Enredado ao Luar: Inalterado - Capítulo 145
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145: Ava: Shows da Selene 145: Ava: Shows da Selene “TV?” Lucas pergunta, e eu assinto com a cabeça.
“Selene gosta de qualquer coisa na Rede de Transformação.”
A mão dele congela com o controle remoto apontado para a TV. “Sua cachorra assiste TV?” ele pergunta com cuidado, com um toque de riso em suas palavras. Como se não quisesse me ofender com seu divertimento.
“Ela é uma cadela básica,” eu digo alegremente, ignorando o rosnado mental de Selene.
Lucas olha para Selene, depois para mim, de volta para a TV, obedientemente mudando para o canal certo.
Um dos programas dela está passando, como sempre. Eu não assisto muito, mas estou bastante certo de que sempre tem um drama no ar, mesmo que seja uma reprise.
Quase sempre. Às vezes é um talk show. Ela soa tão nojada com isso, que eu tenho que morder o lábio para não rir.
Enquanto isso, Lucas está encarando a TV.
Ele sintonizou bem no meio de uma cena de transformação, um momento em CGI de um homem humano estourando as roupas enquanto se transforma em um lobo, completo com o som de ossos quebrando e carne se rasgando.
“Isso,” ele diz, “é nojento. Transformar-se é bonito, e eles transformaram isso num show de horror.”
“Isso é só a ponta do iceberg,” eu murmuro, encarando Selene, que está ignorando nossos comentários.
Eu adoro esse episódio, ela suspira. Ele vai encontrá-la na floresta e ela se apaixona… Claro, ela não pode fazer nada sobre isso. Ela ainda está saindo com aquele garoto humano da aula de matemática.
“Por que ele não tirou as roupas antes de se transformar?” Lucas murmura, visivelmente distraído. “Não parece que tem alguma emergência. Só destruiu as roupas sem motivo. Isso não é lógico. O que ele vai fazer quando voltar à forma humana? Só andar por aí pelado? Ele é velho demais para se transformar sem controle.”
Não é como se transformistas pelados fossem uma visão rara em qualquer alcateia, mas meus lábios se curvam com suas perguntas ofendidas.
“Você nunca assistiu nenhum desses programas?”
“Nunca,” ele confirma, com as sobrancelhas se juntando enquanto continua a assistir a cena. “Ele é pequeno.”
O lobo na tela é algum tipo de híbrido de lobo com cachorro, e muito menor que os transformistas.
Selene concorda. Ele é muito pequeno.
Eu olho para ela, a husky de vinte e dois quilos com um lobo interior, mas consigo manter minha boca mental fechada.
Lucas se acomoda no sofá, passando um braço ao meu redor enquanto continua a assistir o desastre na TV, onde o transformista lobo persegue uma garota humana na floresta.
Ela se vira com o som de um galho quebrando, e Lucas exclama, “Isso é um erro de iniciante!”
Ele é um caçador terrível, Selene concorda novamente.
E alguns momentos depois, Lucas levanta o braço no ar. “Por que ele se revelaria para uma humana adolescente assim? Nunca se sabe quando eles vão te denunciar por violações contra os Direitos de Sobrevivência Humana. Você não pode perseguir um humano e esperar não ser denunciado.”
É uma conexão destinada, Selene suspira.
Engraçado como ela adora as conexões destinadas nos filmes, mas continua dando um gelo no Lucas. Nunca juntei essas coisas antes. Vou ter que perguntar pra ela sobre isso.
“Você tem certeza de que sua cachorra gosta desse lixo?” ele pergunta, finalmente se virando da tela para olhar para mim.
Eu aponto na direção de Selene. Ela está no chão, cauda erguida, orelhas em pé, completamente concentrada no programa dela.
Ele balança a cabeça. “Eu sei que você a ama, mas sua cachorra é incomum.”
Meus lábios formigam. “Sim. Só um pouco.”
O calor de Lucas me envolve enquanto me aconchego contra ele, as pálpebras ficando pesadas. A conversa sem sentido da TV se mistura com seus comentários ocasionais, pontuados pelas interjeições mentais de Selene. É uma espécie estranha de canção de ninar, mas mesmo assim me acalma.
Apenas um pouco de paz. Apenas um pouco de descanso.
Isso é aceitável, certo?
Ele está sempre lá para salvá-la de seus agressores, Selene suspira, a voz sonhadora em minha mente. É tão romântico.
Lucas dá uma risada de deboche. “Se transformar em terreno escolar humano é pedir por um castigo de seu alfa. Nenhum transformista lobo conseguiria se safar disso.”
Não posso evitar de sorrir com a troca deles, mesmo enquanto meus pensamentos se voltam para Lisa. A dor no meu peito se intensifica. Ela está bem? Ela comeu? Ela está machucada? As perguntas giram na minha mente, um loop interminável de medo e incerteza.
De repente, Lucas fica tenso ao meu lado. Seus músculos se contraem, sua respiração presa na garganta. Pisquei, a névoa de sono e preocupação dissipando ao perceber que ele está conectado mentalmente com outro lobo.
Meu coração acelera. Notícias sobre Lisa?
Ele permanece imóvel, seus olhos dourados sem foco. Segundos se estendem em minutos, cada um uma eternidade. Finalmente, ele olha para mim, seu rosto demonstrando um pedido de desculpas.
“Ainda não temos atualizações,” ele diz suavemente, a mão dele afastando uma mecha solta de meu cabelo. “Mas eu tenho que conferir uma pista com Kellan. Você vai ficar bem sozinha?”
A decepção me atinge, mas a empurro para o lado, prendendo-me ao fio de esperança em suas palavras. “Uma pista? Que tipo de pista?”
Lucas hesita, sua mandíbula se contraindo. Quando ele fala novamente, sua voz está baixa, quase relutante.
“Nós estamos investigando uma Cidade Não Registrada perto das Terras do pacote Blackwood. Acreditamos que sua família pode estar se escondendo lá.”
Minha respiração fica presa na garganta, um frio percorre meu corpo apesar do calor de Lucas. “Minha família? Por que eles estariam se escondendo?”
Lucas suspira, apertando seu braço ao meu redor. “Suspeito que o ataque dos vampiros tenha algo a ver com o Alfa Renard e seu pai.”
As palavras me atingem como um soco no estômago. Alfa Renard. Meu pai. Os dois homens que só me causaram dor e sofrimento. A ideia deles estarem envolvidos no sequestro da Lisa faz o bile subir na minha garganta.
“Isso não pode ser.”
Se tantos inocentes foram mortos por causa do desejo deles por poder…
Meu estômago revira.
Lucas sacode a cabeça. “Nós não sabemos com certeza, mas é muita coincidência.” Ele me observa atentamente. “Sua mãe está em coma desde a noite em que a resgatamos. Eu queria desligar todo o suporte à vida, mas Clayton interveio no final. Disse que ela pode ser útil.”
Eu assinto. Eu lembro.
“Ela está acordada.”