Enredado ao Luar: Inalterado - Capítulo 326
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326: Lisa: Missão de Compras (II) 326: Lisa: Missão de Compras (II) LISA
No momento em que saio do carro, um arrepio percorre a minha espinha que não tem nada a ver com a temperatura. Tem algo errado.
As pessoas se apressam pelo estacionamento, seus olhares baixos e ombros curvados. Carrinhos de compras chacoalham, empilhados com garrafas de água e papel higiênico. É como se todos estivessem se preparando para algum desastre iminente.
“O que está acontecendo?”
Kellan aparece ao meu lado. “Você também sente, né?”
Aceno com a cabeça, observando uma mãe apressada passar com dois pequenos filhos a tiracolo, seu rosto contraído de preocupação. “Isso não é normal, é? Eu pensei que essas cidades deveriam ser… Sei lá, intocadas por tudo.”
Ele balança a cabeça sombriamente. “Parece que nenhum lugar é realmente seguro mais.”
Outro carro para perto, e reconheço alguns dos seguranças lobisomens do nosso grupo. Kellan se inclina para perto, sua respiração quente contra minha orelha. “Eles vão reunir alguns essenciais, se é que sobrou alguma coisa.”
“Boa sorte para eles,” murmuro, de olho nos compradores frenéticos entrando e saindo da loja.
Seguimos em direção à entrada, o Grande Sábio e Elverly vindo atrás de nós. É estranho vê-los tão contidos, o papo usual deles silenciado. À medida que passamos pelas portas deslizantes, a tensão só parece aumentar.
Lá dentro, a loja é um formigueiro de caos mal controlado. Pessoas se empurram nos corredores, seus carrinhos transbordando de enlatados e outros não perecíveis. As prateleiras estão vazias em alguns lugares, buracos abertos onde itens do dia a dia costumavam estar.
“Por aqui,” murmuro, guiando nosso pequeno grupo para a seção de joalheria e acessórios. Aqui é mais tranquilo, afastado da confusão dos corredores de mantimentos.
Os olhos do Grande Sábio se arregalam quando nos aproximamos da vitrine de relógios. “Fascinante,” ele sussurra, inclinando-se para examinar os vários modelos de perto.
Aponto para os diferentes estilos, mantendo minha voz baixa. “Estes são relógios digitais,” explico, indicando um modelo preto elegante. “Eles usam mostradores eletrônicos para mostrar o tempo. E estes aqui são relógios analógicos, com mostradores tradicionais e ponteiros que se movem.”
O Grande Sábio acena com a cabeça, acariciando a barba pensativamente. “E qual seria mais adequado para nossos fins, você acha?”
Refletindo por um momento. “Provavelmente digital. São mais fáceis de modificar, e o visor pode mostrar mensagens ou outras informações além do tempo.”
Ele pega um relógio esportivo robusto, virando-o nas mãos. “Este parece resistente. Feito para suportar várias condições.”
“Boa escolha,” concordo. “Esses são feitos para atividades ao ar livre, então são bastante duráveis.”
Enquanto o Grande Sábio continua examinando o relógio, não consigo deixar de olhar em volta, nervosa.
“Já decidiu por um?”
Ele levanta o relógio esportivo. “Acredito que isto seja suficiente. Agora, precisaremos adquirir as ferramentas necessárias para modificá-lo…”
Enquanto ele fala, noto um pequeno grupo de pessoas se aproximando da nossa seção. Eles parecem diferentes dos compradores em pânico—mais decididos, seus olhares vasculhando a área com uma intensidade predatória que faz meu coração acelerar.
“Kellan,” sussurro, cutucando-o de leve.
Ele segue meu olhar, seu corpo se tensionando ao meu lado. “Eu os vejo. Fique perto.”
O Grande Sábio e Elverly percebem a mudança de atmosfera.
“Devemos ir,” sugiro, tentando controlar o tremor na minha voz. “Podemos resolver o resto depois.”
Kellan assente, sua mão repousando protetora em minhas costas. “Concordo. Vamos para o caixa.”
Enquanto começamos a nos mover, ouço pedaços de conversa do grupo que se aproxima.
“…definitivamente pegaram um cheiro…”
“…não é humano, com certeza…”
Minha pulsação acelera. Eles estão procurando por algo—ou alguém—sobrenatural. E nós somos a descrição perfeita.
Bem, não eu. Mas o resto deles.
Nos esgueiramos pelos corredores, tentando nos misturar aos outros compradores enquanto nos dirigimos à frente da loja. O grupo parece estar nos seguindo, embora estejam tentando ser sutis sobre isso.
“Quase lá,” Kellan murmura, nos guiando em direção a uma fila de caixa aberta.
Ao nos aproximarmos, percebo a caixa dando-nos um olhar estranho. Seus olhos demoram no Grande Sábio e em Elverly, abrindo-se levemente. Seguro a respiração, rezando para que ela não diga nada que chame atenção para nós.
O grupo está chegando perto. Sinto os olhos deles em nós, queimando minhas costas. Minhas palmas suam enquanto coloco o relógio na esteira, atrapalhando-me com a carteira.
“Será $49.99,” diz a caixa, sua voz soando anormalmente alta nos meus ouvidos.
Entrego o dinheiro com as mãos tremendo, desejando que ela se apresse. Cada segundo parece uma eternidade enquanto ela embala o relógio e me entrega o recibo.
“Obrigada, tenha um bom dia.”
Estamos quase na saída quando ouço um grito atrás de nós.
“Ei! Vocês aí! Parem!”
A mão de Kellan se aperta no meu braço. “Corra,” ele sussurra urgentemente.
Saímos disparados pela porta para o estacionamento, o som da perseguição bem atrás de nós. Meu coração bate nos ouvidos enquanto corremos em direção ao nosso carro, o Grande Sábio e Elverly lutando para acompanhar.
“Entra!” Kellan grita, atrapalhando-se com as chaves.
Me jogo no banco de trás, puxando Elverly comigo enquanto o Grande Sábio se embola no da frente. Kellan dá a partida no motor justo quando nossos perseguidores chegam ao carro.
“Vai, vai, vai!” grito, minha voz aguda de pânico.
Kellan acelera, os pneus guinchando enquanto saímos voando do estacionamento. Pelo retrovisor, vejo rostos irritados e punhos erguidos.
“Os outros—”
“Já os avisei. Estamos nos separando. Essa pode não ser o único grupo.” Kellan tamborila os dedos no volante, sua voz tensa.
Enquanto o impulso da adrenalina se esvai, relaxo de volta no meu assento com respirações descompassadas. Até aquela curta corrida pelo estacionamento foi demais para o meu corpo.
“O que… o que foi isso?” consigo perguntar entre goles de ar.
Os nós dos dedos de Kellan estão brancos no volante. “Caçadores, eu acho. Ou algum tipo de grupo ciente do sobrenatural.”
O Grande Sábio segura a bolsa com o relógio contra o peito. “Pelo menos completamos nossa missão,” ele diz, embora sua voz não tenha o tom alegre de sempre.
Aquelas cidades intocadas que imaginei antes agora parecem uma fantasia distante. A realidade é muito mais sombria—um mundo à beira, onde até uma simples ida às compras pode se transformar numa situação de vida ou morte.
“Ainda bem que não estávamos perto do refúgio.”
“É exatamente por isso que não estávamos. E agora sabemos que alguém está caçando sobrenaturais.” Kellan bate os dedos no volante, sua voz contida.