Enredado ao Luar: Inalterado - Capítulo 173
- Home
- Enredado ao Luar: Inalterado
- Capítulo 173 - 173 Ava Verdades Difíceis 173 Ava Verdades Difíceis Vanessa
173: Ava: Verdades Difíceis 173: Ava: Verdades Difíceis Vanessa suspira, a mão quente e suave nas minhas costas, esfregando em círculos calmantes. “Ava, entenda que você pode estar errada, mesmo quando está certa. Ou certa, mesmo quando está errada.”
Uma risada borbulha, histérica e selvagem. “Isso não faz sentido.”
“Você se ressente da proteção dele. Você se sente enjaulada, certo?”
Uma concordância rápida. Claro. Isso é óbvio.
“É normal se sentir assim. É normal, até. Mas Lucas está errado em considerar a sua segurança?”
Selene suspira, encostando a cabeça nas minhas pernas, e eu puxo uma de suas orelhas. “Não, claro que não.”
“A festa foi um azar terrível. Nenhum de nós esperava um ataque de vampiro nos territórios da alcateia. Para algo assim acontecer…” Suas palavras se perdem e ela desvia o olhar. “Eu nem sei quanto tempo faz. Sabíamos que o Blackwood estava trabalhando com os Não Registrados de alguma forma, mas ter esse nível de aliança é inédito.”
Curvando os ombros, resmungo: “Eu nunca teria ido, se soubesse.”
“Eu sei.” Os carinhos nas minhas costas não param. “E Lucas não te culpou. Ele não te culpa. Ele se culpa.”
“Mas ele não fez nada de errado. Fui eu.” A culpa me corrói. “Fui eu quem perturbou ele sobre os guardas. Sobre a minha liberdade. Eu forcei para irmos à festa. Tudo foi por minha causa. O vampiro me queria, e agora a Lisa se foi.”
Encostando a testa nos joelhos, suspiro: “Eu sou uma praga para todos que se importam comigo. Tantas pessoas morreram, e até a Lisa…”
“Uma atitude derrotista não vai te ajudar, Ava.” As costas param de ser massageadas enquanto Vanessa se levanta da cama, sua voz se firmando. “O tempo de se lamentar já passou. Você se fortaleceu, e não é mais a filhote acuada que conheci. Você é nossa futura Luna. Sim, o massacre aconteceu. Nem você nem Lucas sabiam que isso aconteceria. É uma situação terrível e lamentável.”
“Mas é minha culpa. O que eu devo fazer?” Virando a cabeça para que minha bochecha encoste nos joelhos, observo Vanessa parada na minha frente. “É minha culpa. Eu deveria ter ficado sentada em casa e ficado calada. Nunca colocado ninguém em perigo…”
Vanessa me encara, uma sobrancelha erguida, enquanto minhas palavras se perdem.
Estou dizendo algo errado. Percebo pela expressão no rosto dela.
O olhar incisivo dela me prende, exigindo uma resposta que não tenho certeza se possuo.
“Era essa realmente a única maneira, Ava? Suas únicas duas escolhas na vida? Ir à festa sem guardas, arriscando tudo por um gosto de liberdade, ou ficar trancada no seu apartamento, vigiada o tempo todo como uma prisioneira?” Suas perguntas abrem fundo, expondo as falhas do meu raciocínio desesperado.
Permaneço em silêncio, a língua pesada e inútil.
Parece tão bobo quando ela define assim.
A voz de Vanessa suaviza, mas seus olhos continuam implacáveis. “Não havia um meio-termo, Ava? Nenhuma maneira de conseguir o que você queria enquanto permanecia dentro dos limites de segurança razoáveis?”
As palavras ecoam no meu crânio, colidindo com as paredes inabaláveis da minha teimosia. Quero discutir, defender minhas ações, mas o peso da sabedoria dela me segura.
Ela está certa? Eu poderia ter encontrado outro caminho?
A resposta parece óbvia, mas eu recuo dela na minha mente.
A presença de Selene roça em mim, um lembrete de sua presença.
Talvez eu tenha forçado demais também, lobinha. A voz dela é mais hesitante do que eu já ouvi.
Endireitando-me numa posição sentada apropriada, me sentindo muito infantil com a forma que estou me lamentando, faço o meu melhor para encontrar o olhar de Vanessa.
Eu quero o respeito dela. Ela sempre foi incrível, um dos poucos apoios no meu mundo. Então eu respiro fundo e penso, deixando as palavras dela me envolverem, afastando Lucas e sua raiva da minha mente.
“Talvez houvesse outro caminho. Mas na hora, parecia minha única escolha.”
Minha desculpa soa patética, até para os meus próprios ouvidos.
Vanessa assente, sua expressão se suavizando com compreensão. “O mundo raramente é preto no branco, Ava. É um tecido trançado com incontáveis tons de cinza. Você realmente acredita que tudo é tão claro? Que só existem sempre duas opções?”
“Não, claro que não.” A resposta vem facilmente, uma verdade que sempre soube, mas de alguma forma esqueci.
Então, por que,” Vanessa insiste, sua voz gentil, mas persistente, “você pinta suas próprias escolhas em contrastes tão marcantes? Por que você só vê os extremos, sem considerar as possibilidades que estão entre eles?”
Sua pergunta permanece no ar, um desafio que não posso ignorar. Fechando os olhos, busco a resposta dentro de mim. A presença de Selene é um calor reconfortante.
Porque é mais fácil? Mais fácil acreditar que não tenho escolha, que estou encurralada sem saída.
Mas essa não é toda a verdade, é? Lá no fundo, eu sei que havia outras opções, outros caminhos que eu poderia ter tomado. Compromissos que eu poderia ter feito, se apenas estivesse disposta a olhar além do meu próprio orgulho teimoso.
Eu estava determinada demais em ficar de pé com minhas próprias pernas.
Mais determinada em provar minha independência do que considerar a realidade.
“Eu estava com medo,” sussurro, a admissão rasgando minha garganta. “Com medo de perder a mim mesma, de ser sufocada pela constante vigilância e controle. Eu queria provar que podia fazer minhas próprias escolhas, que eu não sou apenas uma peça no tabuleiro. Ser fraca… Estou cansada disso. Quero ser forte, como todos vocês.”
Vanessa segura minha mão na dela, o calor da pegada subindo pelo meu braço e entrando no meu coração.
Você é forte, Selene insiste, com um choramingo suave. Você é muito mais forte do que acredita.
“Você é forte,” Vanessa ecoa. “Mas isso não significa que se apoiar nos seus aliados é fraqueza. Isso não quer dizer que comprometer muda suas fronteiras. E não quer dizer que você deixará de ser você.”
Ela aperta minha mão, e eu aperto de volta, grata pela conexão entre nós. Sua voz é suave enquanto continua, “O desejo por liberdade, por autonomia, é uma coisa poderosa. Mas é importante lembrar que a verdadeira liberdade vem com responsabilidade. A responsabilidade de considerar as consequências das nossas ações, não só para nós mesmos, mas para aqueles à nossa volta.”
Assinto, segurando as lágrimas que ameaçam cair dos meus olhos. “O massacre.”
“Sim. Muitas vidas foram perdidas. Vidas jovens, vidas promissoras. Embora a culpa esteja com nossos inimigos, é uma consequência que deveríamos ter evitado.” Um vislumbre de tristeza cruza o rosto dela. “Nosso alfa sempre carregará o peso dessas vidas na alma, pois suas decisões levaram àquela tragédia. Ele não foge disso.”
Como eu.
Só pensando na Lisa.
“Eu deveria ter sido mais cuidadosa, mais atenciosa,” murmuro.
Vanessa me observa. “O que você acha que deveria ter feito?”
Minha mente vacila.
“Você só está se concentrando na sua culpa, não é?” ela pergunta, embora seu tom não seja acusatório. “Focada em como minhas palavras estão te fazendo sentir. Não em como consertar isso, ou como assumir responsabilidade.”
Sentindo-me de alguma forma envergonhada, assinto. Não sei como mais responder. Só me sinto terrível.
Ela afaga minha mão gentilmente enquanto meu telefone vibra. “Isso é provavelmente o seu alfa, pedindo desculpas. Talvez você também deveria. E realmente pensar nas coisas. Minha sessão de terapia termina aqui. Tenho muito que investigar sobre sua mãe. Ah, e Ava…”
Estou prestes a desbloquear meu celular e checar a notificação de texto, faço uma pausa, olhando para ela.
“Cuidado com o quanto você depende de Selene.” O olhar firme e um sorriso contido tiram o peso de suas palavras. “Nós, transformistas, aprendemos bem jovens que nossos lobos não são humanos e não veem as coisas como os humanos. Eles são autocentrados e independentes e não entendem as nuances das relações humanas tão bem quanto parecem, à primeira vista.”
Selene se senta, suas orelhas eretas e a linguagem corporal ofendida. Eu não sou autocentrada!
Vanessa aponta o dedo para Selene. “Não pense que eu não sei o que você está pensando. Você não é autocentrada; você só está pensando no benefício da Ava, certo?”
Essas orelhas de husky recuam e ela se abaixa, sua voz agora um resmungo na parte de trás da minha cabeça. Por que ela até pergunta, se já sabe a resposta?
A mulher na minha frente é confiante enquanto encara Selene, e o que me deixa perplexa é que…
Ela vence.
Selene se desinfla, deitando-se de barriga com um choramingo suave. Vou deixá-la terminar.
Ela soa um pouco como uma criança que foi repreendida.
Vanessa me estendeu a mão, Selene resmunga, me surpreendendo.
“Você falou com ela?”