Enredado ao Luar: Inalterado - Capítulo 197
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197: Ava: Você acredita na Deusa da Lua? 197: Ava: Você acredita na Deusa da Lua? “Eu não entendo. Como você soube do colar? E deste livro? Como você chegou aqui?”
“Ah, sim.” Suspira a Sra. Elkins, estendendo a mão para afagar a minha num gesto familiar. “Você acredita em sonhos proféticos?”
Vanessa avança agora, sua voz alta com incredulidade. “A senhora é uma vidente, madame?”
“Não, querida.” A Sra. Elkins dá a Vanessa um de seus sorrisos calorosos. “Mas alguns sonhos significam alguma coisa. Você acredita na sua Deusa da Lua, criança?”
Os rosnados dos guardas preenchem o ar, uma ofensa coletiva por serem questionados sobre sua fé.
O olhar severo de Vanessa os silencia. Ela se volta para a Sra. Elkins, sua voz suave, porém resoluta. “Eu acredito na Deusa da Lua, sim.”
A Sra. Elkins pega na mão de Vanessa, e embora um lampejo de desconcerto cruze o rosto de Vanessa, ela permite o contato. Os olhos da velha senhora se enrugam de calor enquanto ela segura a mão de Vanessa em seus dedos artríticos. “Estou tão grata por Ava ter encontrado uma amiga. Ela estava muito sozinha em Cedarwood.”
Suas palavras mexem com o meu coração, lembrando-me de quão grata eu sou por ter Vanessa ao meu lado. Mas a Sra. Elkins continua, sua voz adquirindo uma qualidade sonhadora.
“Eu tive sonhos estranhos este ano. Um sobre uma bruxa solitária, caçada por lobos.” Seu olhar encontra o meu, e sinto um sobressalto de reconhecimento. “Eu tive o mesmo sentimento quando te conheci, Ava. Senti-me atraída a ajudar, considerando a história das bruxas.”
Sua explicação sobre a erradicação das bruxas faz sentido agora – por que ela começou a responder minhas perguntas com uma lição de história. “Entendo.”
“Depois que você desapareceu, os sonhos pararam. Por muito tempo. Até recentemente.” Ela faz uma pausa, sua expressão serena. “Eu sonhei com a Deusa da Lua pedindo minha ajuda. E quando aceitei, acordei aqui. Neste jardim.”
Suas palavras pairam no ar, desafiando a lógica. Como ela pode ser tão calma, tão imperturbável por tal alegação absurda? Como se a Deusa da Lua visitasse pessoas em seus sonhos.
E ainda assim – aqui está ela.
Suas palavras são verdade.
A crença firme de Selene ecoa na minha cabeça, e cada guarda estuda a Sra. Elkins com uma mistura de admiração e suspeita. Não há cheiro de decepção em suas palavras.
“Com que frequência você tem essas… experiências bizarras?” pergunta um deles, sua voz tingida de dúvida.
A Sra. Elkins ri, seus olhos brilhando. “Nunca antes, meu querido. Nunca antes. Mas quando uma deusa chama, você as ignora?”
Como ela pode aceitar isso tão naturalmente? Como ela pode ter uma crença tão cega? Minha reação instintiva ao descobrir o quão diferente eu sou… foi muito diferente. Paranóia. Medo. Frustração.
Para a Sra. Elkins, é uma espécie de benção, algo que ela aceita sem reclamar ou resmungar.
Como se sentindo meus pensamentos, a Sra. Elkins aperta a mão de Vanessa antes de soltá-la. “Intervenções como essa, elas são raras hoje em dia. Mas na era das bruxas, eram muito mais comuns.”
“Deuses e deusas vindo aos sonhos?”
“Ou pessoalmente. Há velhas histórias sobre esses tempos.”
Selene se encosta na minha perna e eu olho para baixo, encontrando conforto em seu olhar firme.
Quando olho para cima novamente, a Sra. Elkins está me observando, com uma expressão compreensiva. “Você tem muito a aprender, Ava. Sobre si mesma, sobre sua herança. Eu gostaria de poder ajudar mais, mas, infelizmente,” e ela aponta para o livro no meu colo, “só tenho o que me foi passado.”
Herança. A palavra parece estranha, pesada com implicações que não estou pronta para enfrentar. A única herança que eu conhecia era a da minha alcateia, minha identidade como uma transformista lobo. Mesmo uma defeituosa.
Agora, é como ser convidada para uma nova família. Onde todos são estranhos.
Meus dedos traçam o couro desgastado, e sinto uma faísca de algo — antecipação, talvez. Ou medo.
Se a Sra. Elkins estiver certa, e a Deusa da Lua de alguma forma interveio, por que ela demorou tanto?
Por que não mais cedo?
Por que não me ensinar meus poderes antes de Lisa ser levada? Antes de vidas serem tiradas?
Eu também não sei a resposta, Selene murmura em desculpas.
A Sra. Elkins toca meu antebraço, sua pegada quente e amorosa, deixando-me ansiar pelas memórias da vida em Cedarwood. “Tudo acontece por uma razão, Ava. Você está destinada a grandes coisas. Tenho certeza disso.”
Seu destino é o que você escolhe, Selene murmura. Você escolheu sua alcateia e seu companheiro. Este é agora o seu destino.
Meu olho treme, apenas um pouco. Você não me disse que eu não tenho um grande destino?
Ela espirra, o que tenho quase certeza que é um jeito dela quando a pego em pequenas inconsistências lógicas. Isso foi antes. Isto é um resultado direto das escolhas que você fez.
Então, se eu tivesse ficado em Cedarwood… Minha vida seria diferente? Se eu tivesse rejeitado Lucas? Evitado minha família?
Sim. O destino é fluído.
“Ava? Você está bem?”
O rosto enrugado dela se inclina para o meu; ela deve ter dito algo enquanto eu estava distraído com Selene.
“Obrigada, Sra. Elkins,” eu consigo dizer, minha voz mais firme do que me sinto. “Pelo livro, por… por tudo. Eu realmente senti saudades suas e de todos em Cedarwood.”
A dor surda da nostalgia, do arrependimento, dói no meu peito. Acho que vou sentir falta sempre daquele apartamento, o primeiro lugar neste mundo que foi verdadeiramente meu. Mesmo agora, passei meu tempo ou no apartamento da Lisa, ou agora no Chalé do Lucas.
O apartamento era meu refúgio seguro. Sinto falta dele.
E do meu trabalho.
E das pessoas.
A velha senhora sorri, uma expressão que vi em seu rosto muitas vezes. “De nada, minha querida. Lembre-se sempre, você não está sozinha. Você tem amigos, antigos e novos.”
Amigos. A palavra me envolve como um bálsamo, acalmando as arestas cruas da minha alma.
Olho para Vanessa, para Selene, para os guardas que estão prontos para me proteger, com uma onda de gratidão.
É verdade. Eu não estou sozinha.
Muitas coisas mudaram nas últimas semanas, e nem tudo é ruim.
Você cresceu, Selene concorda.
“Mas como você vai voltar?” pergunta Vanessa, ajoelhando-se na frente da Sra. Elkins. “Se a senhora não veio aqui por conta própria, imagino que não tenha trazido nenhuma identificação consigo, né?”