Enredado ao Luar: Inalterado - Capítulo 152
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152: Lucas: Uma Lição de Paciência 152: Lucas: Uma Lição de Paciência LUCAS
Minha companheira tem a expressão mais culpada do rosto, olhando para todos os lados, menos para mim.
Por um lado: é bom saber que ela é uma péssima mentirosa quando é pega.
Mas precisa de todo o meu autocontrole para não explodir de raiva pelo perigo em que ela, de alguma forma, se colocou sozinha.
Não entendo nada disso, mas estou determinado a entender antes de sair do apartamento.
Manter a boca fechada é uma lição de paciência, mas funciona. Ava lentamente começa a revelar mais informações. É um esforço manter o sorriso no rosto enquanto meus molares se chocam de frustração. E eu me lembro incessantemente que não tenho o direito de ficar furioso com ela por esconder segredos.
Mesmo quando a vida dela está em jogo, e cada molécula em meu corpo grita para protegê-la.
As palavras saem como um gotejamento agonizante dos lábios de Ava, revelando segredos que eu luto para compreender. O ataque do vampiro. A preocupação da irmã Miriam. Comida Fae—não que a gente entenda muito sobre isso—que incita honestidade. Magia bizarra que a tirou desse quarto e a transportou para outro lugar, debaixo do meu nariz.
Cada revelação torce minhas entranhas, alimentando as brasas de minha fúria mal contida.
“Por que um vampiro ajudaria um lobo?” A pergunta escapa antes que eu possa moderá-la, minha voz áspera com o esforço do controle.
Ava pisca, confusão turvando suas feições enquanto ela desvia o olhar mais uma vez. “Não sei.”
“Você não pensou em perguntar?” Eu insisto, o lobo dentro de mim rondando, ansioso por se libertar e exigir respostas.
Ela se remexe, torcendo as mãos em seu colo. “Eu tenho quase certeza que perguntei? Mas a Irmã Miriam estava evasiva. Ela não me deu uma resposta direta.”
Claro que não. Por que insistir com o vampiro para obter informações concretas quando se pode simplesmente dançar para o perigo às cegas? Meus molares se chocam, meu maxilar tão apertado que dói.
Meu lobo rosna nos recessos da minha mente, fervendo de raiva pelos riscos que Ava assumiu. Riscos que poderiam tê-la arrancado de mim para sempre.
Mas eu engulo a raiva, o medo. Forço um sorriso. Encorajo-a a continuar. Porque, por mais que eu queira rugir de frustração, sei que só a afastaria. E agora, eu preciso que ela confie em mim. Que se abra comigo.
Então eu escuto, mesmo com todos os meus instintos gritando para levá-la para um lugar seguro. Para trancá-la em meus braços e nunca mais soltar.
A tensão lentamente se esvai dos ombros dela, conforme ela fala, seu corpo relaxando centímetro a centímetro quando eu não reajo explosivamente.
Preciso de cada pedaço de autocontrole que possuo. Cada grama de disciplina aprimorada ao longo de anos de liderança. Mas mantenho a fachada de calma, a ilusão de compreensão.
Porque, por baixo da raiva, por baixo do terror, jaz algo muito mais profundo.
Amor.
Pela primeira vez, eu posso sentir ela se aproximando de mim sem hesitação. Vindo para mim.
Eu não vou estragar esse momento.
Eu esperei por tanto tempo.
Meu amor por ela pulsa nas minhas veias, forte e implacável. Ele tempera minha fúria, amacia minhas arestas. Sussurra em meus ouvidos, dizendo-me que essa mulher incrível e irritante é minha para amar, proteger.
Mesmo de sua própria bravura imprudente.
Então eu engulo meu orgulho, meu possessividade. Encontro seu olhar hesitante com uma firmeza que não sinto, oferecendo apoio silencioso enquanto ela revela seus segredos. E a cada palavra, cada confissão hesitante, eu caio um pouco mais fundo. Um pouco mais apaixonado.
Mesmo quando ela admite verdades que me abalam.
Como o fato de que Selene não é apenas um cão, mas o lobo dela.
Companheira. Minha. Meu lobo sussurra na minha cabeça, e eu finalmente entendo sua obsessão com aquele maldito husky. Ele não está ligado a um cão. Ele está ligado a um lobo. O lobo da nossa companheira.
Eu nunca ouvi falar de um lobo fora do nosso corpo. Nós compartilhamos a mente, a alma e o corpo. É assim que funciona.
Mas minha Ava é extraordinária de todas as formas, pelo visto.
Quando eu aceito essa nova verdade, estico a mão para pegar as dela, nunca a repreendendo pelo silêncio—pelos seus medos—ela parece, finalmente, baixar a guarda.
Sua voz está rouca de tanto falar e pelo uso excessivo, então eu dou uma pausa indo até a cozinha buscar um copo d’água.
Na cozinha, ela segue, passando a mão na minha, e meu coração salta de alegria.
“Desculpa, Lucas. É uma bagunça, né?”
É, é uma puta bagunça.
“Tá tudo bem, Ava.” Eu aperto a mão dela de leve. “Vamos resolver isso juntos a partir de agora.”
“Não queria jogar tudo isso em você—”
“Eu sei, querida. Aqui.” Eu sirvo um copo d’água, e ela fica ao meu lado, ansiedade novamente tensionando seus ombros.
É fácil entender ela agora que está com a guarda baixa.
“Não estou chateado,” eu minto descaradamente sem piscar um único olho. “Apenas preocupado.”
“Ah. Isso é bom.”
Doce Ava é um risco enorme de fuga, e eu não vou correr riscos.
Eu só preciso descobrir como brigar com ela sem estragar o progresso que finalmente fizemos.
Ela não pode mais se colocar em perigo dessa maneira.
Se aquele vampiro não a tivesse enviado de volta—
Guerra, meu lobo sussurra.
Sim, seria uma puta guerra. Mas ter que encontrá-la, quando foi levada por magia? Não tenho certeza de quão fácil teria sido.
Saber o quanto eu poderia tê-la perdido esta noite é uma experiência sóbria.
Isso, e aprender o quão lamentavelmente desinformados nós, transformistas lobos, somos.
Não sabemos o suficiente sobre vampiros. Eu já ouvi falar de alguns truques que vampiros podem realizar, mas nada como as coisas que Ava me contou esta noite.
E ter esses malditos sanguessugas cobiçando minha companheira é inaceitável.
“Lucas?”
Merda. Ela estava falando comigo, e eu perdi tudo. “O que foi, Ava? Desculpa. Estava pensando nas coisas.” O cabelo dela está meio cobrindo o rosto, então eu me inclino para ajeitar as mechas rebeldes atrás da orelha dela.
Uma leve tonalidade vermelha colori as bochechas dela quando faço isso.
“Tem mais,” ela diz, com um tipo de hesitação que faz meu estômago afundar.
Depois de tudo que ela já me contou, eu não pensava que haveria algo maior para admitir. Sua linguagem corporal diz o contrário.