Enredado ao Luar: Inalterado - Capítulo 147
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- Capítulo 147 - 147 Ava A Boa Vontade de um Vampiro 147 Ava A Boa Vontade de
147: Ava: A Boa Vontade de um Vampiro 147: Ava: A Boa Vontade de um Vampiro A voz familiar vem de trás de nós. Girando, encontro a Irmã Miriam parada na porta, exatamente como eu lembrava dela. Pele pálida. Cabelos escuros que parecem engolir luz em vez de refleti-la. Olhos vermelhos arrepiantes que parecem brilhar na luz suave do ambiente.
Ocorre-me que as cortinas estão todas escancaradas, deixando a luz natural entrar nesse espaço. E ela me visitou durante o dia quando nos conhecemos.
Preciso realmente aprender mais sobre vampiros. Minha falta de conhecimento pode acabar me matando.
“Como que a gente veio parar aqui?” eu pergunto, detestando o leve tremor em minhas palavras.
Não é todo dia que você abre os olhos e percebe que foi magicamente transportado para outro lugar.
A Irmã Miriam sorri, mas há algo perturbador na expressão dela. Não chega a alcançar os olhos. Lembro agora como o rosto dela não se move de verdade com seus sorrisos. “Você me chamou, não foi?”
Cada passo gracioso a traz mais perto, e eu dou um passo para trás, encostando no calor do corpo da Selene. Pelo menos não estou sozinha.
É quase como se ela estivesse deslizando, e não caminhando.
“Devo dizer que estou impressionada. Não são muitos que têm a habilidade de me alcançar dessa maneira.”
Minhas sobrancelhas se juntam em confusão. “Não entendo. Eu só acendi a vela e pensei em você, como você disse.”
“Leva mais do que só uma vela e um pensamento, criança. Tem que ter poder por trás disso. Poder que você claramente possui.”
Ela se aproxima de mim, e eu luto contra o ímpeto de recuar mais um passo. Há algo na presença dela que me aterroriza e me intriga ao mesmo tempo. “O que você quer de mim?” eu pergunto, minha voz quase num sussurro.
A Irmã Miriam inclina a cabeça para o lado, me estudando com aqueles olhos inquietantes. “A questão é, o que você quer de mim? Você me chamou, afinal. Deve haver um motivo.”
Respiro fundo, tentando acalmar meus nervos. “Você enviou uma carta para a matilha de Westwood, me avisando sobre o perigo.”
“Esse perigo já passou.” Ela me avalia, o gesto mais desdenhoso do que qualquer outra coisa. “Você parece ter saído ilesa. Não há necessidade de me chamar.”
“Por que você tentou me salvar?”
A cabeça dela se inclina lentamente para o outro lado. Às vezes, ela tem uma elegância inumana. Em outros momentos, é como se fosse um robô com programação ruim, se movendo de maneiras que simplesmente parecem antinaturais.
“Tem que haver um motivo para fazer uma boa ação, lobinha?”
Não sei como responder. Claro que não precisa haver um motivo, e mesmo assim parece que tem um.
Lucas vai ficar puto, Selene observa, muito calma para a nossa situação atual.
Merda.
É, ele vai.
Espera, a vela ainda está queimando no apartamento? Isso é um perigo de incêndio.
A Irmã Miriam se vira de repente, acenando para que a sigamos na direção dela. “Venham. Está na hora do jantar.”
Tem umas cinco relógios no ambiente, todos mostrando horários diferentes. Eu tento pegar no bolso para conferir, mas—
Não.
Não tem celular.
Claro que eu não tenho meu celular. Seria bem mais conveniente ligar para alguém e avisar ao Lucas que estou segura e viva se eu tivesse mantido meu celular comigo como uma pessoa normal. Em vez disso, posso claramente visualizá-lo… em cima da mesa da cozinha, onde costuma ficar.
Lucas vai acabar colocando um microchip em você nesse ritmo.
Exasperada, sigo a Irmã Miriam para o jantar, mesmo que só deva ser a hora do almoço. Você assiste muita TV, Selene.
“Você sabia que eu vinha hoje?” pergunto, lembrando que ela tinha a habilidade incomum de profetizar o futuro.
“Não,” ela diz, nos conduzindo a uma sala gigante, ocupada apenas por uma longa mesa de carvalho e cadeiras.
Uma contagem rápida revela vinte cadeiras ao longo dos lados da mesa.
Selene balança a cabeça, espirrando forte. Sangue antigo, ela murmura. Sempre cheira terrível numa toca de alimentação.
Um calafrio percorre a minha espinha, e a Irmã Miriam puxa uma cadeira na extremidade justa da mesa, fazendo sinal para que eu sente. “Sente-se.”
Não sentar parece grosseiro. Mesmo assim, sentar parece… desconfortável.
“Irmã Miriam, eu não vim para uma refeição—”
“Sente-se,” ela diz novamente, com um sorriso tênue. “Não se preocupe. Ninguém vai te machucar enquanto você estiver na minha casa.”
Selene pula na cadeira ao lado, parecendo incongruente como um cachorro numa mesa de jantar chique.
A Irmã Miriam nem pisca, só faz sinal pacientemente para que eu acomode minha bunda na cadeira que ela selecionou.
Eu me acomodo, como pedido, observando a estranha mulher enquanto ela cruza para o outro lado da longa mesa.
No momento em que ela se acomoda na cadeira dela, as portas duplas no extremo da sala se abrem, revelando três homens. A pele deles tem um pálido translúcido, insinuando algo sobrenatural. Cada um carrega um prato coberto, o aroma da comida se espalhando pelo ar.
“Perdoem-nos. Estávamos completamente despreparados para convidados tão ilustres,” anuncia a Irmã Miriam, sua voz ecoando no espaço cavernoso.
Os homens se aproximam, cada um colocando um prato ornamentado à minha frente. “Bon appétit,” murmuram eles, suas vozes suaves, porém inquietantes.
Assim como apareceram, eles somem de volta pelas portas, me deixando olhando para uma série de pratos cobertos.
A suspeita se enrola no meu estômago enquanto observo a disposição dos pratos. Podemos confiar nisso? Eu pergunto à Selene, sem ousar expressar minhas preocupações em voz alta.
Ela se inclina para frente, o nariz tremendo. Cheira seguro, ela admite após um momento. Não há vestígios de veneno ou adulteração.
Através da mesa, a Irmã Miriam me observa, seus olhos carmesins cintilando à luz. “Por favor, coma,” ela insiste, um sorriso brincando nos cantos da boca. “A alegria da comida foi perdida para mim com meu renascimento. Observar outros devorando uma refeição incrível é um dos poucos prazeres que me restam.”
Eu hesito, meus dedos pairando sobre os talheres. O aroma é convidativo, mas as circunstâncias estão longe do normal. Jantando com uma vampira, num lugar estranho, depois de ser transportado magicamente? É o suficiente para fazer qualquer um perder o apetite.
Relutantemente, eu levanto a tampa do primeiro prato, revelando um bife perfeitamente cozido, os sucos brilhando à luz. Legumes assados e um molho delicado completam o prato.
Corto a carne, a faca deslizando como manteiga. A Irmã Miriam se inclina para frente, o olhar dela intenso enquanto levo a primeira mordida à boca.
Sabores explodem na minha língua, ricos e saborosos, diferentes de tudo que já provei antes. Um gemido suave me escapa antes que eu consiga evitar, e o sorriso da Irmã Miriam se alarga.
“Exquisite, não é?” ela murmura, recostando-se na cadeira. “Os ingredientes mais finos, preparados pelas mãos mais habilidosas. Uma verdadeira obra-prima culinária.”
Concordo com a cabeça, sem conseguir formar palavras conforme saboreio cada mordida. Selene observa, a cabeça inclinada em curiosidade. Então é bom?
Melhor que bom, eu respondo, já cortando outro pedaço. Nunca provei algo assim.
Enquanto como, a Irmã Miriam continua a observar, sua expressão uma de prazer vicário. É incômodo, ser observada tão atentamente, mas a comida é boa demais para resistir.