Enredado ao Luar: Inalterado - Capítulo 81
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81: Ava: Ferida 81: Ava: Ferida A consciência é fugaz e pouco confiável. A vibração suave do carro é uma cadência que me embala em um estado de semi-consciência, a realidade se misturando aos sonhos. Alterno entre compreender que estou segura e temer que o Phoenix esteja comigo em seu poder. Às vezes, posso ouvir as palavras cruéis do Alfa Renard. Até mesmo sonho com a Irmã Miriam.
De repente, uma voz corta a névoa, atravessando meus pensamentos confusos com clareza espantosa. É uma voz que reconheço, apesar de não conseguir identificar de imediato. Minhas pálpebras se abrem, e me encontro envolta em um par de braços fortes, aconchegada contra um peito largo.
Parece errado.
Então, não é o Lucas?
Ao minha visão se ajustar, identifico as feições rústicas de Kellan Ashbourne, o beta de Lucas. Seus olhos estão fixos em mim, uma mistura de preocupação e alívio marcada em seu rosto.
“Ava,” ele diz, com uma voz suave e calmante, como água fresca em um dia quente de verão. Ah, estou poética na minha delírio.
“Você está segura agora. Estamos te levando para o território Westwood.”
Pisco devagar, tentando entender as palavras dele. Os eventos da noite são uma confusão em minha mente. “Onde estamos?”
“Em uma cidade pequena. Ainda estamos no território Blackwood, e você não está segura aqui. Aguenta firme por um momento, tá bom? Você está bem machucada, sabia disso?”
Aceno com a cabeça. Sim, eu sinto dor. Dói em todo lugar. Quem não saberia quando o próprio corpo dói? Ah. Talvez paraplégicos.
“Sim. Eu consigo mexer meu corpo,” digo, mesmo estando que nem um peixe morto nos braços dele.
Consigo, eu acho.
Merda, tá tudo difícil de manter alinhado na minha mente. Queria que a Selene estivesse aqui.
Ou o Lucas.
Onde está o Lucas?
Ele não estava aqui?
Kellan parece perceber minha confusão. “O Alfa está liderando a missão, mas ele voltará logo. Por agora, precisamos te levar para um lugar seguro.”
Aceno de novo. Desta vez, posso sentir o movimento. Deve ser que não acenei antes, quando pensei que tinha.
Minha dor também está um pouco mais intensa.
Kellan muda meu peso com cuidado, e percebo que não estamos mais no SUV de antes. Este veículo é diferente, o interior reduzido ao essencial. Não há cadeiras atrás.
Que estranho.
Kellan me acomoda em uma cama improvisada de cobertores onde deveria ser o banco traseiro, seus movimentos são suaves, mas decididos. Contorço-me de dor ao movimento agravar minhas lesões.
Dói pra caralho.
Definitivamente não sou paraplégica.
“Tenta descansar,” ele murmura, a mão permanecendo em meu braço por um momento. “Você passou por muita coisa, mas vai ficar tudo bem.”
Quero fazer perguntas, entender o que está acontecendo, mas as palavras se recusam a formar nos meus lábios. Em vez disso, aceno novamente, as pálpebras pesadas de exaustão.
Alguém se acomoda ao meu lado.
“Olá, Luna. Meu nome é Vanessa, e eu sou uma curandeira da matilha. Eu vou administrar um medicamento para ajudar com a sua dor e te dar um pouco de descanso. Você consegue me entender?”
“Descanso,” murmuro, a palavra me soando atrativa.
“Sim, um pouco de descanso. Preciso estabilizar as suas lesões. Você perdeu muito sangue.” Há um monte de movimento ao redor do meu braço, e algo frio. Depois um monte de cutucadas e apalpadelas. “Uma picadinha,” ela adverte, e eu dou um grito com a picada que vem logo após seu aviso.
A sensação se desvanece, porém, e suspiro aliviada, mesmo enquanto ela continua mexendo em meu braço. “Entrando,” ela murmura. “Você deve começar a sentir em breve.”
A tontura ataca com força, e parece que minha cabeça vai se desprender e voar para o alto do céu, como um balão que escapou.
* * *
O teto é branco, e o cheiro distinto de desinfetante faz meu nariz se contorcer.
Eu consigo ver cada detalhe do teto. Alguns amassados, e um par de furos. Provavelmente de algo que tinha sido pendurado ali antes.
Virando minha cabeça para a esquerda, vejo sacolas transparentes cheias de líquido penduradas em um poste de soro. Há um soro no meu braço e um pequeno monitor com linhas onduladas em várias cores.
SpO2 99%.
RR 12.
PR bpm 61.
109/63.
Levo um segundo para entender, mas meu cérebro funciona depois de um curto tempo.
Oxigênio, taxa respiratória, frequência cardíaca, pressão arterial.
Estou num hospital.
Por um segundo penso que estou de volta às terras de Aspen, mas conforme vou despertando da grogueira, percebo que não é o mesmo lugar. Estou em um quarto menor, numa cama verdadeira. Há cortinas quase transparentes na janela, deixando entrar luz suave do dia.
O mundo volta a fazer sentido.
Eu devo ter sido levada para Westwood. Para a matilha do Lucas.
Depois que meu nariz se acostuma ao cheiro forte do uso abundante de desinfetante, posso sentir o aroma leve de fogueira. É um aroma reconfortante, que desencadeia um sentimento de conforto e segurança dentro de mim.
Estou usando uma camisa várias vezes maior do que a minha, e o cheiro vem dela.
Deve ser a camisa dele.
Acho que acharam que eu precisaria do cheiro do meu companheiro para me manter calma enquanto me curo.
Tento sentar, mas dor explodiu pelo meu corpo. Gemo, segurando meu lado, onde sinto a textura áspera de bandagens por baixo do tecido macio de algodão da camisa do Lucas.
As memórias retornam, e estremeço. Todd. Claro. A dor excruciante de suas garras rasgando a minha pele, seus dentes atacando meus ombros.
Tremito, o medo lembrado formigando pelas minhas veias.
Não sou feita para lutar.
A porta se abre silenciosamente, e uma mulher entra no quarto. Ela está vestida de uniforme cirúrgico, seus cabelos escuros presos em um rabo de cavalo bem feito. Seus olhos se arregalam um pouco quando me veem acordada, e um sorriso caloroso se espalha em seu rosto.
“Bom dia, Luna,” ela diz, a voz suave e melodiosa. “Como você está se sentindo?”
Abro minha boca para responder, mas minha garganta está seca e as palavras prendem no meu peito. A mulher parece entender e rapidamente enche um copo de água de uma jarra próxima.
“Aqui, beba devagar,” ela instrui, me ajudando a sentar o suficiente para tomar um gole do copo.
O líquido frio alivia minha garganta, e consigo fazer um aceno grato. “Obrigada,” consigo dizer roucamente.
“Imagina, é um prazer,” ela responde, colocando o copo de volta. “Meu nome é Vanessa. Sou uma das curandeiras da matilha aqui em Westwood.”
Westwood. O nome dispara uma faísca de reconhecimento, e me lembro das palavras de Kellan de antes — que estavam me levando para o território Westwood, para a segurança.
Definitivamente a matilha do Lucas, então.
“Eu não sou a sua Luna,” conto a ela, desconfortável com o título.