Enredado ao Luar: Inalterado - Capítulo 248
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248: Ava: Sonhos Febris 248: Ava: Sonhos Febris “Como ele saberia?”
Vanessa dá de ombros. “Eles existem há muito tempo. Acho que os Fae também entram no cio.”
Caio de costas e gemo com as palavras dela. “Os Fae não são transformistas.”
“Pelo que ele diz, o cio biológico é o mesmo, e os supressores vão funcionar. Tudo que podemos fazer é tentar.” Ela confere minha temperatura, clicando a língua. “Diminuiu, mas você ainda está com febre.”
Com todo o suor escorrendo por cada parte do meu corpo, estou surpresa. Pensei que a febre já tinha passado. “Quando o Magíster Orion vai voltar?”
“Logo, espero.”
“Então eu estou doente, ou só entrando no cio?” Eu fixo o olhar em Vanessa, a luz fraca do ambiente é o suficiente para queimar meus olhos. “Porque deixa eu te dizer, se eu vou ter que ficar miserável toda vez, acho que quero arrancar meu útero.”
Ela ri baixo. “Você pode estar doente. Magíster Orion acha que pode ser por causa do seu aumento de poder. Algo sobre uma repercussão sobrecarregando o corpo.”
Selene mencionou que eu entro no cio para ganhar poder, ou algo assim, antes. Eu ainda não sei os detalhes exatos, mas faz sentido, eu acho.
“Quanto tempo tenho antes de entrar no cio?” Não importa o quanto eu tente lembrar, não consigo me recordar de quanto tempo foi entre conhecer Selene e usar o colar.
Ela suspira. “Não faço ideia. Você é um caso inusitado em todos os aspectos possíveis. Quanto mais cedo conseguirmos os supressores, melhor será. Que já esteja afetando o Marcus quando você não apresenta outros sinais de cio é quase inédito.”
Esse maldito cio é a coisa mais estúpida que já tive que suportar.
“Faça-me um favor e me nocauteie se não puder suprimir. Não quero repetir erros passados.”
Se inclinando para frente, Vanessa dá um toque na minha testa. “Não se antecipe aos problemas antes deles chegarem, Ava. Descanse um pouco.”
* * *
Galhos quebram sob meus pés enquanto caminho por uma floresta desolada. A neve brilha, mas não está fria contra os meus pés descalços. Apesar de estarmos em pleno inverno, a temperatura está agradável.
Um sonho. Tem que ser um sonho, porque eu estou dormindo na Ala dos Fae.
A lua emite um brilho sinistro, transformando as árvores esqueléticas em sombras ameaçadoras contra o céu.
Nunca vi uma floresta tão sem vida. Mesmo no auge do inverno, deveria haver coníferas. Mas aqui, não há nada. Sem pinheiros, sem abetos, nem mesmo os resistentes arbustos de zimbro que se agarram à vida nos climas mais rigorosos.
Um arrepio percorre minha espinha, mas não é de medo. Este lugar, por toda a sua desolação, não se sente ameaçador. É mais como caminhar por um cemitério — solene e vazio.
O silêncio é absoluto, quebrado apenas pelo crunhido dos meus passos e o sussurro da minha respiração.
Continuo andando, impulsionada por um puxão inexplicável. O luar prega peças nos meus olhos, criando sombras que parecem se mover e dançar na beira da minha visão. Mas quando me viro para olhar, não há nada lá.
Apenas mais árvores nuas e terra congelada.
O caminho que estou seguindo passa pela floresta, me levando cada vez mais para o seu coração. Perco a noção do tempo, minha mente vagueia enquanto caminho.
Horas devem ter passado, mas meus músculos não doem.
Justo quando começo a pensar se essa floresta é interminável, vejo uma abertura na imensa mar de árvores mortas.
Aperto o passo.
Entro numa clareira, e minha respiração falha.
No centro, desafiando toda a lógica e razão, há uma única flor.
É diferente de tudo que já vi. As pétalas possuem cores magníficas — roxos intensos desbotando para azuis brilhantes, com bordas de um brilho dourado. Ela parece brilhar de dentro, o único farol de vida nesse mundo morto.
A flor balança suavemente, embora não haja brisa que eu possa sentir.
Meu coração dói ao vê-la. Depois da monotonia da floresta, esse estouro de cor e vida é quase doloroso, um lembrete do que falta neste lugar.
Sou atraída para ela, meus pés se movendo por vontade própria.
O caule é um verde vibrante, tão brilhante que quase dói olhar. Pequenas gotas de orvalho se agarram às pétalas, pegando o luar e o dispersando em explosões prismáticas.
Tem que ser mágico. Nada assim existe no nosso mundo.
Ou talvez seja uma flora fae fantástica.
Estendo a mão, querendo tocá-la, movida por uma necessidade interior que me instiga a me aproximar.
“Ava.”
O silêncio se despedaça. Reconheceria essa voz em qualquer lugar.
Rodopiando, meus olhos vasculham a linha das árvores. “Lucas?”
Mas não há nada. Sem movimento, sem sinais de vida. Apenas árvores atrás de árvores.
Me viro em um círculo lento, procurando qualquer sinal de movimento. “Lucas?” Chamo de novo, mais alto desta vez. Minha voz ecoa pela clareira, batendo nas árvores e voltando para mim, distorcida e estranha.
Ainda assim, nada.
Eu estava tão certa de que ouvi ele. A voz era tão clara, tão real. Não tem como aquilo ter sido minha imaginação.
Meu olhar é atraído novamente para a flor. Ela parece ainda mais brilhante agora, suas cores mais vivas. As pétalas balançam suavemente, como se me chamassem mais perto.
Uma rajada de vento passa pela clareira, fazendo os galhos balançarem e enviando uma chuva de folhas mortas pelo chão. Tremo, envolvendo meus braços em volta de mim mesma.
Pela primeira vez neste lugar, sinto frio. É pior do que estar na neve sem sapatos ou roupas apropriadas. É um frio profundamente enraizado, onde o calor não existe mais.
O vento se acalma tão rápido quanto veio, deixando a floresta em uma imobilidade assustadora novamente. Me viro para a flor, meio que esperando que ela tenha desaparecido.
Mas ela ainda está lá, vibrante e viva, um salpico de cor neste mundo de cinza e sombra.
Estendo a mão novamente, meus dedos se aproximando das pétalas delicadas.
“Ava!”
A voz vem de novo, desta vez mais alta, mais urgente. Eu giro, meu coração acelerado.
“Lucas?” Minha voz ecoa pelas árvores. “Onde você está?”
Mas, assim como antes, não há resposta.