Enredado ao Luar: Inalterado - Capítulo 242
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242: Lisa: Acordando em Conforto 242: Lisa: Acordando em Conforto Acordar numa cama é confortável demais.
Meu cérebro quer acordar, mas meu corpo quer continuar dormindo.
Se esse conforto não for mais que uma armadilha elaborada antes de me matarem, pode me levar. Pelo menos vou embora em êxtase.
Acordar numa cama é confortável demais.
Meu cérebro quer acordar, mas meu corpo quer continuar dormindo.
Se esse conforto não for mais que uma armadilha elaborada antes de me matarem, pode me levar. Pelo menos vou embora em êxtase.
Uma cutucada aguda nas minhas costelas me tira dos devaneios semiadormecidos. Abro um olho, piscando contra o brilho repentino. Um rosto aparece na minha vista, tão perto que posso contar cada ruga gravada na pele curtida.
“Levanta! Levanta, sua menina preguiçosa!”
A voz é estridente, irritante nos meus tímpanos. Pisco, tentando focar na dona daquela voz. É uma mulher, incrivelmente pequena, com um nariz tão vermelho que poderia guiar o trenó do Papai Noel.
Abro a boca para falar, mas minha língua parece lixa. Antes que consiga formar palavras, um tapa ardido acerta minha panturrilha. A dor é aguda, inesperada, e me faço para trás, quase caindo da cama.
“Ai! Que porra—”
“Sem tempo para suas bobagens,” a mulherzinha interrompe, balançando a mão na minha frente. Seus dedos são nodosos, me lembram raízes de árvores. “Você fede. Chuveiro. Agora.”
Sento-me, a cabeça girando. O quarto gira e balança ao meu redor. Onde estou? Como vim parar aqui? A última coisa que me lembro é… Escuridão. Frio. Um homem estranho que me tirou do meu inferno pessoal.
O gemido da mulherzinha me traz de volta ao presente. “Olha essa nojeira. Suja! Você estragou os lençóis.”
Olho para baixo, na cama. Os lençóis que eram brancos estão manchados de sujeira e… isso é sangue? Meu estômago revira ao ver meus pulsos, crus e um pouco sangrentos.
“Vamos, vamos. Sem tempo a perder.” Ela puxa meu braço pelo cotovelo, a força dela surpreendente para alguém tão pequena.
Minhas pernas vacilam sob mim, e o chão está frio contra meus pés descalços. Pés descalços? Ah. Roupas que não reconheço—um simples vestido branco de noite que é várias numerações grandes demais, suave e enganosamente limpo. Tenho certeza de que é uma bagunça por dentro.
A mulherzinha me conduz pelo quarto, resmungando em voz baixa. Quero fazer perguntas—tantas perguntas—mas elas ficam presas na minha garganta. Algo no jeito dela, ríspido e direto, me faz sentir como uma criança repreendida.
Passei tanto tempo com medo que quase é confortante ter medo de alguém assim.
Parece que vou precisar de uma terapia séria, se essa pessoa minúscula não estiver me arrastando para me matar.
Chegamos a uma porta, e ela a empurra, revelando um banheiro. “Entra. Chuveiro. Faça rápido.”
Antes que possa protestar, ela me empurra para dentro e bate a porta.
Fico lá, sozinha no silêncio repentino, encarando meu reflexo no espelho. Meu rosto está pálido, os olhos arregalados com confusão e medo. Olheiras indicam o esgotamento que sinto nos ossos.
E falando em ossos…
Meu rosto está cadavérico. Eu vi meus dedos se tornarem pouco mais que gravetos ósseos, mas meu rosto.
Deus.
Pareço um esqueleto com um pouco de pele pendurada.
Horrível.
“Que inferno está acontecendo?” eu sussurro para meu reflexo.
A garota no espelho não tem respostas. Ela parece tão perdida quanto eu me sinto.
Olho para o chuveiro, desconfiada. Parte de mim quer marchar até lá e abrir a porta com força, exigindo respostas para todas as minhas perguntas.
Mas uma parte maior anseia pela promessa de água quente, de lavar a sujeira que sinto cobrindo minha pele, e as memórias de… quanto tempo faz.
Com as mãos trêmulas, tiro o vestido. Meu corpo por baixo é um mapa de contusões e arranhões. Alguns parecem frescos, vermelhos irritados contra minha pele pálida. Outros são mais antigos, desbotando para amarelos e verdes doentios.
Marisol não me bateu.
Na verdade, para uma vítima de sequestro, não foi tecnicamente tão ruim, eu acho.
Mas eu me debati muito, tentando escapar das minhas correntes. Isso geralmente envolvia cair no chão de várias formas dolorosas. E quando não eram tentativas de fuga, era eu tentando fazer alongamentos e exercícios básicos para manter minha massa muscular—difícil de fazer com correntes pesadas me prendendo.
Honestamente, estou surpresa que meus pulsos e tornozelos não estejam quebrados.
A água assobia quando a ligo, o vapor rapidamente preenchendo o pequeno espaço. Entro debaixo do jato, gemendo quando a água quente atinge minha pele machucada. Mas a dor desaparece, substituída por um calor abençoado que parece penetrar nos meus ossos.
A água cai sobre mim com uma sensação de paz e limpeza que não sentia desde… bem, antes.
Um sabonete na borda é a primeira coisa que pego, esfregando-o em mim até que se transforme num cinza sujo, esfregando minha pele como se pudesse lavar as memórias junto com a sujeira. Quando termino, minha pele está rosa e crua, mas me sinto mais eu mesma.
Meu cabelo é uma bagunça emaranhada. Nem tenho certeza se é possível desembaraçá-lo. Ainda assim, tomo meu tempo lavando-o com xampu e condicionador, deixando uma camada de condicionador na esperança de que ajude a desembaraçar os nós.
Saindo do chuveiro, envolvo-me em uma toalha fofa. O vapor nubla o espelho, e eu o limpo com minha mão. O rosto que me encara é familiar, mas estranho. Há uma dureza nos meus olhos que não estava lá antes.
Uma batida forte na porta me faz pular.
“Anda logo aí dentro!”
A voz da mulherzinha corta meus pensamentos. Olho ao redor, percebendo que não há roupas para eu trocar. Visto o vestido sujo de novo? Enrolo-me na toalha e espero pelo melhor?
“Er,” eu chamo, odiando como minha voz soa pequena. “Não tenho roupas.”
Há um bufar do outro lado da porta, então o som de passos se afastando. Um momento depois, eles retornam.
“Abre aí.”
Eu abro a porta um pouco, espiando para fora. A mulherzinha empurra um monte de tecido para mim.
“Vista-se. Rápido agora.”
A porta se fecha novamente, e eu fico segurando o que se revela ser um vestido simples e roupas íntimas. Eles servem perfeitamente, o que é ao mesmo tempo um alívio e um pouco perturbador.
Quem são essas pessoas? Como eles sabem meu tamanho?
Respiro fundo, me preparando. É hora de respostas.
Abrindo a porta do banheiro, saio, pronta para enfrentar o que me espera. A mulherzinha está lá, batendo o pé impacientemente.
“Até que enfim,” ela resmunga. “Vamos, então. Eles estão esperando.”
“Espera,” digo, finalmente encontrando minha voz. “Quem está esperando? Onde estou? O que está acontecendo?”
Ela se vira, me encarando com um olhar que poderia talhar leite. “Perguntas depois. Mexa-se agora.”
Quero discutir, plantar meus pés e recusar a me mover até obter algumas respostas. Mas o fogo dentro de mim desaparece quase imediatamente, e eu a sigo, devidamente intimidada pelas ordens ríspidas dessa mulher.