Enredado ao Luar: Inalterado - Capítulo 210--210 Ava Deusa da Lua (III) -- FIM da Temporada 3 210 Ava
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210: Ava: Deusa da Lua (III) — FIM da Temporada 3 210: Ava: Deusa da Lua (III) — FIM da Temporada 3 Ava?
Ava!
O grito mental de Selene me faz sacudir a cabeça, surpresa. Estou de volta, e é como se eu nunca tivesse partido.
Ava, você está ouvindo?
“Desculpe. O que foi?”
Selene está na minha frente, com as orelhas tremendo. Você estava aqui, mas nossa ligação estava em silêncio. Como se você estivesse longe.
“Ah.” Limpo a garganta, que está seca agora que retornei, e piscando até me acostumar com a escuridão do meu quarto, comparada com o brilho daquele lugar mágico em que estava há momentos atrás.
“Selene, como é a aparência da Deusa da Lua?”
Por que você pergunta? A cabeça de Selene se inclina, seus olhos gelados me estudando com uma intensidade que seria perturbadora, não fosse eu já tão acostumada a isso até agora.
Olho para Marcus, que permanece sentinela à porta, antes de focar meus pensamentos para dentro. É muito mais difícil pensar assim, e me pergunto se algum dia isso se tornará completamente natural. Acho que a encontrei. A Deusa da Lua.
A confusão de Selene ondula pela nossa ligação. Ela nunca esteve aqui, Ava.
Eu sei. Estávamos em outro lugar.
Você nunca deixou o quarto. A voz de Selene em minha mente é tingida de preocupação, suas palavras mentais hesitantes.
Acho que minha consciência fez isso. Foi como se meu espírito viajasse para esse lugar mágico. Eu luto para encontrar as palavras que descrevam a experiência etérea. Até mesmo meu corpo parecia real lá.
A preocupação de Selene se intensifica, um fio frio tecendo através dos meus pensamentos. Isso vai acontecer novamente?
Não sei. Passo a mão distraidamente pelas páginas do livro em meu colo, pensando de volta, tentando me focar nos detalhes. No entanto, as memórias já estão se desvanecendo, imagens vívidas turvando na visão da minha mente. Havia uma mulher lá. Ela se chamava Selena. Ela falou comigo sobre minha magia, sobre abraçá-la.
Eu não sei como a Deusa da Lua parece. Não consigo me lembrar, Selene confessa. Embora, dizem que ela aparece de forma diferente para cada um que a vê. Alguns até a veem como um lobo. Ela faz uma pausa. Acho que eu a vi como um lobo.
Assentindo, olho para o livro novamente, meu olhar atraído pelo estranho texto rúnico que dança pelas páginas. Cada símbolo parece respirar com uma vida própria, pulsando em um ritmo hipnotizante.
O que você está fazendo? A pergunta de Selene quebra minha fascinação.
“Olhando o texto. Tentando descobrir como se supõe que eu aprenda a lê-lo.” Meu dedo traça as linhas graciosas de uma runa particularmente intrincada.
Ava, não há texto. A voz de Selene é lenta, cautelosa.
Pisco, parando meu dedo na página. “Como assim? Está bem aqui. Você não consegue ver?”
As orelhas de Selene se achatam contra seu crânio. As páginas estão em branco, Ava.
A confusão gira dentro de mim enquanto eu encaro o livro, diante da inegável presença das palavras rúnicas.
“Marcus, você pode vir aqui por um segundo?”
O transformista lobo mais velho se aproxima com cautela, as botas pesadas, cada batida um contagem regressiva para a resposta que eu sei que ele vai dar. “Sim, senhora?”
Aponto para o livro aberto. “Você consegue ver alguma coisa?”
Marcus se inclina, franzindo a testa enquanto estuda as páginas. “Nada.”
Um arrepio percorre minha espinha enquanto eu olho entre Marcus e Selene. Como é possível que eu consiga ver essas palavras enigmáticas tão claramente enquanto eles percebem apenas o vazio?
Ava, o que isso significa? A pergunta de Selene ecoa meus próprios pensamentos acelerados.
Não sei. Repousando uma mão sobre a página, posso sentir o calor e o formigamento contra a minha palma. Acho que tem algo a ver com o que aconteceu antes.
Selene encosta o focinho em minha mão, oferecendo conforto silencioso. Vamos descobrir.
É isso que estamos sempre dizendo.
Vamos descobrir juntas.
Vamos superar isso juntas.
Vamos fazer isso juntas.
Mas de alguma forma, nunca estamos juntas para as coisas que importam.
Meu coração se contorce com o pensamento de Selene de alguma forma separada da minha magia. Por que ela não pode ver o que eu vejo? Por que ela não pode sentir o que eu sinto?
Espero que isso não seja algum tipo de mau presságio para o futuro.
Não é, Selene insiste.
Não consigo desviar meus olhos das linhas graciosas que dançam pelas páginas, cada traço imbuido com um significado que paira logo além do meu alcance. É como tentar se lembrar de um sonho — quanto mais eu foco, mais ele escapa, deixando apenas a impressão tentadora de algo profundo e poderoso.
As runas parecem quase fluidas, como se elas mudassem e trocassem de lugar em minha visão periférica, e então respirassem em forma estática assim que eu me concentro nelas. Elas fluem pelas páginas com uma beleza simples e elementar. Como água. Tinta derramada do pincel de um artista. Cada símbolo é uma obra-prima, uma obra de arte que fala à minha alma enquanto minha mente luta para compreender.
Eu nunca vi nada parecido antes. As runas são alienígenas, mas de alguma forma familiares. Elas puxam algo profundo dentro de mim, naquele núcleo de calor brilhante dentro do meu peito. É como se elas estivessem sussurrando segredos, conhecimento antigo muito tempo esquecido pelo mundo.
Só que eu não posso ouvi-los.
Ava, o que você vê? A voz de Selene é um eco distante, um sussurro no fundo da minha mente.
Beleza, eu respiro, meus dedos tremendo enquanto pairam sobre as páginas. Mistério. Magia.
Sinto a frustração de Selene, seu desejo de compartilhar essa experiência. Mas por mais que eu tente, não consigo projetar as imagens em sua mente. É como se houvesse um muro entre nós, uma barreira que mantém essa magia separada da nossa ligação.
Me desculpa, eu sussurro, meu coração doendo com a distância entre nós. Não sei como te mostrar.
Selene pressiona o focinho contra minha perna, oferecendo conforto silencioso, mesmo enquanto sinto sua inquietação. Tudo bem, Ava. Vamos descobrir.
Enquanto eu encaro as páginas, sinto a familiar sensação de formigamento nas pontas dos dedos, um calor que se espalha pelos meus braços e peito. É como se o livro estivesse me chamando, instigando-me a mergulhar mais fundo em seus segredos.
E então, para minha surpresa, as runas começam a se mover de um jeito que eu posso observar.
Elas giram e dançam, reorganizando-se em novos padrões, novas formas. Eu observo, hipnotizada, enquanto elas lentamente se aglutinam em algo reconhecível.
Letras.
Palavras.
Uma mensagem.
Para mim?
Minha respiração se prende na garganta enquanto eu leio as palavras, cada uma delas se gravando em minha mente com a força de uma marca.
“Abrace seu destino, Ava Grey. Chegou a hora de…”
As runas tremem, suas bordas se turvando como se estivessem lutando para manter sua forma. Eu me inclino mais perto, meu coração batendo forte enquanto espero pelo resto da mensagem se revelar.
Mas, em vez de clareza, os símbolos se dissolvem em caos, seus significados perdidos em um turbilhão de tinta e magia. Eu pisc, meus olhos forçando para dar sentido ao emaranhado, mas é como tentar pegar fumaça com as mãos nuas.
Selene, algo está acontecendo, eu sussurro, minha voz tremendo com uma mistura de temor e admiração. As runas, elas estão tentando me dizer algo.
O calor dela ao meu lado me mantém ancorada, com metade da minha mente nesse lugar estranho entre o aqui e ali—entre a realidade e a magia deste livro.
O que elas dizem?
“Eu não sei… Elas estão lutando. Tentando romper…”
Minha respiração se prende enquanto as runas continuam a se alterar e mudar, ficando mais frenéticas a cada segundo que passa.
E então, tão repentinamente quanto começou, o caos se aquieta.
Uma a uma, linhas emergem.
“Seu mestre espera. Entre no santuário dos magos, Ava Grey.” Que diabos isso significa?
Que santuário?
Magos? Mais um termo novo trazido aos meus ouvidos. Primeiro mágicos. Depois bruxas. Agora, magos?
Meu telefone toca, uma nota musical rápida. Uma mensagem de texto.