta. Não treinada. Não li romances suficientes. Preciso fazer uma pesquisa séria sobre isso.
“Ei,” ele murmura, as sobrancelhas franzidas de preocupação. Acho que meu pânico está aparecendo. “Tá tudo bem?”
Eu olho para ele. A luz do sol que entra pela janela aureola seu cabelo escuro, destacando o dourado em seus olhos. Ele é tão lindo que dói.
“Sim. Tá tudo bem.” Minha voz está um pouco rouca, e eu limpo a garganta com uma tosse baixa. “Estava só me dando um incentivo porque—”
O telefone dele toca novamente, o som como uma lâmina cortando o momento, decapitando a coragem que eu tinha conseguido reunir. Lucas olha para ele com uma expressão dividida.
A indecisão trava em seu rosto antes dele suspirar e se inclinar para dar um beijo na minha testa. Seus lábios são macios, o carinho dolorosamente terno. “Seja lá o que está te preocupando, podemos conversar sobre isso. Eu prometo. Mas preciso cuidar de algo primeiro.”
Sinto-me aliviada pelo alívio que me inunda, mas assinto e forço um sorriso. “Vá em frente. Mas… há algo importante que precisamos discutir quando você voltar.”
“Estarei aqui,” ele me assegura, seus olhos sérios enquanto seguram os meus. “Podemos superar qualquer coisa, Ava. Se você me der uma chance, compensarei tudo. Tudo.”
A emoção entope minha garganta, me sufocando com a intensidade. Sem conseguir falar, apenas assinto.
Lucas sorri, a curva de seus lábios gentil e compreensiva. E então ele está virando, caminhando para fora com passos decididos.
Observo-o ir, meu coração uma bagunça emaranhada no peito. O clique da porta fechando atrás dele é como um ponto final em uma sentença.
Sozinha novamente.
Solto um suspiro trêmulo e esfrego as mãos no rosto quando percebo algo.
Meu colar.
Meu anel.
Agarro meus dedos, que estão nus. Então meu pescoço, coberto de bandagens.
Nada.
Merda.
Merda!
Toda vez que entro num hospital…