Enredado ao Luar: Inalterado - Capítulo 213
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213: Ava: Acabou 213: Ava: Acabou “Você viu aquilo?” Pergunto ao Kellan, minha voz mal acima de um sussurro.
Ele olha para mim, com as sobrancelhas franzidas e o corpo em alerta. “Vi o quê?”
Balanço a cabeça, não muito certo de como explicar o estranho fenômeno. “Nada. Esquece.”
Ao sair do carro, não consigo deixar de olhar para trás, observando os seis guardas que seguem nosso rastro. A presença deles deveria ser reconfortante, um sinal do compromisso de Lucas com a minha segurança, mas em vez disso, só serve para aumentar minha inquietação.
Há algo no ar, uma energia zumbindo que me deixa arrepiada e faz minha pele parecer muito apertada. É como se o mundo estivesse prendendo a respiração, à espera de algo acontecer.
Entramos no prédio, nossos passos ecoando pelos corredores vazios. Kellan vai na frente, ombros largos tensos sob o paletó do terno. Sigo logo atrás, com o coração martelando no peito enquanto descemos as escadas para o porão, percebendo que de lá não vem luz alguma.
Kellan e eu sacamos nossos celulares para usar como lanternas, mas não interrompemos a descida.
Quando chegamos lá embaixo, paro abruptamente, prendendo a respiração. O escritório, o balcão de recepção, as obras de arte coloridas que adornavam as paredes — tudo desapareceu. No lugar, só há um quarto vazio de concreto, desprovido de qualquer sinal de vida. Como se nunca tivesse existido um escritório. Sem paredes de gesso. Sem fios elétricos.
Apenas… nada.
“Que diabos?” Kellan resmunga, seus olhos varrendo o espaço vazio.
Dou um passo à frente, meus dedos deslizando pela parede áspera. “Estava aqui, não estava? A gente não pegou o caminho errado?”
Uma pergunta tola. É o mesmo prédio, no mesmo bairro.
Nada mudou.
E ainda assim, Steve não está aqui.
Kellan sacode a cabeça, com uma expressão sombria. “Não, nós não pegamos. Algo está muito errado.”
Este lugar fede a magia, Selene rosna, eriçando os pêlos. Tenha cuidado, Ava.
Minha garganta está apertada, dificultando a deglutição. O ar parece crepitar com energia, fazendo os finos pelos na parte de trás do meu pescoço se arrepiarem. Todo instinto me grita para correr, para me afastar o máximo possível deste lugar.
Algo nunca esteve certo sobre Steve e sua pequena recepcionista.
Sobre o escritório no porão de um prédio em ruínas.
A maneira como me senti enjoada ao olhar nos olhos dela.
“Kellan, eu acho que Steve é um—”
O mundo tomba, a realidade embaça nas bordas enquanto o ar é sugado dos meus pulmões. Desabo de joelhos, uma mão agarrando meu peito, a outra raspando contra o chão de concreto áspero. Ao meu lado, Kellan arfa, o rosto contorcido de dor enquanto luta para respirar.
A escuridão nos engole, a luz de nossos celulares apagada como velas em um furacão. Estou me afogando, sufocando, meus pulmões implorando por oxigênio. Lágrimas escorrem pelo meu rosto, quentes e ardentes, enquanto suplico silenciosamente por misericórdia, por alívio desse tormento.
E então, tão repentinamente quanto começou, ou talvez cem anos depois, acaba.
Meu peito sobe e desce com respirações trêmulas e profundas, alimentando meus pulmões famintos de oxigênio. A luz do sol queima meus olhos, cegando depois da escuridão impenetrável. Pontos dançam na minha visão enquanto tento entender o que está ao meu redor.
Estamos no estacionamento, esparramados no asfalto como bonecos de pano descartados. Os guardas estão espalhados ao nosso redor, alguns de joelhos, outros deitados de costas, todos arfando e tossindo enquanto inalam ar para os pulmões.
Mas o prédio sumiu.
Onde antes havia uma estrutura abandonada abrigando o escritório de Steve, agora há apenas um espaço vazio. Sem escombros, sem detritos, nem mesmo um único tijolo para marcar sua presença anterior. Apenas grama alta.
Como se nunca tivesse existido.
Encaro o lote vago, minha mente girando. “Acho que Steve é um Fae,” digo fracamente, as palavras caindo dos meus lábios como chumbo.
Kellan se levanta, o rosto pálido. “Sem merda,” ele murmura, tirando o pó das calças com mãos trêmulas.
Como pude ser tão cega? Os sinais estavam lá o tempo todo — a energia estranha que cercava Steve, o modo como seu escritório parecia existir fora da realidade, a inquietação que se enroscava em meu estômago toda vez que eu olhava nos olhos dela.
E agora, isso. Um prédio que se esvanece no ar, sem deixar vestígio de sua existência. É o tipo de magia que só os Fae são capazes de fazer.
Bom, pelo menos eu suponho que seja magia dos Fae.
Com certeza é algum tipo de magia.
Kellan passa a mão pelos cabelos, com uma expressão grave. “Precisamos contar para o Lucas. Se a Steve é um Fae, ela pode estar trabalhando com os vampiros. Não sei quanto de informação ela passou para eles.”
A ideia de um Fae trabalhando com vampiros é um novo nível de aterrorizante.
“Precisamos descobrir o que ela quer,” digo, com uma voz mais firme do que me sinto. “Por que ela estava nos ajudando, qual é o objetivo dela. É possível que ela não esteja trabalhando com eles. Só porque ela não é um lobo, não significa que não seja uma aliada.”
Kellan parece duvidoso, mas tenho um pressentimento de que estou certa.
Mas onde ela está e por que o prédio sumiu?
Ele saca o celular, os dedos voando sobre a tela enquanto ele manda uma mensagem para Lucas. Observo-o, com o coração batendo forte no peito enquanto tento processar tudo o que aconteceu.
Steve, a hacker excêntrica que parecia uma aliada, é um Fae. O prédio onde a encontramos, onde ela nos ajudou a rastrear informações sobre os vampiros, desapareceu no ar. E agora, estamos com mais perguntas do que respostas, e um crescente sentimento de inquietação que ameaça me engolir por inteiro.
Enquanto isso, uma pessoa estranha insiste que preciso entrar na Cidade Não Registrada, domínio dos vampiros.
Onde minha família supostamente está escondida.
Tudo está apontando para essa cidade. Muito arrumado. Muito perfeito. A voz de Selene na parte de trás da minha cabeça está desconfiada.
“Kellan, acho que precisamos entrar em contato com a Irmã Miriam. Não sei se conseguirei levar alguém comigo, mas acho que não podemos adiar mais.”
Desta vez, não estou pedindo permissão. Estou de volta a exigir, e uma parte de mim murcha por dentro, perguntando-me se estou fazendo a coisa certa.
Passei de fazer o que achava certo, a não fazer nada, ficando complacente enquanto Lucas me mantinha em segurança.
Mas não fizemos progresso algum. Nenhum.
Isso não pode continuar para sempre, e muita coisa acontecendo tem a ver comigo.
“Selene foi com você na última vez, não foi?”
Eu concordo com a cabeça.
“Ela estava te tocando naquela hora?”
Tentando lembrar o máximo que posso, balanço a cabeça. “Acho que não. Não consigo me lembrar.”
Kellan assente. “Não posso sair de Blackwood. Vamos voltar para o alojamento do alfa. Você pode levar seus guardas com você. Só se certifique de que todos estejam por perto quando você ligar para ela.”
“Lucas não vai gostar—”
“Ele não gosta quando você se joga no perigo sem proteção adequada. Ele nunca disse que você tem que viver como subordinada dele.”