Enredado ao Luar: Inalterado - Capítulo 165
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- Capítulo 165 - 165 Ava Os Segredos de Margot 165 Ava Os Segredos de Margot
165: Ava: Os Segredos de Margot 165: Ava: Os Segredos de Margot Um toque suave na porta me tira dos meus pensamentos matinais nebulosos enquanto termino de arrumar minha pequena mala de viagem. Vanessa deve ter chegado cedo para me acompanhar de volta ao aeroporto.
Não é a Vanessa. Os pelos de Selene se arrepiam, um rosnado baixo ressoa em sua garganta. Algo está errado.
Eu congelo, minha mão pairando sobre o zíper. “O que é?”
Não tenho certeza. O nariz dela treme. Mas não cheira bem.
Inquieta, penso em ignorar a batida, fingindo que não estou aqui. É um pensamento estúpido. Qualquer lobo pode me farejar aqui.
Abro a porta entreaberta, surpresa ao encontrar Margot Mitchell parada ali, com o rosto tenso e pálido.
“Ava, graças à Lua.” Ela entra no quarto sem convite, seus olhos vasculhando o ambiente como se procurassem por ameaças escondidas. “Precisamos conversar.”
“Margot, o que—” Minhas palavras saem num grito pela ousadia da intrusão dela.
“O vampiro. Ele está aqui.” Ela agarra meus ombros, seus dedos se cravando. “Você tem que mantê-lo seguro. Você tem que ser leal. Você não pode quebrar o código.”
“Que segredo? Que vampiro? Do que você está falando?” Me desvencilhando de seu aperto, dou alguns passos para trás. “Por que você está aqui?”
“Você tem que manter o segredo,” ela sussurra, enquanto passos pesados soam abafados, como se pessoas estivessem correndo. “Não venda sua lealdade, não se desvie. Somente a promessa de Renard nos mantém seguros. Sem ela, estamos todos condenados.”
“Que prome—”
“Se você contar a eles, todos nós morremos, Ava. Você não quer nossas vidas em suas mãos, quer?”
Meus seguranças irrompem no quarto, seus rostos duros e inexpressivos. Num turbilhão de movimentos e barulho, eles agarram Margot pelos braços, arrancando-a de perto de mim. Ela grita, debatendo-se contra o aperto de ferro deles enquanto a arrastam para fora.
Fico olhando para eles, minha mente girando. O que diabos acabou de acontecer?
“Ava, sinto muito por isso.” A voz de Kellan me traz de volta ao presente. Ele está na porta, a testa franzida de preocupação. “Margot é uma das funcionárias responsáveis pela limpeza do alojamento. Ela veio para as tarefas de arrumadeira. Não esperávamos que ela fosse correr até o seu quarto assim. Se você não tivesse gritado…” Ele faz uma pausa. “Bem. Ela deve ter passado despercebida durante a transição. Vamos cuidar disso.”
“Tudo bem.” As palavras soam vazias, até para os meus próprios ouvidos. Os avisos frenéticos de Margot ecoam em minha cabeça, recusando-se a ser ignorados. Você não pode revelar o segredo. Você tem que ser leal.
Mordo o interior da minha bochecha, insegura sobre como processar tudo isso. Kellan me observa, claramente esperando uma resposta mais elaborada. Procuro algo neutro para dizer.
“Tem algum vampiro por aqui?” A pergunta escapa antes que eu possa impedi-la.
Os olhos de Kellan se arregalam, sua boca entreaberta ligeiramente. “Um vampiro? Como um vampiro poderia entrar nas terras do bando?”
Mas então ele me olha fixamente, obviamente lembrando que isso acabou de acontecer há alguns dias em Westwood.
Olho para Selene, que me encara com um olhar cúmplice.
Apesar da falha de segurança em Westwood, ainda há a superdependência de seus sentidos. A suposição é de que eles podem detectar qualquer intruso aleatório.
Até Kellan se sente assim.
Devemos ficar, ela sugere, sua voz um sussurro suave em minha mente. Algo não está certo aqui.
Assinto sutilmente, confiando em seus instintos. “Na verdade, Kellan, mudei de ideia. Não vou voltar hoje afinal.”
Suas sobrancelhas se arqueiam, surpresa colorindo suas feições. “Tem certeza? Pensei que você estava ansiosa para voltar para Lucas e a busca por Lisa.”
“Estou, mas…” Paro, sem ter certeza de como explicar minha súbita mudança de coração. “Só acho que devo ficar um pouco mais. Ver se consigo descobrir algo mais que possa nos ajudar a encontrar ela. Lucas tem tudo sob controle em Westwood. Talvez eu veja coisas que vocês não veem.”
Kellan parece querer contestar, sua boca se abre e se fecha algumas vezes. Mas então ele simplesmente assente, aceitando minha decisão com um suspiro. “Tudo bem. Vou avisar a Vanessa.”
“Obrigada.” Ofereço a ele um sorriso tímido, grata por ele não insistir no assunto. “E obrigada por lidar… com aquilo.” Aceno com a mão em direção à porta por onde Margot foi arrastada.
“Claro.” Ele hesita, como se debatendo se deve dizer mais alguma coisa, depois balança a cabeça. “Estarei lá embaixo se precisar de alguma coisa.”
Com isso, ele se vira e sai, deixando-me sozinha com Selene e meus pensamentos acelerados. Afundo na cama, passando a mão no rosto.
Lucas não vai gostar disso, Selene comenta, pulando ao meu lado.
“Eu sei.” Já consigo imaginar a reação dele—a testa franzida, o maxilar tenso, a frustração mal contida. “Mas algo está acontecendo aqui, Selene. Não podemos simplesmente ir embora. Margot falava de vampiros e Renard. Definitivamente há uma conexão.” Como se Irmã Miriam não fosse prova suficiente de que ele está trabalhando com vampiros—mas ela não estava envolvida no ataque. “Isso pode nos ajudar a chegar à Lisa.”
Concordo. Ela se aconchega ao meu lado, oferecendo seu apoio silencioso. Vamos descobrir juntas.
Acaricio o pelo dela distraidamente, minha mente ainda girando com perguntas. Que segredo Margot estava falando?
Uma aliança secreta entre vampiros e lobos, obviamente.
Exceto que isso parece um pouco simples demais.
Tem que haver mais nisso.
Mas quanto mais penso sobre as palavras dela e tento decompô-las, mais perguntas tenho. Seja qual for o segredo, devo escondê-lo de Lucas e dos outros? Ou estou suposta a esconder segredos vampíricos até mesmo dos outros lobos de Blackwood?
Nada do que ela disse foi claro o suficiente.
É como ser entregue uma chave, mas só ser informado da cidade em que a fechadura reside.
O que diabos eu faço com essa informação?
Um arrepio passa por mim ao lembrar o terror nos olhos dela, a borda desesperada em sua voz. Seja lá o que for, é grande o bastante para abalar uma mulher que viveu sob a regra de Renard por anos.
Com um suspiro, pego meu celular e mando uma mensagem rápida para Lucas, avisando-o da minha mudança de planos. A resposta dele é imediata e seca.
[LUCAS: Como assim você vai ficar?]
[AVA: Algo surgiu. Não posso explicar por mensagem. Prometo que serei cuidadosa.]
[LUCAS: Não gosto disso. De jeito nenhum. Me ligue.]
Então, meio segundo depois, como se ele percebesse que está sendo um pouco controlador demais:
[LUCAS: Quando for conveniente.]
[AVA: Eu vou ligar. Estou no alojamento do alfa. Ainda estou sob guarda. Kellan está aqui. Vanessa está a caminho. Estou perfeitamente segura.]
Deixo o celular de lado, sem esperar pela resposta dele. Ele provavelmente vai tentar me convencer a voltar, e minha mente está ocupada demais trabalhando. Pensando. Refletindo.
Margot provavelmente foi levada para detenção para ser interrogada, então não terei acesso a ela tão cedo, e isso supondo que alguém até me permita chegar a cem pés dela.
Preciso tomar um caminho diferente.
“Vamos caçar esse vampiro.”
Selene, sempre fiel, não discute, mas aponta um problema. Você não vai encontrar muita coisa com esses guardas seguindo cada passo seu.
Verdade. Mas sair sem eles é impossível. Lucas vai perder a cabeça.
Vanessa pode funcionar, Selene oferece.
“Não sei se Lucas a considerará uma guarda-costas.”
O lobo dela é forte. Mais forte do que o de seu companheiro.
“Mesmo?”
Não é incomum.
Interessante. Nunca conheci um casal emparelhado onde a loba é mais forte.
Você conhece, mas eles não demonstram essa dinâmica.
“Mesmo? Quem?”
Sua mãe.