Enredado ao Luar: Inalterado - Capítulo 264
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264: Ava: Lucas está se recuperando 264: Ava: Lucas está se recuperando “Como isso pode ser?!”
É uma pergunta idiota. A traição vem em todas as formas e tamanhos. Pode acontecer com qualquer um, a qualquer momento.
Mas ainda é um choque.
Kellan sacode a cabeça. “É a única coisa que faz sentido. Alguém sabia cada passo que nós dávamos. É por isso que a discrição é valorizada até mesmo aqui.” Ele esfrega a ponte do nariz com um longo suspiro. “Trazer todos para cá parecia impossível. Perdemos tantos, mesmo após a luta, durante a retirada. Especialmente depois que Lucas se feriu.”
“Ele está bem agora, certo?”
Kellan me encara, um músculo em sua bochecha tremendo. “Até certo ponto, sim. Sua Irmã Miriam chegou a tempo de estabilizá-lo.”
Eu franzo a testa. “O que você quer dizer?”
“Se ela e Selene não estivessem lá, Lucas teria sucumbido aos seus ferimentos.”
Isso não pode ser possível.
É difícil o suficiente aceitar que ele foi gravemente ferido sem um único soluço na ligação entre nós.
É pior pensar que eu poderia tê-lo perdido e não fazia ideia. Mesmo agora, a única sensação em meu peito é de minha ligação vibrando em excitação, pronta para ver Lucas, impaciente com esse desvio que Kellan arquitetou.
“Eu não sinto nada diferente. Parece o mesmo de sempre, aqui dentro.” Toco meu peito, lágrimas enchendo meus olhos com a ideia de quase perder Lucas. Mal tivemos tempo juntos, com todas essas loucuras acontecendo ao nosso redor. “Por que eu não senti?”
“Vocês têm uma conexão de companheiros predestinados, mas você não está marcada. Não são companheiros. Você não sentiria. Ou está lá, ou não está.” Ele esfrega a mão vigorosamente sobre a cabeça, fazendo uma careta. “Não dá para sentir direção ou qualquer outra coisa, a menos que estejam por perto.”
Ah. Ele está frustrado.
Ele é companheiro da Lisa e ainda não a viu.
“Lisa está vindo,” eu solto. “Ela deve chegar em breve.”
Kellan se move tão rápido que mal percebo. Suas mãos prendem meus braços superiores, seu aperto forte o suficiente para formar hematomas. Seus olhos queimam com uma intensidade que tira meu fôlego.
“Você está falando sério?” ele exige, cru e emocional de uma maneira que eu nunca vi. Nem mesmo quando ele reconheceu pela primeira vez sua conexão de companheiro, no dia em que perdemos a Lisa.
Por um momento, fico atordoada com a reação dele. É assim que Lucas se sentiu quando finalmente me encontrou? Meu coração se agita com o pensamento, um anseio desesperado para vê-lo me inundando. Coloco isso de lado, focando em Kellan.
“Sim,” eu o garanto, mantendo minha voz firme. “Foi o que me disseram. Lisa deve estar a caminho daqui.”
Kellan pisca, parecendo voltar a si. Ele olha para suas mãos, ainda segurando meus braços, e as solta abruptamente. Dando um passo para trás, suas feições se suavizam na máscara de profissionalismo beta que eu sempre achei que fosse seu rosto normal.
“Peço desculpas, Ava,” ele diz, voz cortante. “Isso foi inapropriado de minha parte.”
“Tudo bem,” eu digo a ele, esfregando meus braços onde seus dedos deixaram impressões. “Eu entendo.”
E eu entendo. O alívio e a esperança em seus olhos, rapidamente mascarados, estão para sempre gravados em minha memória.
Ocorre-me que Lisa não sabe sobre a conexão predestinada deles. Não tenho certeza de como ela vai reagir a isso.
“Quando você obteve essa informação?” Kellan pergunta, todo profissional agora.
“Logo antes de partirmos para vir para cá,” eu explico. “Um homem chamado Acarus nos contou. Ele é… ligado à Irmã Miriam.”
As sobrancelhas de Kellan se erguem levemente com isso. “Irmã Miriam,” ele murmura. “Ela tem se envolvido bastante ultimamente.”
Então ele sacode a cabeça, como se afastando pensamentos indesejados. “Sobre Lucas.”
Meu coração acelera. “Quero vê-lo.”
“Ele está… se recuperando,” ele diz cuidadosamente. “Mas houve contratempos inesperados.”
Dessa vez sou eu que fecho a distância entre nós, meus dedos envolvendo o antebraço de Kellan. Os músculos sob meu aperto estão tensos, traindo a tensão que ele tenta tanto esconder.
“O que você quer dizer?” eu exijo, minha voz subindo. “Pare de rodeios, Kellan. O que está acontecendo com Lucas?”
Os olhos de Kellan se fecham, e ele passa a mão livre pelo rosto. Um rosnado baixo emerge de seu peito, um som de frustração e algo que não consigo identificar.
“Lucas não está…” Ele pausa, engolindo em seco. “Ele não é o mesmo de antes.”
Meu aperto em seu braço se intensifica. Sinto minhas unhas cravando em sua pele, mas não consigo largar. “Pare de ser tão malditamente enigmático e apenas me diga!” O desespero me corrói por dentro. “O que está errado com ele?”
Os olhos de Kellan se abrem, encontrando os meus. A dor que vejo lá rouba meu fôlego. Quando ele fala, sua voz é quase um sussurro.
“O Alfa perdeu a memória.”
As palavras me atingem como um golpe físico. Eu recuo, minha mão caindo de seu braço. “O quê?” eu respiro, incapaz de processar o que ele está dizendo.
Isso não pode ser possível.
Kellan continua, sua voz baixa e tensa. “Ele não reconhece nenhum dos seus lobos. Tem sido incapaz de se comunicar através das ligações da matilha, embora pareçamos ainda ter uma conexão com ele como nosso alfa.”
Eu balanço a cabeça, a negação subindo como bile em minha garganta. “Não,” eu sussurro. “Isso não é possível. Eu teria sentido algo. Nossa ligação—”
“Sua ligação não está completa,” Kellan me lembra gentilmente. “Você não está marcada. Não são companheiros.”
A verdade de suas palavras se abate sobre mim, e sinto meus joelhos dobrarem. Kellan estende a mão, me estabilizando com um aperto firme nos ombros.
“Como?” Eu consigo engolir. “Como isso aconteceu?”
A mandíbula de Kellan se contrai. “O ataque. Quando ele foi ferido… Irmã Miriam salvou sua vida, mas houve complicações. Não sabemos se é temporário ou…” Ele para, incapaz de terminar o pensamento.
Minha mente corre, tentando entender essa nova realidade. Lucas, meu Lucas, não se lembra de mim. Não lembra de nós.
O futuro que começamos a construir juntos, as promessas que fizemos—tudo isso, desaparecido num instante.
“Eu preciso vê-lo,” eu digo, minha voz mais forte do que me sinto. “Leve-me até ele, Kellan. Agora.”
Kellan hesita. “Ava, eu não tenho certeza de que isso seja—”
“Agora,” repito, aço em minha voz. “Não me importo se ele não se lembra de mim. Preciso vê-lo com meus próprios olhos.”
Por um momento, penso que ele vá discutir. Mas então seus ombros caem, e ele concorda. “Está bem. Siga-me.”