Enredado ao Luar: Inalterado - Capítulo 117
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117: Ava: Sua Nova Normalidade 117: Ava: Sua Nova Normalidade Viver em Westwood se torna rotina de novo rapidamente.
O treinamento com Jerico recomeça apenas dois dias depois do meu retorno, e o transformista velho e grisalho não diz uma palavra sobre minha longa ausência.
Lucas e eu trocamos mensagens todas as noites, mas eu me recuso a ligar para ele. O som da voz dele vai fazer com que eu me arrependa de coisas.
E Selene se estabelece em nossa vida diária como se nunca tivesse ido embora.
O único ponto negativo?
Kellan.
Ainda não consegui falar com Selene ou Lisa sobre nada importante, porque o beta está sempre por perto. Ele dorme no sofá todas as noites, não importa quantos protestos Lisa e eu façamos contra isso.
Até Lucas concorda com isso. Eu pensei que usar o possessividade dele funcionaria a meu favor; não funcionou.
Ele simplesmente disse que Kellan seria o único lobo em quem ele poderia confiar para me manter segura.
Lisa está pior do que eu; ela passa uma boa parte do dia com cara feia para o beta simpático.
Eu observo Kellan enquanto ele lava a louça, seus ombros largos preenchendo a camiseta de um jeito que seria atraente se eu não estivesse tão irritada com a presença constante dele. Lisa resmunga ao meu lado, “Não é justo que meu apartamento tenha sido tomado.”
Eu suspiro, o som pesado de frustração. Selene solta um pequeno latido de concordância do seu lugar no chão.
“Vocês sabem que eu posso ouvir vocês duas, certo?” Kellan diz sem se virar, sua voz tingida de diversão.
Lisa revira os olhos. “Bom. Talvez você pegue a dica e vá embora.”
Kellan ri, o som profundo e caloroso. Ele se vira, encostando-se na bancada enquanto seca as mãos em um pano de prato. “Desculpe, não tem jeito. Ordem do Alfa.”
Eu aperto os dentes. Não é que eu não aprecio a preocupação de Lucas com minha segurança. Eu aprecio. Mas ter Kellan aqui 24 horas por dia, 7 dias por semana, está me deixando louca. Eu não consigo nem ter uma conversa privada com Lisa ou Selene sem ele rondando por perto.
“Não precisamos de babá,” eu digo, cruzando os braços.
Kellan ergue uma sobrancelha. “Depois de tudo o que aconteceu, eu discordo.”
Eu me irrito com isso, minhas bochechas esquentando com uma mistura de raiva e vergonha. Eu sei que ele está certo. Eu fui sequestrada, atacada, e deus sabe o que mais, em alguns meses. Mas mesmo assim.
“Eu sei cuidar de mim mesma,” eu murmuro, sabendo que soa infantil mesmo enquanto as palavras saem da minha boca.
A expressão de Kellan suaviza. “Eu sei que você sabe, Ava. Mas nos deixe ajudar, tá bom? É o que a Matilha faz.”
Eu desvio o olhar, segurando as lágrimas repentinas. Matilha. A palavra parece estranha na minha boca esses dias. A Matilha Blackwood nunca foi realmente minha, não importa o quanto eu tentasse me encaixar. E a Matilha Westwood…
Bom. Eu não tenho certeza do meu lugar com eles. Com ele.
Lucas e eu temos trocado mensagens, mas são coisas superficiais. Piadas e memes, uma rápida pergunta sobre nosso dia.
Eu estou evitando qualquer coisa mais significativa que isso, e ele sabe. Ele está me permitindo.
Mas ele não está me deixando ser tão livre quanto eu gostaria, porque apesar de ter ganhado a guerra de onde eu moro… Kellan está aqui.
“Nós já temos seguranças do lado de fora. Você não pode apenas sair por algumas horas? Deixar a gente ter um pouco de espaço? Eu mal consigo respirar sem um de vocês me vigiando, e estou cansada disso.”
E é verdade mesmo. Ter guardas por perto o tempo todo não é algo a que eu consiga me acostumar, e eu nunca quero me acostumar.
Selene resmunga, deslizando seu olhar triste na direção de Kellan.
Kellan balança a cabeça, e tanto Lisa quanto eu soltamos um gemido em uníssono. O som é alto e longo, pingando com toda a frustração que vem se acumulando dentro de mim por dias agora.
Não é só a vigilância constante, embora isso certamente faça parte disso. É tudo. O laço com Lucas, o fato de que meu pai e o Alfa Renard ainda não foram encontrados, as perguntas que tenho sobre meu corpo. Tudo isso.
Kellan suspira em resignação, passando uma mão pelos cabelos até ficarem espetados de forma desordenada. “Olha, eu entendo. Vocês duas precisam de espaço. Um tempo para vocês mesmas.” Ele pausa, franzindo a testa enquanto parece lutar com alguma batalha interna. Finalmente, ele assente, como se chegasse a uma decisão. “Eu posso dar a vocês a tarde de amanhã. Mas vocês têm que prometer que não vão sair do apartamento.”
O rosto de Lisa se ilumina instantaneamente, seus olhos escuros brilhando de excitação. “Sério? Você promete?”
Kellan assente novamente, um pequeno sorriso se formando nos cantos da boca. “Sério. Mas eu falo sério sobre ficarem. Sem exceções. Especialmente porque o Alfa Westwood saiu de novo.” Ele está de volta ao Território Blackwood, lidando com as coisas que aconteceram enquanto eu estava hospitalizada.
Selene late sua aprovação, seu rabo batendo contra o chão num ritmo constante. Eu consigo sentir a excitação dela vibrando através do nosso laço, um pulso cálido de energia que me faz sentir mais leve do que nos últimos dias.
Eu e Lisa comemoramos com um high-five, nossas palmas se encontrando com um estalo satisfatório. Conseguimos, digo mentalmente para Selene, meus pensamentos tingidos de triunfo. Finalmente vamos ter um tempo só para nós.
Selene late suavemente em resposta, sua concordância clara. Precisamos conversar, Ava. Tem tanta coisa que preciso te dizer.
Eu aceno com a cabeça, meu coração acelerado com a seriedade no tom dela. Eu sei. Vamos conversar. Amanhã, quando Kellan não estiver.
Lisa já começa a tagarelar, fazendo planos para nossa tarde de liberdade. “Podemos assistir filmes, pedir comida e só relaxar um pouco pela primeira vez. Ah! E finalmente ter aquela conversa que estamos querendo ter.” Ela arqueia as sobrancelhas para mim, seu sorriso se tornando malicioso.
Sinto minhas bochechas esquentarem, sabendo exatamente que tipo de “conversa” ela tem em mente. O tipo que envolve um certo alfa e o emaranhado complicado de sentimentos que tenho por ele.
Kellan pigarreia, trazendo nossa atenção de volta para ele. “Estou confiando em vocês duas,” ele diz, seu tom sério. “Não me façam se arrepender.”
“Não vamos,” eu prometo, dizendo com todas as fibras do meu ser. “E Kellan? Obrigada. Sério.”
Ele assente, sua expressão suavizando. “De nada, Ava. Eu sei que não tem sido fácil para você. Para nenhuma das duas.” Ele olha para Lisa, incluindo-a em suas palavras.
O sorriso de Lisa é genuíno, todos os traços de sua irritação anterior desaparecidos. “Obrigada, Kellan. Nós agradecemos. Mais do que você imagina.”
Kellan baixa a cabeça, parecendo quase tímido com o elogio. “É, bom. Não se acostumem. Afinal, eu ainda sou o guarda-costas de vocês.”
Eu rio, o som surgindo de algum lugar profundo dentro de mim. É bom rir, sentir algo além do peso constante da preocupação e do medo.
“Nem sonho com isso,” eu digo, meu tom de voz brincalhão. “Nós sabemos que você é durão, Kellan. Não precisa nos lembrar.”