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Enredado ao Luar: Inalterado - Capítulo 206

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  3. Capítulo 206 - 206 Lisa Ouvindo Vozes 206 Lisa Ouvindo Vozes É repugnante
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206: Lisa: Ouvindo Vozes 206: Lisa: Ouvindo Vozes É repugnante admitir que eu espero pela presença da Marisol, mesmo que o tratamento dela só piorou. Pelo menos ela traz comida.

No primeiro dia em que fui trazido pra cá, havia vozes. Sussurros. Barulhos através das paredes.

Ultimamente, é só silêncio.

De vez em quando, há aquele barulho de água pingando que dura horas, que costumava me enlouquecer, mas agora é uma pausa na monotonia do nada.

O tilintar das algemas em volta dos meus pulsos e tornozelos ecoa na cela úmida conforme mastigo o pedaço de pão nas minhas mãos, cuja crosta está velha e sem sabor. Mas a fome corrói meu estômago, e essa é a minha única maneira de enchê-lo.

Marisol está agachada a poucos metros de distância, seus olhos arregalados e curiosos enquanto ela me observa comer. É perturbador, a maneira como ela me observa como se eu fosse algum tipo de criatura exótica em um zoológico. Tento ignorá-la, concentrando-me ao invés disso na magra refeição à minha frente.

A sopa tem uma cor verde doentia, seu cheiro lembra vegetais apodrecendo. Eu franzo meu nariz enquanto levo a tigela aos lábios, mas me surpreendo ao descobrir que não tem gosto tão ruim quanto aparenta. É aguado e ralo, mas há um toque de algo saboroso que a torna quase palatável.

Enquanto tomo a sopa, observo Marisol pelo canto do olho. Às vezes ela parece tão ingênua, como uma criança que não entende o mundo ao seu redor. Mas outras vezes, há uma agudeza em seu olhar que me faz pensar que ela é muito mais astuta do que aparenta. É como jogar roleta russa toda vez que ela vem à minha cela – nunca sei qual versão dela vou encontrar.

Marisol se mexe, seus pés descalços raspando contra o chão áspero. Ela se inclina mais perto, seu hálito quente contra minha pele enquanto sussurra, “Você come feito um animal.”

Eu recuo com as palavras dela, minhas bochechas queimando de vergonha. Quero responder à altura, dizer a ela que não sou um animal, que sou uma pessoa com pensamentos e sentimentos e uma vida fora dessa cela. Mas eu mordo minha língua.

Em vez disso, foco no pão, rasgando outro pedaço e empurrando para dentro da minha boca. A crosta arranha minha garganta enquanto engulo. Devia ter molhado no sopa. Talvez eu faça isso.

Marisol me observa com um tipo de fascínio distorcido, sua cabeça inclinada para o lado como um pássaro curioso. “Você sonha com a liberdade?” ela pergunta, sua voz quase num sussurro.

Eu pauso, o pão a meio caminho da minha boca. Sonho com a liberdade? Claro que sim. A cada momento de cada dia, eu sonho em me libertar dessas correntes e correr o mais longe possível deste lugar. Mas sei melhor do que dizer isso em voz alta.

“Sonho com muitas coisas,” digo em vez disso, minha voz rouca.

Marisol sorri, um sorriso lento e sinistro que envia calafrios pela minha espinha. “Eu também sonho,” diz ela, seus olhos vidrados como se perdidos em pensamentos. “Sonho com o dia em que o mestre me fará sua rainha, e eu governarei ao lado dele por toda a eternidade.”

Meu estômago se contorce com repulsa. Como ela pode possivelmente querer isso? Como ela pode desejar uma vida de servidão a um monstro que a mantém trancada no escuro?

A sopa acabou agora, a tigela vazia exceto por algumas gotas verdes que sobraram. Eu a coloco de lado, meu estômago ainda roncando de fome. Marisol me observa, seus olhos brilhando na luz fraca.

“Você vai aprender a amar estar aqui,” ela diz, sua voz suave e quase sonhadora. “Assim como eu amei. O mestre irá te fazer dele, e você nunca mais vai querer sair.”

Balanço minha cabeça, meu coração batendo no peito. “Nunca,” sussurro, minha voz tremendo com medo e desafio. “Nunca serei dele. Nunca vou parar de lutar.”

Ele não apareceu desde a primeira vez, e por isso sou imensamente grato. Ainda assim, todo dia é apenas mais um dia de ansiedade torcendo no meu estômago, perguntando-se quando ele voltará.

Marisol apenas sorri, um olhar conhecedor em seus olhos. “Veremos,” ela diz, levantando-se com uma graça que parece deslocada nessa cela úmida. “Veremos.”

Logo ela se foi novamente e estou de volta ao silêncio, a barriga cheia e o coração gelado.

Estou começando a perder a esperança.

Eles já não deveriam ter chegado?

Eles desistiram?

Eles acham que estou morto?

Ava está morta?

As perguntas não têm fim, me deixando louco. Quase sinto falta da febre depois que o vampiro bebeu de mim, a miséria da fraqueza. Ao menos naquele tempo, eu não percebia a passagem do tempo.

Tentar ficar confortável é uma empreitada impossível, mas eu tento de qualquer forma, enrolando um cobertor esfarrapado que Marisol tinha me trazido em volta dos meus ombros. Não foi por bondade — ela estava cansada de me ver pelado e não queria compartilhar roupas — mas ainda é um pequeno conforto nessa existência terrível.

Justo quando estou prestes a fechar os olhos e tentar adormecer num sono agitado, um farfalhar desconhecido chama minha atenção. Meu coração salta na garganta enquanto eu congelo, esticando meus ouvidos para escutar. É um som suave, como algo roçando contra as paredes de pedra. Seguro minha respiração, perguntando-me se não é apenas minha mente pregando peças.

Mas então, para meu total choque, um pedaço amarrotado de papel voa para dentro da minha cela, pousando no chão a poucos metros de distância de mim.

Isso é real?

Ou eu finalmente sucumbi à loucura do isolamento?

Com mãos trêmulas, estendo-me e pego o papel, meus dedos tremendo enquanto o desdobro. Meu coração bate forte no peito, esperança e medo lutando dentro de mim. Poderia ser esta uma mensagem do mundo externo? Um sinal de que alguém sabe que estou aqui, que estão vindo me resgatar?

Mas quando aliso as dobras e olho para o papel, minhas esperanças se despedaçam. Não há nada ali.

É apenas uma folha em branco, desprovida de quaisquer palavras ou marcações. Uma risada amarga brota na minha garganta, a cruel ironia de tudo isso ameaçando me sobrecarregar. Claro que está vazio. O que eu esperava? Um plano de fuga detalhado? Uma carta sincera?

Eu amasso o papel em meu punho, pronto para jogá-lo de lado em frustração, quando um sussurro suave emana dele. Eu congelo, prendendo minha respiração. O sussurro é fraco, quase inaudível, mas eu apuro os ouvidos para escutar.

“Estamos chegando.”

Três palavras simples, mas elas me atingem como um raio. Meu coração dispara e eu ofego, olhando para o papel com incredulidade.

Desesperado por mais, aliso o papel novamente. Aproximo-o do meu rosto, meus olhos vasculhando a superfície em branco por qualquer pista de uma mensagem. Mas não há nada.

Eu o coloco contra o ouvido.

Nada.

Apenas essas três palavras sussurradas ecoando em minha mente.

Estamos chegando.

Quem?

Ava.

Não há mais ninguém. Tem que ser Ava.

Ava está vindo.

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