Enredado ao Luar: Inalterado - Capítulo 342
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342: Ava: Motivos da Ivy 342: Ava: Motivos da Ivy Deixo de lado as dúvidas, concentrando-me na tarefa à mão. “O que te traz aqui, Ivy?” pergunto, injetando uma nota de autoridade em minha voz. “Lucas mencionou que você pediu especificamente por mim.”
“Sempre direta ao ponto, não é, Ava?”
Será que eu era? Realmente não me lembro dos nossos encontros passados dessa forma. Sempre parecia que eu estava dançando ao redor dela, nunca certo do que ela realmente pensava de mim.
“Eu só queria ter certeza de que você estava bem. Clayton disse que você provavelmente estaria com a Matilha Westwood. Faz muito tempo, e eu não tinha como entrar em contato com você desde que você deixou seus telefones para trás.”
A maneira como ela fala faz parecer que eu os deixei para trás de propósito.
Deixo de lado a inquietação persistente sobre Ivy enquanto Lucas me guia até a mesa. Ao nos sentarmos, ela toma assento à nossa frente, seu sorriso ainda caloroso e convidativo. É esse calor que me desequilibra, fazendo-me questionar minhas impressões anteriores.
Por que a irmã do Clayton tem que ser tão enigmática? Seu irmão é direto, suas intenções claras como o dia. Mas Ivy? Ela é um enigma envolto em um mistério.
“Como estão as coisas em Washington?” Lucas pergunta, calmo ao meu lado. Ele não parece perceber nada de estranho na mulher.
O rosto de Ivy se transforma, o sorriso desvanecendo em uma expressão sombria. “Nós mal conseguimos sobreviver a um ataque de vampiro,” ela diz, sua voz baixa. “Foi intenso. Perdemos muitas vidas.”
Ao descrever o ataque, não posso deixar de compará-lo com o que enfrentamos aqui. A força que ela fala parece quase insignificante comparada ao ataque que atingiu Westwood. É difícil reconciliar as duas experiências.
“E quanto ao resto da área?” pergunto, me inclinando ligeiramente para a frente. “Houve outros ataques?”
Ivy acena com a cabeça, seus olhos verdes encontrando os meus. “Algumas das maiores cidades humanas foram atingidas, mas tem sido principalmente tranquilo na costa. O maior problema é a comunicação. Não podemos fazer as torres de celular ou a internet funcionar.”
“Como vocês estão obtendo informações, então?” Lucas pergunta.
“Rádio, principalmente,” Ivy responde. “Todos os noticiários estão basicamente mortos. É como se tivéssemos voltado no tempo.”
O olhar dela varre por nós, avaliando nossas aparências, o ambiente, tudo. “Como tem sido aqui? Quanto mais nos aproximávamos, mais evidências de luta e destruição nós vimos.”
Lucas se mexe ao meu lado, seu braço roçando no meu. “É perigoso deixar Wolf’s Landing,” ele diz, sua voz grave. “Há caçadores lá fora, procurando por qualquer presença sobrenatural.”
Ivy inclina a cabeça. “Caçadores? Não encontramos nenhum deles.”
“Vocês estiveram nas cidades?”
Ela balança a cabeça. “Não. Viajamos de carro, mas os últimos três dias foram a pé, transformados.”
Lucas parece pensativo. “Vocês tiveram sorte de chegar aqui ilesos. As comunidades sobrenaturais parecem estar aliadas com os atacantes. Uma matilha viajando seria fácil de rastrear.”
“O quê?” A confusão de Ivy é evidente. “Isso não pode estar certo. Nossas comunidades sobrenaturais foram atacadas, assim como nossa matilha.”
“Como você sabe disso?” Lucas pergunta, sua voz afiada.
Ela não se retrai diante de suas perguntas. “Eu estive nelas,” ela diz de forma simples. “Quando Clayton começou a alcançar para ver quão extensa era a devastação, eu me ofereci para fazer contato. Não temos real afeição por eles, mas não é hora de sermos exigentes sobre nossos aliados.”
“Vocês conseguiram viajar livremente?” pergunto, sem conseguir esconder a incredulidade da minha voz.
Ivy acena, sua expressão suavizando. “Não tem sido fácil, mas sim. Conseguimos estabelecer contato com várias comunidades ao longo da costa.”
“E todas foram atacadas?” Lucas insiste.
“Em graus variados,” Ivy confirma. “Algumas piores que outras, mas nenhuma ficou intocada.”
Troco um olhar com Lucas, vendo minha própria confusão refletida em seus olhos. Se o que Ivy está dizendo é verdade, então a situação fora da nossa pequena bolha é muito diferente do que vivenciamos. Mas por quê? O que faz essa área ser tão diferente?
“Conte-nos mais sobre esses ataques,” Lucas diz, se inclinando para frente. “Como eles se comparam com o que você enfrentou?”
Enquanto Ivy começa a detalhar os vários ataques que ouviu falar ou testemunhou, encontro minha mente em uma corrida. As discrepâncias entre o relato dela e nossas experiências são marcantes. Enquanto enfrentamos assaltos organizados e estratégicos, os ataques que ela descreve parecem mais aleatórios. Caóticos.
As cidades humanas foram as mais atingidas, sem qualquer maneira de reagir. Aspen, por outro lado, ainda mantém controle das suas terras de matilha.
“É como se eles estivessem testando defesas,” Ivy diz. “Sondando por fraquezas, mas sem comprometer-se com um ataque em grande escala.”
“Não é o que vimos aqui,” intervenho, esfregando um dedo contra minha têmpora enquanto tento pensar nas novas informações. “Os ataques à Westwood foram devastadores. Coordenados.”
“Isso é… preocupante,” ela diz devagar. “Vocês tiveram algum contato com outras matilhas ou comunidades nesta área?”
Lucas balança a cabeça. “Estamos focados na sobrevivência e na reconstrução. As poucas tentativas que fizemos para nos comunicar foram recebidas com hostilidade.”
“É por isso que a chegada de vocês é tão significativa,” acrescento. “Vocês são os primeiros rostos amigáveis que vimos de fora em… bem, parece uma eternidade agora. Estamos completamente isolados.”
Ivy acena, sua expressão pensativa. “Posso ver por que Clayton estava tão preocupado com todos vocês. Infelizmente, não trouxemos suprimentos. Somos apenas nós.”
“Vocês vieram para ficar ou vão seguir viagem?” Lucas apoia o braço atrás da minha cadeira, e eu juro que os olhos de Ivy seguem aquele movimento como um gavião.
“Enviarei um batedor de volta para Clayton com as informações, mas o resto de nós está aqui para ficar e apoiar. Somos seu oficial de ligação com a Matilha Aspen. Vendo que sua situação é mais crítica que a nossa, posso solicitar mão de obra extra e alguns suprimentos, mas não sei quão seguro seria.”
“Nós agradeceríamos isso.”
“Claro,” Ivy diz, sorrindo novamente. “Somos aliados de longa data.”
Enquanto Ivy e Lucas trocam algumas banalidades básicas, a voz de Selene entra em minha mente, tingida com um leve rosnado. Eu não confio nela, Ava. Algo está errado.
Você acha que ela tem segundas intenções?
Mantenho minha expressão neutra, sem querer revelar nossa conversa silenciosa, mas claro que é impossível falar sem dar uma pausa. Deve estar óbvio para todo lobo na sala.
Ivy me lança um rápido olhar carrancudo.
Definitivamente. O jeito que ela olha para você não está certo.
Eu considero suas palavras com cuidado. Você acha que ela é perigosa para a matilha?
Há uma pausa, e posso sentir a hesitação de Selene. Eu não acho. Não diretamente, pelo menos. Mas ainda assim não consigo me livrar desse sentimento. Não devemos confiar nela completamente.
Concordo silenciosamente, cuidando para manter minha fachada atenta enquanto Ivy faz contato visual comigo. Ofereço a ela um pequeno sorriso, que ela retorna prontamente.
Sabe, eu digo a Selene, não consigo deixar de sentir que ela está chateada por eu estar unida a Lucas.
Sim. Há algo possessivo em seus olhos quando ela olha para ele. É perturbador.
Um alívio me invade. Não estou imaginando coisas. Não estou sendo paranoica. Selene também vê.
“Ava?” A voz de Lucas me tira do meu diálogo interno. “O que você acha?”
Pisco, percebendo que perdi parte da conversa. “Desculpe, o quê?”
O sorriso de Ivy se transforma em um leve sorriso. “Perdida em pensamentos?”
“Apenas processando tudo,” minto suavemente. “É muita coisa para absorver.”